Livros e HQs

Svetlana Alexievich, da Bielorrússia, vence Prêmio Nobel de Literatura 2015

Do UOL, em São Paulo*

08/10/2015 08h02Atualizada em 13/10/2015 17h05

A escritora e jornalista Svetlana Alexievich, da Bielorrússia, venceu o prêmio Nobel de Literatura de 2015. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (8), em Estocolmo, às 8h (horário de Brasília). 

Além do título, a autora ganha também 8 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,7 milhões). A honraria será entregue no dia 10 de dezembro, em Estocolmo.

Neste ano, a Academia Real das Ciências da Suécia recebeu 259 propostas de nomes e a lista de finalistas contou com 198 indicados, sendo 36 estreantes.

A porta-voz da instituição, Sara Danius, disse que Alexijevich foi agraciada "por seus escritos polifônicos, um monumento ao sofrimento e coragem em nosso tempo". "Acabo de informá-la", afirmou Danius ao canal público sueco SVT. "Ela disse apenas uma palavra: Fantástico!".

À mesma emissora, a escritora acrescentou que se sentia orgulhosa de estar agora em uma lista de artistas à qual pertence alguém como Boris Pasternak, autor do célebre romance "Doutor Jivago", que na época foi impedido pelas autoridades soviéticas de receber o prêmio.

Perguntada sobre o que iria fazer com o dinheiro do prêmio, ela disse: "Farei apenas uma coisa: vou comprar a minha liberdade. Eu preciso de muito tempo para escrever meus livros, de cinco a dez anos. Tenho duas ideias para novos livros, por isso, estou contente que agora vou ter liberdade para trabalhar neles."

Svetlana Alexievich ainda não teve nenhuma de suas obras publicadas no Brasil.

A escritora de 67 anos, é a 14ª mulher a vencer o prêmio, sete delas nos últimos 25 anos. O escritor francês Patrick Modiano foi o vencedor de 2014 e a canadense Alice Munro foi agraciada com a honraria em 2013.

 

Escrita sobre a guerra

Filha de professores, Svetlana Alexievich nasceu na Ucrânia, mas cresceu na Bielorrússia. Entrou na Universidade de jornalismo de Minsk em 1967 e, depois de completar o curso, mudou-se para Beresa para trabalhar no jornal e escola locais.

Seus textos ficam entre a literatura e o jornalismo, unindo testemunhos individuais para se aproximar mais da complexidade dos acontecimentos. Ela usou este estilo em seu livro mais famoso, “Vozes de Chernobil”, com depoimento de mais 500 testemunhas da maior catástrofe nuclear da história. Em 1992, ela empreendeu investigação semelhante em “Zinky Boys”, quando deu voz aos soviéticos na Guerra do Afeganistão nos anos 1980.

A força feminina nos campos de batalhas ganhou destaque em "A Guerra Não Tem Rosto Feminino" (1983), livro-reportagem sobre as milhares de mulheres que serviram no Exército Vermelho durante a invasão da União Soviética pela Alemanha em 1941. Com a derrota do nazismo, elas foram saudadas como heroínas, embora sem o mesmo prestígio e lembrança dada aos homens.

Alexievich já recebeu outros prêmios internacionais, como o prêmio polonês Ryszard Kapuscinski para reportagem literária em 2011, Prémio Herder em 1999 e o Prémio da Paz dos Editores Alemães, em 2013. 

No entanto, não é só no Brasil que o trabalho da escritora é pouco conhecido. Apenas três livros ganharam edições em inglês e podem ser encontradas em edições importadas.

Muitos de seus compatriotas a leem, embora o regime autoritário do presidente Alexander Lukashenko impeça suas aparições públicas em Minsk, onde vive durante parte do ano.

Divulgação
Svetlana Alexievich vence Prêmio Nobel de Literatura em 2015 Imagem: Divulgação

Apostas

A jornalista bielorrussa era a favorita à honraria nas casas de apostas da Europa e Estados Unidos, na frente de candidatos frequentes ao Nobel, como o japonês Haruki Murakami e os americanos Philip Roth e Joyce Carol Oates.

Apesar do sigilo que aparentemente rodeia a Academia Sueca, os acertos das casas de apostas não são novos e nos últimos anos aconteceram vários casos de nomes que experimentam uma alta vertiginosa nas previsões nos dias ou horas prévias à concessão do prêmio.

Isso ocorreu em 2003 com o sul-africano John Maxwell Coetzee; em 2006, com o turco Orhan Pamuk; em 2008, com o francês Jean-Marie Le Clézio; e no ano seguinte, com a alemã Herta Müller.

Alexievich contava também este ano com um aval poderoso, o de Maria Schottenius, ex-chefe de Cultura do "Dagens Nyheter", o jornal mais prestigiado da Suécia.

Schottenius acertou o nome do vencer dois anos seguidos com Le Clézio e Müller, mas então negou ter recebido qualquer informação privilegiada e, de forma irônica, atribuiu seu furo à "bruxaria".

Vencedores do Nobel de Literatura dos últimos anos:

2014: Patrick Modiano (França)
2013: Alice Munro (Canadá)
2012: Mo Yan (China)
2011: Tomas Tranströmer (Suécia)
2010: Mario Vargas Llosa (Peru)
2009: Herta Müller (Romênia)
2008: Jean-Marie Gustave Le Clézio (França)
2007: Doris Lessing (Reino Unido)
2006: Orhan Pamuk (Turquia)
2005: Harold Pinter (Reino Unido)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
2003: John Coetzee (África do Sul)
2002: Imre Kertész (Hungria)
2001: V.S. Naipaul (Grã-Bretanha) 

* Com agências internacionais

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