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Ocupação de estudantes em SP vira espetáculo shakesperiano em mostra

Divulgação
Cena do espetáculo "Ramp!", adaptação de "A Megera Domada", de Shakespeare Imagem: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/04/2016 06h01

A ocupação das escolas estaduais de São Paulo pelos estudantes secundarista recentemente ganhou uma releitura inusitada: uma peça teatral que promove diálogo desta realidade com a dramaturgia do inglês William Shakespeare (1582-1616), cuja morte completa 400 anos.

Integrante da Mostra Shakespeare, promovida pela Cultura Inglesa de São Paulo, a montagem "Ramp!" trata do caso estudantil paulista com inspiração em "A Megera Domada", peça de Shakespeare, com direção da atriz escocesa Shona Cowie. A programação especial traz peças em inglês, com entrada gratuita, e vai até 24 de abril.

Em entrevista ao UOL, a escocesa diz que o Teatro Fósforo, grupo responsável pela montagem, já pesquisava a São Paulo contemporânea quando veio o convite da Cultura Inglesa. "A ocupação nas escolas públicas foi um destaque da cidade recentemente, assim como uma profunda exploração cultural", lembra.

Ao se ver diante da direção da peça, ela quis interligar as ocupações estudantis ao texto shakespeariano que, para Shona, "fala sobre comportamento em sociedade, desobediência x conformidade", com um "questionamento das instituições sociais". Segundo a atriz e diretora, a peça foi a "ferramenta perfeita para discutir" o tema das ocupações e "propor uma reflexão".

Na versão original, o pai de duas jovens, Bianca, a mais nova, e Catarina, a mais velha, impõe que a caçula não poderá se casar antes da primogênita, esta de personalidade difícil. Dois jovens interessados em Bianca armam, então, um plano para conseguir um pretendente para Catarina. A história já foi adaptada também na comédia romântica "10 Coisas que Odeiam em Você".

Em "Ramp!", além de três atores profissionais, três jovens estudantes da Cultura Inglesa também integram o elenco e trouxeram seus depoimentos para a peça. "Os testemunhos foram as peças-chave para desenvolver a trama e definir os personagens", conta a diretora. "Como nos disse um ocupante, eles tiveram de desenvolver suas habilidades de expressão para falar sobre a situação".

Ela ainda diz que "a parte mais frágil do processo de pesquisa foi conseguir os depoimentos da Polícia", lembrando que seu desejo foi ter no palco "uma discussão democrática e respeitosa sobre as ocupações". Ao fim, o grupo conseguiu que um policial desse sua fala sobre como via as ocupações. As palavras do militar integram o texto final da peça.

400 anos sem Shakespeare

Bem-humorada, Shona diz que, por ser escocesa, "não precisa endeusar Shakespeare", mas reconhece que suas obras "são tesouros mundiais". "Você não amaria voltar no tempo e dizer a ele que em 2016 no Brasil ele ainda é relevante?", questiona. "O âmago de seu trabalho é a experiência humana habilmente capturada".

Laerte Mello, gerente cultural da Cultura Inglesa, diz que o fato de Shakespeare falar das relações humanas o tornou "universal e atemporal". Por isso, o define como "um autor que jamais ficará datado", possibilitando sempre novas releituras de seus textos.

Para Mello, fazer Shakespeare dialogar com o Brasil contemporâneo desperta o olhar das novas gerações para os clássicos. "Você traz o jovem para esta linguagem magnífica que é o teatro", afirma ele.

Além de "Ramp!", serão apresentados ainda o espetáculo "Cymbeline XXI: A Rahearsal", a partir de 16 de abril, misturando personagens de Shakespeare a avatares, o musical "Love's Labour's Lost", a partir de 22 de abril, e a leitura de sonetos de Shakespeare em "Reading with The Ears", em inglês com o ator britânico Dominic Rye e em português com Gabriel Braga Nunes, em 27 de abril.

No mesmo dia, Rye fará cenas da peça "As You Like It" com a escocesa Shona Cowie, além da Cia. das Antigas apresentar canções dos tempos shakespearianos.

Serviço:

"Ramp!"
Quando: de 9 a 24 de abril, sábado e domingo, 20h
Onde: Cultura Inglesa - Vila Mariana - rua Madre Cabrini, 413, Vila Mariana, São Paulo
Quanto: grátis (retirada de entradas uma hora antes)

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