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"Marley & Eu" faz dez anos: conversamos com o dono do "pior cão do mundo"

Kevin Winter/Getty Images
11.dez.2008 - John Grogan posa com o cachorro Clyde, que fez a maior parte das cenas de Marley no filme "Marley & Eu" Imagem: Kevin Winter/Getty Images

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

18/10/2016 07h00

Há dez anos, o Brasil conhecia a história de Marley, um labrador travesso que mudou a vida de uma família americana. Depois de 1,1 milhão de livros vendidos por aqui, o país ganha uma edição comemorativa publicada pela HarperCollins e a atenção especial do autor de "Marley & Eu", o jornalista John Grogan, que escreveu uma dedicatória exclusiva para seus leitores e fãs brasileiros.

Em uma conversa exclusiva com o UOL, direto de sua casa em uma cidadezinha no topo das montanhas da Pensilvânia, o escritor ressaltou a importância do nosso país no estrondoso sucesso internacional de seu primeiro e mais conhecido livro. A história do "pior cachorro do mundo" o permitiu colecionar amigos fora do país, muitos deles brasileiros, que compartilharam com o autor as histórias de seus cachorros desde a primeira edição do livro em português.

"Obrigado, Brasil, por abraçar a mim e ao meu cachorro maluco. Obrigado por tornar minha simples história em um sucesso internacional. Obrigado por me fazer sentir parte de suas famílias e um honrado cidadão do seu país", escreve John Grogan em sua dedicatória. Apesar do carinho especial pelo público brasileiro, o americano ainda não teve a oportunidade de conhecer o país.

"Acompanhei a Olimpíada do Rio pela TV e fiquei ainda mais encantado com a beleza do seu país. Quero muito conhecer o Brasil, é a viagem dos sonhos para mim e para a minha mulher", conta John. Ele se refere a também jornalista Jenny Grogan, coprotagonista da história que virou filme dois anos depois do lançamento do livro e chegou aos cinemas no dia de Natal, em 2008.

Marley ficou conhecido primeiro em 2003, quando John Grogan publicou uma coluna no jornal em que trabalhava contando sobre a dor de perder o companheiro que o acompanhou durante 13 anos. De 20 cartas que costumava receber após seus textos, o número saltou para cerca de 800.

Divulgação
Capa da edição comemorativa de dez anos de Brasil do livro "Marley & Eu" Imagem: Divulgação

Para externar a dor de perder o companheiro que havia chegado à casa dele e de Jenny antes mesmo de seus três filhos (que hoje têm 25, 23 e 19 anos), Grogan resolveu escrever sobre a trajetória difícil, mas inesquecível ao lado do bicho batizado em homenagem ao cantor Bob Marley.

O texto carregado de sentimentos foi um sucesso imediato de vendas logo após sua publicação nos Estados Unidos, há exatos 11 anos, em 18 de outubro de 2005. Um ano depois, em 2006, "Marley & Eu" ganhava sua edição brasileira.

Durante a entrevista, John Grogan fez questão de destacar a importância do Brasil no sucesso internacional de seu primeiro livro. Leia a seguir:

UOL - Dez anos se passaram desde a publicação de "Marley & Eu" aqui no Brasil. O que mudou na sua vida nesse período?
John Grogan - Muita coisa mudou desde a publicação do livro. O Marley foi um cachorro que agregou muito a nossa família. A história dele possibilitou que meus filhos frequentassem boas escolas e que eu fizesse muitos amigos pelo mundo. Hoje eu também não trabalho mais em redação graças ao sucesso dele.

Muitos brasileiros entraram em contato com você depois do sucesso de "Marley & Eu". O que eles te contavam nas cartas e e-mails?
Foram muitos leitores internacionais, recebi milhares de cartas do mundo todo. Mas posso dizer que mais da metade dos e-mails que recebi de países estrangeiros vinham do Brasil. Foram muitas mensagens. Logo percebi que vocês também eram apaixonados por cachorros. As pessoas contavam histórias felizes e também compartilhavam a dor de ter perdido um animal. Elas faziam questão de mandar até fotos dos seus bichos de estimação e isso me alegrou muito. Com essa experiência pude ver que, apesar de tantas guerras e diferenças entre as nações, existe um sentimento sincero que nos une e nos faz igual.

O número de cartas e e-mails cresceu muito depois da adaptação de "Marley & Eu" para o cinema, em 2008?
Eu já recebia muitas mensagens depois de publicar o livro, que logo virou best-seller nos Estados Unidos e internacionalmente. Mas posso dizer que depois do lançamento do filme esse número saltou umas dez vezes.

Reprodução/johngroganbooks.com
Os cães Woodson (à esquerda) e Wallace no Natal de 2014: sucessores de Marley Imagem: Reprodução/johngroganbooks.com

Quantos cachorros sua família já teve depois do Marley? Já pensou em escrever sobre eles?
Tivemos uma cadela logo depois do Marley, a Gracie, mas ela tinha uma doença degenerativa e acabou morrendo quando tinha 6 anos. Depois chegaram outros dois cachorros, o Woodson e o Wallace. O Woodson era um dos 22 cachorros que fizeram o Marley no filme e foi um presente da produção logo após o final das filmagens. Ele está conosco até hoje, já faz oito anos. Apesar de todos os problemas de comportamento que enfrentamos com o Marley, sempre tivemos labradores. É definitivamente a nossa raça favorita. Não pensei em escrever sobre os nossos novos cachorros, pois definitivamente eles têm um comportamento bem diferente. São tranquilos, ótimos cachorros.

Você escreveu diversos livros infantis com o personagem do Marley depois de lançar "Marley & Eu". Já teve proposta para outros filmes?
Não recebi outras propostas para fazer filmes e também não vejo como continuar a história do Marley. Mas foi muito prazeroso escrever estes livros para as crianças. Eu senti a necessidade de fazer isso, já que muitas crianças queriam ler "Marley & Eu" e, honestamente, o considero um livro adulto.

Você acha que um dia vai conseguir repetir o estrondoso sucesso de "Marley & Eu"?
É muito difícil repetir o que foi "Marley & Eu", mas isso não significa que meus outros livros não sejam bons ou não tenham feito sucesso. Acontece que quando eu comecei a escrever esta história foi uma algo que escrevi do fundo do meu coração. Eu sinceramente não esperava que fosse fazer todo o sucesso que fez. Mas como escrevi com tanto sentimento, é um livro único, algo que só acontece uma vez na vida. Não tem como repetir.

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