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Paulo Coelho comemora recorde de 7 anos na lista de mais vendidos do "NYT"

Reprodução
Anúncio que será publicado pela editora HarperCollins para comemorar os sete anos de "O Alquimista" na lista de mais vendidos do jornal "The New York Times" Imagem: Reprodução

Rodrigo Casarin

Do UOL, em São Paulo

21/08/2015 11h09

Sete anos. Ou 364 semanas. É esse o tempo que a versão norte-americana de “O Alquimista” –um dos principais livros de Paulo Coelho, já traduzido para 67 línguas– completou no começo de agosto na lista de mais vendidos do jornal “The New York Times”, uma das mais importantes do mundo. Para comemorar a marca, a editora de Paulo por lá, a HarperCollins, preparou um anúncio que circulará na edição do dia 26 deste mês e que o autor já vem mostrando há algum tempo em suas redes sociais.

“A relevância do livro existe, ele vende bem sempre, em todos os lugares. Agora, não tenho a menor ideia do que o torna atemporal”, disse o mago, em entrevista concedida por telefone ao UOL –uma raridade, já que desde 2010 ele praticamente não fala com a imprensa.

“Em 1998 o [Bill] Clinton [então presidente norte-americano] foi fotografado lendo o livro, aí imaginei que estouraria de vender, mas não aconteceu nada. A Madonna, em uma entrevista para a revista 'Vanity Fair', disse que 'O Alquimista' era o livro de cabeceira dela, mas também não aconteceu nada. Veja, para esses dois o citarem, já devia ser uma obra lida, conhecida, mas não tinha atingido uma marca significativa para entrar na lista dos mais vendidos. De repente, há sete anos, não aconteceu nada de mais e o livro entrou na do 'The New York Times'. Então, atribuo isso às recomendações dos leitores, que é a razão do meu sucesso no mundo todo, aliás”, continua, sobre a obra lançada originalmente em 1988 e que chegou em 1994 nos Estados Unidos, onde já vendeu mais de 15 milhões de exemplares.

Paulo lembra que antes de “O Alquimista”, que agora já atingiu a marca de 366 semanas na lista, o máximo que alguns títulos tinham aparecido ininterruptamente na relação havia sido por pouco mais de 200 semanas. “Esse número é uma coisa única, que jamais vai se repetir, até porque a tendência é que o próprio jornal comece a mudar", acredita.

Paulo destaca que a marca é ainda mais surpreendente por ter sido alcançada por um autor de fora dos Estados Unidos, país onde a publicação de livros traduzidos não passa de 3% do total de lançamentos anuais. “O Umberto Eco, o [Haruki] Murakami, já apareceram na lista, mas eles entram e logo saem”, lembra.

Na relação desta semana de ficção, o autor está em terceiro lugar –é superado apenas por E.L. James, com “Grey” (da série "Cinquenta Tons"), e Andy Weir, com “The Martian"–, e é o único nome entre as dez primeiras colocações que não tem o inglês como língua materna.

Além disso, o próprio Paulo chama atenção para a diferença entre o tempo que “O Alquimista” e as outras obras estão na relação –depois de seu livro, o que está há mais tempo é “Dark Places”, de Gillian Flynn, com 92 semanas. “Há uma diferença brutal entre o meu número e o dos outros”.

No Brasil, “O Alquimista” também reapareceu nas listas dos mais vendidos, ocupando a 15ª colocação no ranking de julho do PublishNews.

Paulo Coelho

  • Laurent Gillieron/AP

    Atribuo isso às recomendações dos leitores, que é a razão do meu sucesso no mundo todo, aliás. Esse número é uma coisa única, que jamais vai se repetir, até porque a tendência é que o próprio jornal comece a mudar.

    Paulo Coelho, sobre os sete anos de "O Alquimista" na lista de mais vendidos do "New York Times"

Ermitão na Suíça

Com a marca, evidentemente que surgiu o convite para ir aos Estados Unidos festejar o acontecimento. Mas Paulo preferiu seguir a decisão de não participar mais de eventos, tomada em 2008. “Na época, eu disse: cansei, vou viver escrevendo e andando pelas montanhas”, recorda. “Comecei então a recusar todos os convites, sem exceção. Aceitava apenas ir ao Fórum Econômico Mundial e ao Festival de Cannes, que também já deixei de ir, porque gosto muito dos dois”.

O escritor conta que, com isso, editores do mundo inteiro passaram a achar que ele não prestigia os países, mas o mago refuta tal julgamento. “Não é isso que vende livro. O que vende é o livro ter qualidade e leitores”.

Sobre a vida que leva, diz que virou um ermitão. “Tudo o que preciso é de um bom livro, um bom filme e uma boa conexão de fibra ótica. O que mais gosto é de estar com minha mulher, andando na chuva, no sol nem tanto. O que faço é pegar o carro, ir para os lugares que nunca fui na vida e pronto”, conta ele, que vive na Suíça.

Pilar do mercado editorial

Falando do mercado editorial, Paulo coloca-se ao lado de J. K. Rowling, Haruki Murakami, John Grisham e Ken Follett para dizer que é um dos cinco escritores no mundo cujos resultados ajudam a impulsionar todo o resto do setor.

“Hoje em dia, é preciso autores que, bem ou mal, vendam”, afirma. São nomes com diversos títulos lançados, que vendem sempre e com uma obra formada por livros que voltam a apresentar números relevantes conforme novidades aparecem –sejam elas lançamentos ou destaques importantes, como o momento que o próprio Paulo vive com seu livro nos Estados Unidos.

É com o mercado, aliás, que o escritor revela uma desconfiança bastante atual: a tiragem de um milhão de exemplares de “Morri para Viver”, biografia de Andressa Urach recém-publicada pela Planeta. “Desconfio desse número, além dele não acrescentar nada ao livro em si”, posiciona-se Paulo. “'Go Set a Watchman', o livro novo da Harper Lee, saiu nos Estados Unidos com 800 mil exemplares, assim como 'Inferno', o último o Dan Brown”, argumenta o escritor que entende bem de números superlativos.

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