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"O Pequeno Príncipe" vira um monge em versão brasileira do clássico francês

Capa do livro assinado pelo monge Dom João Baptista e por Sandra Witkowski - Divulgação
Capa do livro assinado pelo monge Dom João Baptista e por Sandra Witkowski Imagem: Divulgação

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

22/07/2016 07h00

O que aconteceria se o Pequeno Príncipe surgisse no Mosteiro de São Bento, em São Paulo? O recém-lançado livro "O Pequeno Príncipe Descobre O Mosteiro" faz a relação entre os ensinamentos passados por Antoine de Saint-Exupéry, em 1943, e São Bento com sua regra beneditina, no século 6. 

"O Pequeno Príncipe traz uma mensagem universal de paz e de amor que transparece para toda a humanidade", explica o monge Dom João Baptista Barbosa, um dos autores do livro. Ele assina a obra junto de Sandra Witkowski, filósofa que há 16 anos estuda os ensinamentos do santo. 

Além da análise elaborada pelos dois autores, o livro traz em seu anexo o texto original de Saint-Exupéry e a Regra de São Bento na íntegra. Os autores acreditam que a obra seria aprovada por Saint-Exupéry, que morreu um ano depois de publicar "O Pequeno Príncipe".

"Ele era extremamente religioso, estudou em colégios jesuíta e marista, era uma pessoa repleta de Deus. Você percebe isso mais claramente em suas cartas e em outros escritos além de 'O Pequeno Príncipe' que é uma fábula", explica dom João, que conserva uma coleção completa de obras do autor francês na biblioteca do mosteiro, a mais antiga de São Paulo. 

"O próprio Saint-Exupéry falava que não deveríamos ler 'O Pequeno Príncipe' superficialmente. Então quisemos trazer a profundidade dessa obra à luz da regra beneditina, que é um texto que não é só para os monges, é para os leigos. É uma regra de vida tão simples e profunda como 'O Pequeno Príncipe'", completa Sandra.

Dom João Baptista diz que o principal objetivo do livro, que pode ser livro por qualquer tipo de público, e não apenas os cristãos, é trazer o esclarecimento.

"Uma das perguntas que mais ouço é 'O que é um monge?'. Alguns até têm medo da roupa preta, pensam que é o Batman. O monge é alguém que está em busca de Deus, assim como o Pequeno Príncipe", esclarece. "A ideia é que as pessoas também possam descobrir o mosteiro com a nossa obra", completa.

O monge é alguém que está em busca de Deus, assim como o Pequeno Príncipe
Dom João Baptista, monge beneditino

Há um ano e meio em domínio público, "O Pequeno Príncipe" pode ser explorado e modificado com a única condição que se dê o crédito ao autor original.

A ideia para a adaptação partiu de Sandra, que frequenta o Mosteiro de São Bento desde 2000 e entrou para o grupo de oblatas oito anos depois. Os oblatas são pessoas comuns que seguem os princípios de São Bento e convivem entre os monges.

Dom João Baptista, Sandra Witkowski e João Rossi - Moisés Moraes/Divulgação - Moisés Moraes/Divulgação
Os autores Dom João Baptista, Sandra Witkowski e o ilustrador João Rossi
Imagem: Moisés Moraes/Divulgação

Ela se baseou em uma edição italiana de "O Pequeno Príncipe" que trazia interpretações bíblicas para a história do menino loiro no deserto do Saara. O livro fazia parte da primeira exposição sobre a obra mais conhecida de Saint-Exupéry montada dentro do mosteiro, em outubro do ano passado. Foi neste dia que também nasceu a ideia de interpretar um dos livros mais vendidos há sete décadas segundo a Regra de São Bento.

Com uma disciplina monástica, Sandra organizou um cronograma junto a Dom João Baptista para que o livro fosse produzido de acordo com datas relacionadas a São Bento. Os manuscritos foram entregues à editora no dia 21 de março, data da morte do santo. A ideia era lançar o livro no dia 11 de julho - quando se celebra o dia do santo. "A sintonia ao escrever foi tanta que hoje relendo fico em dúvida o que foi que eu fiz e o que ela fez", pontua o monge.

Assim como o livro original, a adaptação brasileira traz capítulos curtos e de fácil interpretação. Os capítulos do comentário beneditino seguem a mesma ordem da obra de base. No entanto, o linguajar do século 6 da regra beneditina faz com que o teor de "O Pequeno Príncipe Descobre o Mosteiro" não seja tão acessível às crianças quanto à obra assinada por Saint-Exupéry. Por isso, os autores já falam em preparar uma versão infantil da obra. 

Aquarelas

Aquarela de João Rossi que ilustra o livro "O Pequeno Príncipe Descobre o Mosteiro", de Dom João Baptista Barbosa e Sandra Witkowski - Divulgação - Divulgação
Raposa desenhada por João Rossi para "O Pequeno Príncipe Descobre o Mosteiro"
Imagem: Divulgação

"O Pequeno Príncipe" é todo ilustrado por aquarelas assinadas pelo próprio autor, Antoine de Saint-Exupéry.

Na versão monástica do livro, a responsabilidade ficou a cargo do artista João Rossi. O desenhista e ilustrador conhece bem a rotina dos monges por trabalhar como restaurador do acervo do Mosteiro de São Bento e da Catedral da Sé, em São Paulo.

"Como o Pequeno Príncipe descobre o mosteiro, nada mais justo que as aquarelas representem a igreja do mosteiro. As aquarelas nascem a partir da Basílica Abacial. A temática é 100% inspirada na obra original, o que diferencia é o estilo. São representações que já existem em 'O Pequeno Príncipe', mas trazem um estilo mais voltado para a vida religiosa", explica.

João Rossi desenhou o menino loiro vestido com o hábito negro dos monges. A figura que ilustra a capa traz o príncipe em frente à porta principal do mosteiro. Das figuras mais conhecidas do livro, João também reproduziu a raposa, o asteróide e o elefante. "Fiz os desenhos sem nenhuma pretensão, são aquarelas extremamente despojadas e ilustradas de uma forma bem figurativa. Apenas agregam valor, não é nada extraordinário. É simples como a vida dos monges."

Exposição que virou livro

O livro leva o mesmo nome da exposição que está em sua segunda edição neste ano e vai até o dia 31 de julho. A mostra em cartaz no Mosteiro de São Bento, no centro de São Paulo, traz raridades como a 1ª edição francesa e a 1ª edição suíça em língua alemã da obra de Antoine de Saint-Exupéry.

A coleção é composta também por edições em outras línguas estrangeiras como inglês, espanhol, italiano, japonês e mandarim. Ao todo 50 edições constam na biblioteca do mosteiro.

Com uma tiragem inicial de apenas mil exemplares, a editora já planeja uma nova impressão de "O Pequeno Príncipe Descobre o Mosteiro" para atender a demanda. Lançado com noite de autógrafos na última terça-feira (19), o livro está disponível para venda no próprio Mosteiro de São Bento. O valor de capa é R$ 65. Quem adquirir um exemplar durante a exposição que leva o mesmo nome do livro, em cartaz até o dia 31 de julho, paga R$ 55. 

"O Pequeno Príncipe Descobre o Mosteiro" também estará à venda em livrarias e, após o fim da exposição, será comercializado na padaria do Mosteiro, que fica aberta ao público de segunda à sexta-feira, das 7h às 18h e aos sábados e domingos das 7h ao meio-dia.

Serviço

O Pequeno Príncipe Descobre O Mosteiro

Exposição: Em cartaz até 31/7
Segundas, Terças, Quartas, Quintas e Sextas das 9h às 17h
Sábados das 9h ao meio-dia

Quanto: grátis 
Onde: Mosteiro de São Bento (http://www.mosteiro.org.br)
Endereço: Largo São Bento, s/nº Centro - São Paulo
Telefone: (11) 3328-8799
Como chegar: Estação São Bento (Metrô - Linha 1 Azul)

Livro: à venda em livrarias e na padaria do Mosteiro de São Bento
Preço sugerido: R$ 65 (preço promocional de R$ 55 até o dia 31/7)