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Intérprete de Brigitte Bardot ressalta comportamento avançado da diva

Jefferson Pancieri
Bruna Thedy é Brigitte Bardot na peça "Com Amor, Brigittte", em cartaz no Teatro do Masp Imagem: Jefferson Pancieri

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/03/2016 17h00

Aos 32 anos, a atriz Bruna Thedy completa 20 de carreira —ela estreou aos 12 anos, no seriado "Sandy & Junior", na Globo. Hoje, vive o desafio de ser no palco uma das mulheres mais lindas e fortes que o século 20 conheceu: a atriz francesa Brigitte Bardot.

Na peça "Com Amor, Brigitte", em cartaz no Teatro do Masp, em São Paulo, a gaúcha radicada em São Paulo contracena com André Corrêa e encarna a diva loira em um momento marcante de sua trajetória, pelo menos para os brasileiros: sua visita ao Brasil.

O texto, escrito por Franz Keppler e dirigido por Fábio Ock, mostra Brigitte no Rio no fatídico verão de 1964, meses antes do golpe militar que se instauraria por 21 anos. Na época, perseguida implacavelmente pela imprensa e fãs, trancou-se primeiro no hotel, antes de refugiar-se na então desconhecida praia de Búzios, que nunca mais foi a mesma após sua passagem.

A peça mostra Brigitte trancafiada por quatro dias em sua suíte no Copacabana Palace, antes da fuga para Búzios. A obra retrata, de forma ficcional, o que ocorreu dentro destas quatro paredes onde a estrela ficou distante dos paparazzi e fãs.

Foi da própria Bruna e do diretor a ideia de transformar este momento de Brigitte no Brasil em espetáculo. O projeto teve início em outubro de 2013 e logo ganhou empatia das produtoras Célia Forte e Selma Morente, da Morente Forte.

Jefferson Pancieri
Bruna Thedy é Brigitte Bardot na peça "Com Amor, Brigittte" Imagem: Jefferson Pancieri

Beleza hipnotizante

Ao UOL, a atriz conta que as emblemáticas fotos de Brigitte na juventude sempre lhe chamaram a atenção. "Era uma beleza que eu admirava e que me paralisava", confessa. Assim, era capaz de permanecer horas vendo retratos antigos da francesa, hipnotizada pela imagem.

Sobre encarnar mulher tão bela, fica a pergunta: Bruna se acha bonita? "Digamos que me sinto bem comigo e me aceito como sou", ela responde. E ressalta que, além de beleza, Brigitte teve outro fator que, ao seu ver, a fez despontar: "o espírito livre".

Para chegar nesta composição, Bruna não quis ser "exatamente como ela". Preferiu reinventar a seu modo este ícone feminino, casando lados conhecidos a outros obscuros.

No processo de ensaios, viu a filmografia de Brigitte. "Tem uma cena em um filme em que ela atira num produtor sem arma nenhuma, só finge com as mãos, como uma criança brincando. Levamos isso para a peça", conta.

Ícone feminista

Para Bruna, Brigitte Bardot é "ícone da libertação feminina". "Ela tinha, nos anos 1960 , características que as mulheres buscam até hoje. Ela se mostrava do jeito que queria, sem respeitar um padrão, não tinha uma família tradicional, se relacionava com todos os homens que queria, tinha certeza que era dona do seu corpo", diz, lembrando, inclusive, que Brigitte admitiu ter feito aborto.

Para ela, tal comportamento avançado, "aliado à uma beleza hipnotizante, virou um estrondo". Por isso, considera Brigitte tão atual num momento em que o Brasil volta a discutir o feminismo. "Daí você vê hoje aquele senhor Eduardo Cunha [referindo-se ao presidente da Câmara], querendo interferir nos direitos das mulheres e se pergunta: Brigitte, cadê você?", alfineta.

Bichos e envelhecimento

Tal qual Brigitte, hoje aos 81 anos uma ferrenha defensora dos animais, Bruna também adora bichos. "Na casa dos meus pais temos vários cachorros e gatos. Há dez anos adotamos uma cachorrinha e eu pus o nome dela de Brigitte", revela.

Mas a atriz não gosta de ver pessoas debochando de Brigitte, chamando a francesa de "a louca dos bichos". "Acho que ela se decepcionou tanto com gente que ou ela se matava ou encontrava um novo sentido para a vida", pondera.

Sobre envelhecer, depois dos 30 Bruna conta que começou a ter mais reflexões acerca da passagem do tempo: "Desde então, tenho me desafiado mais. No caso da Brigitte, vejo as fotos dela mais velha e percebo um alívio no seu semblante. Não ter mais nenhum tipo de compromisso estético com o corpo, no caso dela que viveu em função disso, deve ser libertador".

Serviço:

"Com Amor, Brigitte"
Quando:
Sexta e sábado, 21h, domingo, 19h. 80 min. Até 29/5/2016
Onde: Teatro do Masp - Pequeno Auditório - av. Paulista, 1.578, São Paulo
Informações: 0/xx/11/3149-5959
Quanto: R$ 50 (sexta e domingo) e R$ 60 (sábado)
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 16 anos

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