Livros e HQs

Bienal do Rio: Argentinos têm muito a ensinar aos brasileiros, diz escritor

Rodrigo Casarin

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/09/2015 13h07

Entre esta quinta-feira (3) até o próximo dia 13 de setembro, o espaço de exposições Riocentro receberá a 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Neste ano o evento terá Maurício de Sousa, o pai da "Turma da Mônica", como autor homenageado e contará com mais de 200 autores --um recorde de convidados--, dentre eles 27 estrangeiros, como como David Nicholls ("Um Dia"), Jeff Kinney ("Diário de um Banana") e Anna Todd ("After")

Além disso, a Argentina será o país homenageado da vez e trará 14 nomes representando a sua literatura. Fazem parte da delegação hermana autores como Eduardo Sacheri, que escreveu "O Segredo Dos Seus Olhos", cuja adaptação para o cinema ganhou o oscar de melhor filme estrangeiro de 2010; Martín Kohan ("Segundos Fora"), Mariana Enríquez ("As Coisas que Perdemos no Fogo"), e o quadrinista Luciano Saracino, autor da graphic novel "Jim Morrison: O Rei Lagarto".

"A literatura argentina tem uma grande tradição na qual convivem diversos gêneros literários. A escolha dos autores se baseou especialmente pelo critério da pluralidade. Traremos nomes que representam todos os gêneros possíveis: o romance, o conto e a poesia, mas também a crítica literária, o roteiro e a história", explica Magdalena Faillace, embaixadora e diretora geral de assuntos culturais das relações exteriores da Argentina. "Também levamos em conta o gênero, por isso buscamos uma participação equilibrada entre homens e mulheres, além de procurarmos a maior diversidade etária possível, incluindo autores consagrados e jovens emergentes".

Segundo Magdalena, a participação da Argentina como homenageada da Bienal é uma consequência dos investimentos que o país vem fazendo na internacionalização de sua literatura, o que inclui o mercado brasileiro. Por meio do Programa Sur, 53 obras argentinas de 35 autores diferentes já foram publicadas por aqui através de 20 editoras --o mesmo programa já subsidiou em todo o mundo a tradução de 923 títulos de autores hermanos, vertidos para 40 idiomas diferentes e lançados em 44 países, em um aporte de mais de US$ 2 milhões.

Muito a ensinar aos brasileiros

Para o escritor Carlos Henrique Schroeder, autor de "As Fantasias Eletivas" e "História da Chuva", organizador do Festival do Conto e pesquisador do conto argentino contemporâneo, o momento da arte no país vizinho é ótimo. "Eles vêm se reinventando há décadas, tanto na prosa quando na poesia. E Buenos Aires continua sendo o polo literário da América Latina, sem sombra de dúvidas".

Ao seu ver, a seleção feita para a Bienal traz uma boa amostra do que vem sendo produzido atualmente no país. No entanto,  Schroeder destaca dois nomes da programação: Mempo Giardinelli ("Além de um grande escritor, faz um trabalho fabuloso na discussão sobre e na formação e leitores com a fundação que leva o seu nome. É também um grande defensor e divulgador do conto na Argentina") e Mariana Enríquez, que define como "excepcional escritora e jornalista", com contos "de arrepiar".

Schroeder

  • Os argentinos são menos chorões, aqui reclamamos de tudo. Juan José Saer passou anos sem ser notado pelos seus livros, mas continuou produzindo sem se queixar. Para ele, o trabalho era mais importante que o espaço

    Carlos Henrique Schroeder

Schroeder ainda explica que a literatura argentina atual é um belo exemplo de pluralidade, não tendo nenhuma corrente específica predominante. Alguns nomes podem continuar com a tradição dos escritos fantásticos, outros, no entanto, seguem por vertentes como o realismo e a metaliteratura. Acha também importante atentar para a formação dos escritores do país. "Eles leem muito, de tudo. E são menos chorões também, aqui reclamamos de tudo", diz, citando Juan José Saer como um exemplo de alguém que passou anos sem ser notado pelos seus livros, mas que continuou produzindo sua arte sem se queixar. "Para ele, o trabalho era mais importante que o espaço".

Falando sobre como nomes clássicos da literatura argentina, como Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Adolfo Bioy Casares, são vistos e influenciam as novas gerações, Schroeder faz um paralelo com o Brasil, onde, garante, sempre uma geração "quis matar a anterior", para apontar que no país vizinho "sempre souberam extrair um pouco melhor o que queriam das gerações anteriores, e sem um combate tão aberto. Não tinham medo de dizer que eram filhos ou netos de Borges, [Roberto] Arlt ou Cortázar". Indo além da pura análise, o autor de "Fantasias Eletivas" afirma que os brasileiros têm "muito o que aprender com o sistema literário deles. Não é à toa que o cinema deles vive uma grande fase, um país de grandes leitores gera grandes roteiristas e diretores".

A maior Bienal da história

Organizada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros e a Fagga/ Gl Events Exhibitions, a edição deste ano promete ser a maior da história da Bienal do Rio. O investimento na programação aumento 12% em relação ao evento de 2013 e o espaço ocupado no Riocentro aumentará de 55 mil m² para 80 mil m².

A programação completa --que, além dos autores estrangeiros, contará com escritores nacionais de destaque, como Laurentino Gomes, Raphael Draccon e Isabela Freitas-- se espalhará pelos estandes dos 950 selos e editoras que estarão presentes no evento e pelos espaços Café Literário, Cubovoxes, Conexão Jovem, Encontro com Autores e SarALL.

17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro
Quando: 3 a 13 de setembro
Onde: Riocentro (Avenida Salvador Allende, 6555, Barra da Tijuca)
Quanto: R$16 (inteira) e R$ 8 (meia)
Informações: http://www.bienaldolivro.com.br

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