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Filósofo diz que ouve sertanejo universitário para se aproximar de alunos

Bruno Poletti/Folhapress
17.jun.2015 - O educador e filósofo Mario Sergio Cortella em São Paulo Imagem: Bruno Poletti/Folhapress

Rodrigo Casarin

Colaboração para o UOL, no Rio

04/09/2015 20h11

Bastou o filósofo e educador Mario Sergio Cortella colocar os pés no palco do Auditório Madureira para ser aplaudido e ovacionado pela plateia de cerca de 420 pessoas (a lotação do local) na 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio. "A gente nem começou ainda e vocês já estão aplaudindo? Não é melhor esperar um pouco?", provocou.

O autor marcou presença no evento para falar de seu novo livro, "A Era da Curadoria", escrito em parceria com o jornalista Gilberto Dimenstein, e, principalmente, conversar sobre a educação nos dias de hoje --o papo faz parte da programação do 1º Fórum de Educação, que discute o trabalho pedagógico.

Ele disse que sua principal aposta na educação está na empatia com os aluno e, por isso, ouve diariamente músicas de artistas que importam aos estudantes, como sertanejo universitário, One Direction e Lady Gaga, da qual está "quase gostando", brinca. "É preciso parar de achar que o que as crianças e jovens gostam é bobagem e ter a humildade de entender aquilo para indicar novos caminhos, partir do cotidiano deles para se chegar em algum lugar", disse.

Anteriormente, o autor já tinha dito que é preciso despertar a atenção e levar o aluno a ter interesse por obras como "Amor de Salvação", de Camilo Castelo Branco, e não simplesmente impô-las.

As ideias de Cortella se concentraram principalmente na necessidade de se renovar a relação entre professores e educandos. "Nossos alunos são do século 21; nós, do século 20; e a educação, do século 19. Não é à toa que temos a grade curricular e a delegacia de ensino", disse.

Com muitas ideias apoiadas em conceitos de Paulo Freire, também filósofo e educador que foi seu orientador no doutorado e com quem trabalho ao longo de 17 anos, Cortella explicou que, diferente de antigamente, hoje a informação está à disposição de todos, então cabe ao educador fazer uma curadoria para que esses dados possam ser transformados em conhecimento. "O professor não tem mais que ser o transmissor do conteúdo, que agora está disponível a todos com a tecnologia, mas alguém que cuide, amplie, projete e indique caminhos aos alunos. É preciso cuidar do acervo do conhecimento".

O filósofo ainda cravou que "as crianças adoram a escola, só têm dificuldade com as aulas, basta ver a alegria da hora da entrada, do intervalo, mas que muda quando bate o sinal". Também disse que "o aluno só não vai embora da aula porque arquitetura do lugar é mesmo para evitar fugas".

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