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Skank "suja" estética chique do Grupo Corpo nos 40 anos da companhia

Luna D'Alama

Do UOL, em São Paulo

12/08/2015 07h00

A música clássica e os ritmos populares que embalam a companhia mineira de dança contemporânea Grupo Corpo serão trocados por uma trilha rock and roll inédita assinada por Samuel Rosa, do Skank. A ideia da coreógrafa paulistana Cassi Abranches, que dançou na companhia por mais de uma década e agora estreia na nova função, foi dar uma "sujada" no padrão "clean e chique" dos bailarinos na temporada que comemora os 40 anos do grupo.

"Eu cresci ouvindo Skank, falamos praticamente a mesma língua. Claro que esse trabalho tem a estética do Corpo, mas também é experimental, tem uma energia de galera, com movimentos e atitudes rock and roll", resume a coreógrafa, fã de Beatles, U2 e Foo Fighters. O resultado dessa mistura será apresentado a partir desta quarta-feira (12) até dia 23 de agosto no Teatro Alfa, em São Paulo, e de 3 a 7 de setembro no Theatro Municipal do Rio.

O nome da dança, "Suíte Branca", remete a uma "tabula rasa": Cassi recebeu um palco em branco para começar sua nova trajetória e criar um espetáculo de 32 minutos a partir de uma trilha composta por Rosa e tocada pelo Skank. Em entrevista ao UOL, o líder da banda contou que o convite para a parceria com o Corpo surgiu no final de 2014 e que, na época, a coreografia ainda não tinha nome, mas o Skank fez sete unidades musicais chamadas de suítes. "O título é deles, mas acho que contribuímos. Para começar a trabalhar, não tivemos nenhum briefing ou balizamento, foi algo totalmente livre. A inspiração já estava dentro da gente, aí peguei a guitarra, lancei algumas ideias e exercitamos todo dia um pouco", lembra.

A banda --formada ainda por Henrique Portugal (teclado), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria)-- se empolgou tanto que, no final, precisou eliminar conteúdo. "A gente desconstruiu, retirou coisas, pois talvez tenhamos avançado um pouco demais, no sentido de ter muito instrumento, muita dinâmica o tempo inteiro. O Paulo [Pederneiras, diretor-geral e artístico do Grupo Corpo] falou: 'Tira o pé do acelerador um pouquinho, senão vai matar os bailarinos de cansaço'. Foi engraçado", revela o vocalista e guitarrista do Skank.

Dupla inédita

Na nova temporada será apresentada uma dupla inédita no palco, que estreou em Belo Horizonte no dia 5 de agosto. Além de "Suíte Branca", há "Dança Sinfônica", do coreógrafo Rodrigo Pederneiras --à frente de 34 das 38 montagens da companhia. No palco, ele faz revisões e homenagens aos 40 anos de história do grupo, com composições de Marco Antônio Guimarães interpretadas pelo Uakti e pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, ao longo de 42 minutos.

Para compor o cenário, foi montado um painel com fotos das pessoas que passaram pelo Corpo nesse período. "É um trabalho que mistura memória afetiva e física, ideias engavetadas e atuais. Também faço um tributo a quem esteve aqui, mas sem nostalgia", revela o coreógrafo de 60 anos.

Os 21 bailarinos que apresentam o espetáculo vêm ensaiando desde maio, de segunda a sexta, por quatro horas e meia diárias, além de uma hora de balé clássico. No final de setembro, o Grupo Corpo segue para Lyon, na França, onde dança as coreografias "Triz" (de 2013) e "Parabelo" (1997) na Maison de La Dance, na qual a companhia mineira foi residente entre 1996 e 1999.

Com um gingado bem brasileiro, que transita entre os bailados populares, o samba e a capoeira, o Grupo Corpo foi criado em 1975, em Belo Horizonte, por seis irmãos da família Pederneiras. No ano seguinte, a companhia lançou seu primeiro espetáculo, "Maria Maria", embalado pela música homônima de Milton Nascimento e coreografado pelo argentino Oscar Araiz. A dança teve uma recepção tão boa do público e da crítica que ficou seis anos em cartaz e rodou 14 países.

"Hoje as portas se abrem mais facilmente, conquistamos muita credibilidade e damos uma ênfase maior às pessoas, ao indivíduo", destaca Rodrigo, que já percorreu com o grupo as Américas, Europa, Ásia, Oriente Médio e Oceania.

Grupo Corpo
"Suíte Branca" e "Dança Sinfônica"

Duração: 32 minutos ("Suíte Branca") e 42 minutos ("Dança Sinfônica"), com intervalo entre as duas peças
Classificação: Livre

São Paulo
Quando: de 12 a 16 de agosto e de 19 a 23 de agosto
Horários: Quarta e quinta, às 21h; sexta, às 21h30; sábado, às 20h; e domingo, às 18h
Onde: Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 - Santo Amaro)
Quanto: de R$ 25 (meia no setor) a R$ 130 (inteira nos setores 1 e 2)
Vendas: Na bilheteria do teatro e pelo site Ingresso Rápido (SP)

Rio de Janeiro
Quando: de 3 a 7 de setembro, no Rio
Horários: Quinta a sábado, às 20h, domingo e segunda, às 17h
Onde: Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano, s/n - Centro)
Quanto: R$ 30 (meia na galeria/galeria lateral) a R$ 120 (inteira em setores como plateia e balcão nobre)
Vendas: Na bilheteria do teatro e pelo site Ingresso.com (Rio)

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