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Alessandra Maestrini faz musical feminista e sonha com mulheres corajosas

Priscila Prade/Divulgação
14. set.2015 - A atriz Alessandra Maestrini em cena do musical "Yentl em Concerto" Imagem: Priscila Prade/Divulgação

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/10/2015 07h00

A época não poderia ser mais propícia à chegada do musical "Yentl em Concerto", com Alessandra Maestrini, a São Paulo. Após temporada no Rio, a obra cumpre temporada no Teatro Porto Seguro de 3 a 24 de novembro, sempre às terças, às 21h. A montagem conta a história de uma jovem judia que, no começo do século 20, não aceita ser colocada no "lugar das mulheres" e invade o até então "mundo dos homens", disfarçada de rapaz.

O empoderamento feminino é o principal mote do espetáculo. "'Yentl' é uma obra humanista e também, certamente, feminista. Fiz o que precisava para dizer o que preciso dizer", diz a atriz de 38 anos, nascida em Sorocaba, no interior de São Paulo. A peça é encenada poucos dias após uma polêmica se instalar no Brasil por conta do tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que abordou "a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira", usando trecho do livro "O Segundo Sexo", da filósofa existencialista Simone de Beauvoir (1908-1986), ícone do feminismo.

Alessandra, que ficou conhecida pelo papel de Bozena na série "Toma Lá Dá Cá", da Globo, conta que o desejo de montar a obra surgiu por ver repetidas violências de gênero serem naturalizadas na sociedade brasileira. Como artista, percebeu que era a hora de dizer algo no palco, utilizando a linguagem que domina, o musical. Ela enche o gênero, muitas vezes atrelado apenas ao entretenimento, de discurso sociopolítico potente. Por isso, não se preocupa com definições: "É musical, é concerto, é stand-up, é teatro, é show. É".

Priscila Prade/Divulgação
Alessandra no papel de jovem judia Imagem: Priscila Prade/Divulgação

"Família é amor"

Alessandra, que em 2014 falou abertamente sobre ser bissexual, diz que fica assustada quando vê o Congresso Nacional discutindo conceito de família. "Família é qualquer associação de seres cujo núcleo é o amor", ela defende. "Um governo que se acha no direito de instituir o que é o amor e que define o mais inclusivo dos sentimentos como algo excludente, ou de cercear a escolha de indivíduos de acordo com o gosto pessoal de terceiros, é um governo que exerce a seu comando a violência, o sectarismo e a imprudência contra seu povo. Não é um governo pai. É um governo sequestrador".

A atriz lembra que sua peça é baseada na obra "Yentl - The Yeshiva Boy", do escritor Isaac Bashevis Singer (1902-1991), levada ao cinema em 1983 com Barbra Streisand como protagonista. "Eu me encantei com o filme, as músicas de Michel Legrand são uma aula de destreza vocal tamanha que eu usava para me aprimorar antes dos shows e como estudo em casa. De repente me dei conta que tinha um repertório inteiro preparado".

Ela, então, decidiu fazer uma versão pocket, acompanhada apenas do pianista João Carlos Coutinho, "para chamar a atenção dos patrocinadores". "Mas o resultado intimista apaixonou a plateia, que me pediu para manter este formato", conta ela sobre o espetáculo, que tem 75 minutos.

Coragem feminina

A atriz não descarta, no futuro, montar a obra "com cenários, figurinos, elenco grande e orquestra", mas quer manter a essência do formato intimista, que lhe permite dar seu olhar para o texto e "lançar luz" sobre os temas que considera "os principais a serem tratados na obra". "Gênero, sexualidade, amor, liberdade, a importância do acesso ao conhecimento, o quanto somos únicos, o quanto somos unos e o amor e humor que nos permite que nos percebamos uns aos outros com mais compreensão e prazer".

Por isso, invoca a universalidade do texto. "Yentl é uma Malala, a menina do Paquistão que colocou a própria vida em risco para estudar, em nome do direito à própria identidade, à própria potencialidade e liberdade que só se atinge através do conhecimento: o direito a questionar".

Alessandra diz que sonha "em ver mais mulheres corajosas", como a personagem que interpreta, espalhadas por aí. "Toda mulher que tem cerceado seu direito a questionar, a se colocar e a ter voz está em situação que admite violência: física, verbal, mental, emocional, existencial. Exercer-se é essencial ao ser humano".

"Yentl em Concerto"
Quando: Terças-feiras, às 21h.
Onde: Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 470, Campos Elíseos, São Paulo)
Quanto: R$ 80 (plateia) e R$ 60 (balcão e frisas)
Informações: 11 3226-7300
Classificação etária: 12 anos

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