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"Os robôs de Asimov somos nós", diz Eduardo Spohr em conversa na Bienal

Rodrigo Casarin/Colaboração para o UOL
Escritor Eduardo Spohr conversa com seus fãs no Auditório Madureira, espaço para 420 pessoas, na 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro Imagem: Rodrigo Casarin/Colaboração para o UOL

Rodrigo Casarin

Colaboração para o UOL, no Rio

06/09/2015 16h33

“Tenho certeza que o amor incondicional é a força mais poderosa que nos move”, afirmou o escritor Eduardo Spohr na conversa que teve há pouco com seus fãs que lotaram o Auditório Madureira, espaço para 420 pessoas na 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Na oportunidade, depois de se dizer sem religião, apoiava-se na principal mensagem do Deus cristão para dizer que era mais importante levar o que a divindade simbolizava do que ficar discutindo se ela realmente existia ou não.

Spohr é o autor de “A Batalha do Apocalipse” e da trilogia “Filhos do Éden”, que agora chega ao final - em outubro será lançado “Paraíso Perdido”, que encerra a saga. No início e no fim da conversa na Bienal, o ator e dublador Sérgio Cantú – que já deu voz a personagens como Sheldon Cooper, de “Big Bang Theory”, e Peter Parker, de “Homem Aranha” - leu partes do romance (veja um trecho abaixo).

A promessa do escritor é que a trilogia se encerre, mas caberá a cada leitor chegar à sua própria conclusão sobre diversos elementos da obra, prezando, dessa forma, pelo livre-arbítrio de cada um, algo muito falado ao longo do papo. “Já foi perguntado a vários teólogos por que Deus criou o diabo sendo ele onipresente e onipotente”, disse, respondendo a uma pergunta sobre Lúcifer em seu livro.

“A versão bíblica dele tomou essa decisão de ir contra Deus. Aquele filme do Jim Carrey, o 'Todo Poderoso', tem uma parte muito interessante: ele pede para que a mulher fique com ele, mas ela diz: 'não fico'. O personagem, então vai reclamar com Deus, que é o Morgan Freeman, mas ele responde que isso não pode alterar. Ou seja, mostra o poder que temos sobre nossa vida, apesar disso ser mínimo nesse mundo enorme”, continuou.

Em outro momento, Spohr recorreu a um autor clássico da ficção científica para passar mensagem semelhante, dessa vez, contudo, enquanto falava da importância dos personagens de qualquer obra espelharem seres humanos para que consigam criar empatia com o público. “Os robôs do [Isaac] Asimov não são robôs, somos nós. Somos nós nos rebelando contra a programação imposta, contra sermos apenas um número de CPF”.

“Não existe o 'não tenho tempo para escrever'”

Spohr também recordou do início de sua carreira – antes de ser publicado, chegou a vender 4 mil livros de forma independente – e do pequeno estande onde estava na Bienal de 2007, quando diz ter comercializado cem livros. “O que você quer vai ser possível, mas, além de trabalhar, vai ter que ter persistência”, falou a diversos escritores iniciantes que estavam na plateia.

“Todos que gostam de escrever são autores, não precisa ser publicado para isso. Sempre pensei dessa forma, mesmo antes de conseguir publicar, ganhar dinheiro, sempre escrevia nos meus tempos vagos, levava aquilo a sério. Não existe o 'não tenho tempo para escrever'”, continuou, falando da armadilha que é para quem almeja escrever um livro se apoiar em desculpas para não trabalhar em cima de seu projeto.

Depois de “Paraíso Perdido”, aliás, o próximo projeto de Spohr a ser lançado será o guia ilustrado de sua trilogia, programado para 2016. O autor ainda pensa em usar o nome “Filhos do Éden” para criar uma coleção de histórias ambientadas naquele mesmo universo, ainda que não sejam uma continuação da aventura que agora chega ao fim.

Trecho de “Paraíso Perdido”:
“O ogro de rosto queimado se distanciou, mais desapontado que ferido. O parceiro que ele chamava de Gren tomou as dores, deitou o bastão de lado, juntou os pulsos, trançou os dedos e golpeou em semicírculo. Kaira deu uma cambalhota por baixo de suas pernas, quando a fera girou nos calcanhares e a encarou, possessa. Focado unicamente em estraçalhar a celeste, o ser não percebeu uma quarta figura que entrava em cena, uma sombra que chegou ao combate saltando – e que com um murro o atingiu no nariz. O repugnante Gren caiu de costas, a cara amassada, os dentes rachados, as gengivas sangrando”.

 

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