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Peça de Plínio Marcos que aborda violência contra mulher volta ao palco

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/11/2015 07h00

O Brasil atual apareceu em cada ensaio da remontagem de "Navalha na Carne", peça escrita em 1967 por Plínio Marcos (1935-1999). Quando foram convidados pelo Sesi a montar a obra por conta dos 80 anos de nascimento do dramaturgo, os artistas do Oficina perceberam que a violência contra a mulher e o homossexual do texto era a mesma das ruas e dos noticiários de 2015.

Na encenação, Marcelo Drummond, que também a dirige, é o cafetão Vado. Este explora com crueldade uma prostituta e um homossexual: sua amante Neusa Sueli, papel de Sylvia Prado, e Veludo, interpretado por Tony Reis. "Esse texto de 1967 mostra o que está acontecendo hoje, o que é feito com os homossexuais e as mulheres, que sofrem muito desrespeito e humilhação na sociedade brasileira. Tudo isso ainda está muito visível e real, presente no nosso dia a dia", disse Tony Reis ao UOL.

Sylvia concorda com o colega. "O que é discutido na peça não é só a relação do cafetão, da prostituta e do homossexual, isso está espalhado em qualquer relação humana. O submundo se expandiu. Vejo essa violência no ônibus, no trânsito. 'Navalha na Carne' reflete a sociedade no palco". A atriz citou uma cena que presenciou na rua: "uma mulher e seus filhos saírem do carro para bater em um ciclista. A selvageria está completamente espalhada".

Ela ainda recorda a polêmica em torno da questão do Enem 2015 (Exame Nacional do Ensino Médio), que teve como tema da redação a violência contra a mulher. "É muito louco como as pessoas buscam justificativas para realizar um desejo pessoal de cometerem atos abusivos, valendo-se de qualquer ignorância". Drummond diz ser um otimista. "Não acho que os conservadores vão tomar completamente o poder. Vai ter reação a isso, porque é muita estupidez. Nem é questão de ser de esquerda ou direita, é questão de ser ignorante".

A relação do Oficina com Plínio Marcos é antiga: foi no próprio espaço do grupo que a peça foi lançada nos anos 60. Na direção da nova montagem, Drummond disse que preferiu não mexer no texto original. "Teve um crítico que disse que é antigo. Mas todo mundo monta Shakespeare, que tem 500 anos, e ninguém diz que é antigo. Aí vão falar que Plínio Marcos é antigo? Ele fala de coisas que continuam acontecendo. A puta, o veado e o cafetão são só uma escolha. Esse mundo está aí, na casa das pessoas. Só não vê quem não quer".

Sylvia Prado espera que o público "faça a ponte" entre o triângulo no palco com o Brasil de hoje. "É só espelhar. Penso na frase da Neusa: 'Se a gente é gente'. Ela bate em mim não só pelas atrocidades contra a mulher, o homossexual, mas contra o ser humano. Não querer permitir que outras possibilidades existam é de uma agressão enorme".

"Navalha na Carne"
Quando: Sábado, 21h e 23h, domingo, 20h; até 8 de novembro
Onde: Teat(r)o Oficina (rua Jaceguai, 520, Bixiga, São Paulo)
Quanto: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia-entrada) e R$ 5 (moradores do Bixiga com comprovante de residência)
Informações: (11) 3106-2818

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