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"Vivemos um tempo de grande brutalidade", diz Lázaro Ramos sobre racismo

Lenise Pinheiro/Folhapress
Taís Araujo e Lázaro Ramos em cena da peça "O Topo da Montanha" Imagem: Lenise Pinheiro/Folhapress

Carlos Minuano

Colaboração para o UOL, em São Paulo

11/11/2015 06h00

"Vivemos um tempo de grande brutalidade, em todos os sentidos, para tudo e para todos". A frase é do ator Lázaro Ramos, em entrevista ao UOL. Ele se refere aos recentes ataques de racismo à sua mulher, a atriz Taís Araújo.

Coincidência ou não, as ofensas das quais Taís sofreu acontecem ao mesmo tempo em que o casal apresenta "O Topo da Montanha", um espetáculo que discute igualdade e relata os últimos momentos de um ícone da luta contra o racismo, o norte-americano Martin Luther King.

E não é só: Lázaro encara o tema também no cinema, em "Tudo que Aprendemos Juntos". O longa, que estreia no dia 3 de dezembro, aborda problemas sociais e preconceito através de histórias de jovens moradores da favela de Heliópolis, em São Paulo. "É um momento para ficar muito alerta", acredita o ator.

"O racismo vai mudando de cara, se sofisticando com o tempo", observa. Para ele, o seu lugar de resistência contra as intolerâncias é a arte. "Acho importante poder ter trabalhos como esse, que fala desses assuntos desta maneira". 

Não vou permitir mais que os racistas roubem o meu tempo de entrevistas, por que é isso que eles querem. Que o título da matéria seja o racismo em vez de afeto. Não vou viver na demanda do racista, por isso não tenho mais nada a dizer sobre isso.
Lázaro Ramos, sobre o ataque racista sofrido por Taís Araújo

Lázaro concorda que há um preconceito enrustido saindo do armário, mas diz evitar esse tipo de afirmação, e que prefere falar sobre afeto, segundo ele o verdadeiro cerne da questão. "Considero um passo importante na minha função de artista, de poder falar do assunto, tocar na ferida, mas apontar um caminho de solução, que é olhar para o outro com carinho".

Para o ator, as pessoas não se sentem participantes desse assunto, embora a questão esteja presente nos locais de trabalho, de poder, de entretenimento. "Nós somos diversos. Então, por que a diversidade não está nos postos de comando, nas redações de jornais, nos locais de entretenimento? Acho ótimo se vocês começarem a se perguntar sobre isso", provoca Lázaro.

Sobre os ataques a Tais nas redes sociais, ele acredita que o assunto já foi suficientemente abordado e que o caso foi encaminhado para a instância mais adequada: a justiça. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

"Não vou permitir mais que os racistas roubem o meu tempo de entrevistas, por que é isso que eles querem. Que o título da matéria seja o racismo em vez de afeto. Não vou viver na demanda do racista, por isso não tenho mais nada a dizer sobre isso", conclui o ator.

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