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Esqueça youtubers! Livro sobre crianças peculiares é referência aos jovens

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

29/09/2016 09h00

Um garoto descobre um portal para chegar a um mundo mágico, onde pessoas e animais possuem poderes e precisam acabar com um vilão que quer controlar o mundo. Não, não estamos falando de Harry Potter, mas sim do enredo de “O Lar das Crianças Peculiares”, novo filme do diretor Tim Burton, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (29).

O longa é baseado na trilogia de best-sellers do escritor Ransom Riggs, um apaixonado desde pequeno por fotografias perdidas, que misturou retratos antigos com uma aventura infantojuvenil. O personagem principal de “O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares”, lançado em 2015, é o jovem Jacob Portman, um riquinho entediado e meio perdido do sul dos Estados Unidos.

Com pais distantes, Jacob é muito apegado ao avô, um contador de “causos” de primeira categoria, que sempre relembra as histórias fantásticas de quando era mais novo, de um grupo de crianças em uma ilha, comandado por uma mulher cujos poderes eram gigantescos.

E não era só a dona da casa. Todos tinham algum tipo de talento peculiar: um era amigo das abelhas; a outra voava ao descalçar os sapatos; um garoto tinha sonhos que se tornavam reais; tinha também aquela menina que soltava fogo; e ainda mais uma com a força de 10 homens adultos.

Divulgação
O jovem escritor Ransom Riggs Imagem: Divulgação
Não entraremos em detalhes para não estragar a história, mas o grande frescor da trama é mostrar um mundo em que os jovens não são apegados aos celulares e tablets, muito menos utilizam grandes maquinários tecnológicos ou estão em um planeta futurista dominado por um líder malvado. Riggs coloca em primeiro plano que ser “diferente” é bom.

Com os youtubers dominando as livrarias e a Bienal deste ano explorando o mercado infantil e juvenil, é interessante ver uma trilogia que foge do comum. Falando de temas como a morte, o abandono da família, a 2ª Guerra Mundial e, claro, o amor, o escritor transformou uma história um tanto assustadora em romance.

A nova abordagem acaba sendo essencial para os leitores mais jovens, que não só descobrem o contraste com o passado e o presente como acabam influenciados pelo estilo da escrita leve e viciante do autor, cheia de detalhes nas estrelinhas.

Assim como Riggs, J. K. Rowling conseguiu na saga Harry Potter retratar os diferentes estágios da vida de uma criança, passando pela inocência dos 10 anos à descoberta do amor e a luta para salvar o planeta do temido Voldemort, no 7º livro. O leitor do trio Harry, Rony e Hermione acompanhou cada ação como se fosse um filme, participando como o quarto integrante do grupo.

A proposta em “O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares” é exatamente esta. O leitor acaba cativado pelas diferentes personalidades da obra, principalmente pelo gênio difícil de Emma, uma personagem tão complexa e apaixonante que só Freud conseguiria explicar.

Fotografias e Tim Burton

As fotos espalhadas pelo 1º livro da série, assim como em “Cidade dos Etéreos” e “Biblioteca de Almas”, que completam a trilogia, dão um toque um tanto bizarro e aterrorizante para o leitor que desconhece a obra. A hipnotizante menina levitando na capa de “O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares” pode afastar as pessoas mais sensíveis.

Divulgação
Imagem: Divulgação
Riggs teve a ajuda de diversos colecionadores, que adquiriram as imagens em mercados de pulgas e feiras de antiguidade. A cada pontual descrição, uma foto aparece para o leitor, dando vida ao que ele acabara de ler.

Algumas fotos passaram por tratamento digital, mas nada que atrapalhe o leitor a invadir o mundo fantástico dos peculiares e realmente acreditar que uma imagem de um antigo túnel foi realmente a passagem utilizada pelas crianças para se esconder de perigosos inimigos.

A história é perfeita para Tim Burton, diretor conhecido pela mistura entre o grotesco e o pop. Apesar disso, os trailers divulgados do filme até agora não agradaram aos fãs, que observaram algumas mudanças – grandes – em relação ao livro original.

O elenco é de primeira. Além da referência gótica do momento, Eva Green (série “Penny Dreadful”), Asa Butterfield (“A Invenção de Hugo Cabret”), Ella Purnell (“Não Me Abandone Jamais”), Samuel L. Jackson (“Pulp Fiction”) e Judi Dench (“007 – Operação Skyfall) também estão no filme.

O histórico do experiente diretor é conhecido por todos. Tim já fez bons trabalhos com histórias de terror e fantasia, como “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” e “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”, mas os recentes “Sombras da Noite” e “Alice no País das Maravilhas” não agradaram a crítica especializada. 

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