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Advogado que trocou carreira para montar Lego traz esculturas ao Brasil

James Cimino

Colaboração para o UOL, em Seattle (EUA)

10/06/2016 10h44

"A arte não é uma opção". Foi assim que o artista norte-americano Nathan Sawaya justificou a seus amigos o motivo de ter deixado uma proeminente carreira como advogado em Nova York para se dedicar a sua paixão de infância: montar Legos.

Divulgação
Mona Lisa em pixels de Lego Imagem: Divulgação

E diferentemente das pessoas que compram caixas do brinquedo e montam carros, naves, edifícios e personagens de franquias como "Star Wars", Sawaya transformou o hobby em arte. Começou reproduzindo pinturas e esculturas famosas como a Mona Lisa, a Moça com o Brinco de Pérola, o Davi de Michelangelo e o busto de Nefertiti, entre outras.

Mas ele não segue os passos de outros artistas que se dedicam à pop art, como o brasileiro Romero Britto, por exemplo. Assim como suas obras não se tornarão produtos disponíveis em prateleiras das Lego Stores ao redor do mundo.

"Já criei o set da Estátua da Liberdade para a Lego, foi legal ver aquilo nas lojas, mas não gostei muito do processo. Gosto de produzir peças em grande escala e, dificilmente, peças como essa seriam viáveis para comercialização. Também é uma forma de manter isso como arte."

Portanto, quem visitar a exposição "The Art of the Brick" ("A Arte do Bloquinho", em tradução livre), que chega no dia 11 de agosto à Oca do Ibirapuera, em São Paulo, e no dia 11 de novembro ao Museu Histórico Nacional, no Rio, terá de se contentar em, no máximo, comprar o catálogo de suas obras, em que conta a história das mais icônicas.

Estas, no entanto, não são as reproduções, mas suas próprias criações, em que analisa a condição humana e expressa seus dilemas como artista. Uma delas, "Yellow" (amarelo), que mostra um homem abrindo o peito e transbordando parte de seus 11.014 blocos de Legos amarelos, tornou-se icônica no mundo todo.

"Se tornou minha peça de assinatura, não sei se minha obra-prima, mas as pessoas falam muito dela comigo. Ela mostra uma pessoa pondo sua alma para fora, mas também por ter os bloquinhos espalhados, lembra o público de que isso ainda é apenas um brinquedo, mas que expressa emoções."

Reprodução/Facebook
Nathan Sawaya: de advogado a artista Imagem: Reprodução/Facebook

Outra delas, "Grasp" (amarras), feita com 17.356 peças, mostra um homem tentando caminhar enquanto diversos braços tentam contê-lo. É uma resposta aos que tentaram demovê-lo da ideia de mudar de carreira.

"Eu era advogado, mas diferente dos meus colegas, ao sair do trabalho, eu não ia para a academia malhar. Eu montava Legos. Eu queria fazer algo artístico, e quando decidi abandonar minha carreira, muita gente ao meu redor pensou que eu estava louco. Muito disseram textualmente que eu era um idiota por largar uma carreira de sucesso para montar brinquedos. Essa peça nasceu da negatividade que as pessoas projetaram em mim."

A "loucura", no entanto, está rendendo. Além das exibições em São Paulo e no Rio, Sawaya está em cartaz atualmente em Barcelona (Espanha), em Hamburgo (Alemanha) e em Sidney (Austrália), além de Mansfield e Seattle (ambas nos EUA). Quando estiver no Brasil, seus trabalhos também estarão expostos simultaneamente em Milão (Itália) e em Guangzhou (China).

Obra surpresa

Na exposição visitada pelo UOL em Seattle, o visitante caminha pelas obras seguindo uma espécie de linha do tempo do artista. Começa pelas pinturas, que têm uma característica muito peculiar: vistas de perto, ficam pixelizadas, afinal os blocos de Lego nada mais são que pixels tridimensionais. Por isso é necessária certa distância visual para enxergar a imagem.

Esta é uma brincadeira que o artista faz em outra de suas obras, chamada "Crowd" (multidão), em que mais de 4.600 peças formam, ao mesmo tempo, uma multidão e, vista de longe, um olho.

Mas Sawaya não se esquece da natureza principal de seu objeto: o Lego é um brinquedo e seu caráter lúdico permanece presente. Por isso fez especialmente para as crianças um esqueleto de dinossauro com mais de 80.000 peças.

Nem todas suas criações, no entanto, virão ao Brasil. A cabeça de um Moai, esculturas gigantes da Ilha de Páscoa, no Chile, feita com mais de 70.000 peças e presente à exposição de Seattle, ficou de fora por não caber no cargueiro que trará as peças ao país. Para construir esta obra, são necessários dois meses.

Mas Sawaya sempre prepara uma obra especial para os países que visita. E o Brasil vai ganhar a sua. O que seria? "Vocês verão no dia."

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Esqueleto de dinossauro com mais de 80.000 peças de Lego Imagem: Divulgação

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