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"Sou a favor de todo tipo de humor", diz Marcelo Médici em volta ao teatro

João Caldas/Divulgalção
Marcelo Médici em cena da peça "Cada Dois com Seus Pobrema" Imagem: João Caldas/Divulgalção

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/01/2016 19h03

Enquanto se prepara para mais uma novela, a próxima das 19h, "Haja Coração", o ator paulistano Marcelo Médici, 44, só quer saber dos palcos. "Até hoje a maioria das pessoas nas ruas vêm falar de meus personagens no teatro", diz. Ele reestreia nesta quarta-feira (13) mais uma temporada da comédia "Cada Dois com Seus Pobremas", no Teatro do Shopping Frei Caneca, em São Paulo.

Na peça, contracena com Ricardo Rathsam sob direção de Paula Cohen, em uma continuação de seu solo de sucesso por dez anos, "Cada Um com Seus Pobrema", com personagens como o corintiano Sanderson e o dócil Mico Leão Dourado. Ambas escritas por ele, já foram vistas por 250 mil espectadores.

Ator versátil, Médici teve contato com todas as matizes do teatro brasileiro. "Já trabalhei com quase todo mundo da minha geração", lembra em seu camarim, enquanto repassa as últimas pendências com sua diretora e amiga de muitos anos --Médici e Paula Cohen fizeram par romântico na novela "Canavial das Paixões", no SBT, em 2003, quando ficaram íntimos. "Gosto de trabalhar com amigos".

Seu caminho profissional é feito de encontros improváveis. "Fiz ao mesmo tempo 'A Praça É Nossa' e peça do Gerald Thomas", revela. Ele ainda fez "Saló, Salomé" em 1991 com o grupo Os Satyros e também o musical "Sweet Charity", com Claudia Raia, em 2006.

Foi com oito anos que Médici decidiu ser ator ao ver uma peça infantil e descobrir que adultos poderiam brincar feito crianças no palco. "Vou fazer isso quando crescer", pensou. Aos 16 anos, entrou para o CPT (Centro de Pesquisa Teatral), comandado pelo diretor Antunes Filho. Na época, foi um dos quatro selecionados entre 700 inscritos. O único homem. "O Antunes não deixava a gente andar de moto nem jogar futebol, para não machucar", recorda. "Até hoje o rigor que tenho com o teatro foi o CPT que me passou. Lá era um mosteiro", lembra, revelando que tinha como colegas Matheus Nachtergaele, Rachel Ripani, Charles Möeller e Miro Rizzo, entre outros.

O teatro precisa ser mais unido, parar com essas divisões. Até porque chega uma hora que enche o saco não ter dinheiro para comprar um sanduíche, uma camiseta. Por que não podemos ganhar dinheiro com nossa profissão?

Marcelo Médici

Depois, fez peças de todos os tipos. Em todas, era o piadista nos camarins, divertindo os colegas. Foi assim que surgiu Sanderson, corintiano que o acompanha até hoje e foi catapulta de lançamento de seu nome para o grande público, quando ganhou o Prêmio Multishow de Humor em 1998. Logo, conseguiu vaga em "A Praça É Nossa", no SBT, onde conviveu com mestres como Ronald Golias, Carlos Alberto de Nóbrega, Roni Rios e Zilda Cardoso. Desta última, recebeu um importante conselho: sair do humorístico e ir fazer novela, para não ficar marcado por um só personagem.

Jairo Goldflus
Marcelo Médici em foto de "Cada Dois com Seus Pobrema" Imagem: Jairo Goldflus

Após muita insistência, gravou teste na Globo, mas conseguiu papel mesmo ao encontrar-se pessoalmente com Silvio de Abreu. "Cheguei para ele e disse: 'Silvio, sou ator e vou ser frustrado se não fizer sua novela". Foi chamado para ser o gago Sanderson na novela "Belíssima", em 2005, na Globo.

Médici abraça o sucesso popular sem preconceitos. "O teatro precisa ser mais unido, parar com essas divisões. Até porque chega uma hora que enche o saco não ter dinheiro para comprar um sanduíche, uma camiseta. Por que não podemos ganhar dinheiro com nossa profissão? E isso a televisão e o humor me deu".

Público pediu continuação

A primeira temporada de "Cada Um com Seus Pobrema" estreou em 2004 no extinto Teatro Crowne Plaza, em São Paulo, com plateia para 150 pessoas. O sucesso foi imediato e durou dez anos. "Na época a gente tinha comunidade no Orkut, que depois foi destruída por uma fã ensandecida. Agora, eu mesmo cuido das minhas redes sociais. Partiu do público a criação de 'Cada Dois com Seus Pobrema'", conta.

"Em 'Cada Um' tínhamos a história de um ator que tenta fazer uma peça. Em 'Cada Dois', ele tem de se virar porque o colega de elenco abandona o projeto", resume o enredo. A situação tensa é desculpa para Médici mostrar sua versatilidade. "Sou a favor de todo tipo de humor, mas gosto quando o espectador se vê no espelho e pode refletir", diz.

Ele lembra que o projeto "Terça Insana", no qual ficou no primeiro ano, em 2001, e conviveu com grandes nomes do humor de sua geração dirigidos por Grace Gianoukas, foi uma grande escola. "A Grace nos dava total liberdade para criar. Muitas vezes, entrava no palco sem saber o que iria dizer. Foi aquele acontecimento. Era tão bom. Não tínhamos obrigação de acertar. Um ajudava o outro. Tinha clima de companheirismo", recorda.

Por isso, comemora o reencontro próximo com Grace, também escalada para a novela "Haja Coração". "Vou fazer o Aprígio, um vilão bobalhão que é casado com a personagem da Claudia Jimenez. E a Grace vai fazer minha cunhada. Vai ser muito divertido", adianta.

Enquanto as gravações do folhetim não começam, ele só pensa na peça. "A Paula me ajuda com esse outro olhar, de atriz e feminino e me ajuda em todas as decisões", elogia a diretora. E afirma que, depois da novela, quer fazer uma peça a seu lado. Paula devolve: "O Marcelo é muito ágil e versátil, consegue linkar um assunto no outro com rapidez e também é muito exigente. É um grande ator".

Serviço:
"Cada Dois com Seus Pobrema"

Quando: Quarta e quinta, 21h. 90 min. De 13/01 a 25/02 (não haverá peça na Quarta-feira de Cinzas, 10/02)
Onde: Teatro Shopping Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569, 7º andar, Consolação, São Paulo)
Quanto: R$ 50 a R$ 70
Informações: 11 3472-2229
Classificação etária: 14 anos

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