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Após se apaixonar pelo balé, jovem perde 38 kg e hoje é professora de dança

Luna D'Alama

Do UOL, em Joinville (SC)

30/07/2015 07h00

O excesso de peso acompanhava a brasiliense Luciana Soares da Costa, 28 anos, desde o início da adolescência, e, apesar dos apelidos maldosos que recebia na escola, ela aceitava bem seu corpo. Há cinco anos, porém, a jovem, que tinha então 104 kg e 1,66 m de altura, se viu no meio de uma aula de balé para adultos após aceitar o convite de uma amiga bailarina. Hoje, com 38 kg a menos, ela ensina crianças a dançar e participa do Festival de Dança de Joinville, em Santa Cantarina, onde realiza cursos para aperfeiçoar o seu balé e ainda está aprendendo tango.  

“Eu sentia muitas dores nos pés, isso porque só ficava em meia ponta, e crises de labirintite ao girar. Mas algo me bateu ali, e entendi que emagrecer, nesse caso, seria um meio para alcançar o meu novo objetivo, que era dançar”, diz Luciana, relembrando o seu primeiro dia na aula de balé.

Formada em ciências biológicas, Luciana destaca que a vontade de perder peso precisa partir da própria pessoa e que é necessário ter um propósito que vá além de ser simplesmente magra ou agradar aos outros. “A dança virou a minha paixão, me fez querer mudar. Eu achava antes que balé era algo para fazer desde criança ou coisa para mulher muito feminina, fresca, e eu não sou assim. Mas há uma força imensa na dançarina que é mascarada pela delicadeza. Experimente levantar a perna a 90 graus, você treme inteira de tanta força! E a minha força como mulher estava ali”, avalia.

Luciana Soares da Costa

  • Arquivo pessoal

    Escutei muitas coisas ruins, de gente falando que eu ia engordar de novo porque tomei remédio, que ia ficar doente. Mas fiz um esforço surreal para perder peso

    Luciana Soares da Costa, bailarina


O processo de emagrecimento de Luciana começou no fim de 2013, com uma dieta rigorosa, aulas diárias de balé e medicamentos prescritos por um endocrinologista. Em dois meses, foram embora 20 kg e, após um ano, mais 18 kg. “Outra coisa que a dança clássica me ensinou foi a ter disciplina, que acabou se expandindo para toda a minha rotina. Meu médico ficou impressionado, pois perdi apenas gordura. Meus músculos ficaram intactos e ainda ganhei 5 kg de massa magra”, conta Luciana, que chegou a pesar 67 kg e atualmente está com 70 kg.

Os exames de sangue também melhoraram –ela saiu de um nível pré-diabetes para glicose normal, e os nutrientes que faltavam foram balanceados– e o manequim 46 baixou para o 38. “Ainda estou me adaptando a uma vida de tamanho P em vez do G. Já não tomo mais medicação, cozinho sempre e carrego comida o tempo todo”, revela Luciana, que dança três horas por dia, de segunda a sábado, e desde setembro de 2014 também dá aulas de balé para crianças e adolescentes em Brasília.

“Eu já era professora infantil de inglês, mas ensinar os pequenos a dançar é um desafio. Esse é um dos motivos por que vim para o Festival de Dança de Joinville pela primeira vez este ano, para aprender e poder ensinar os princípios da dança de forma mais didática”, explica Luciana, que desde o dia 20 de julho está na cidade catarinense para quatro cursos –três de balé e um de tango. “Essa é uma oportunidade para eu me profissionalizar e ter contato com dançarinos conhecidos. Estou investindo na minha carreira e procurando informações sobre bolsas: quero estudar balé na Rússia”, afirma.

Luciana Soares da Costa

  • Arquivo pessoal

    Cresci tendo que ser forte, independente, não tive tempo para me entender ou resolver como mulher. A dança me ajudou nisso, e começar já adulta foi a melhor coisa que fiz, pois estou lá por mim, e não para me apresentar para alguém. É um momento só meu, de cuidar do corpo e aliviar a mente e a tensão

    Luciana Soares da Costa, bailarina


Toda essa mudança inspirou também a mãe de Luciana a procurar uma nutricionista e perder 6 kg. “Acabei alterando um pouco a rotina alimentar da minha casa. E não tenho nenhum bailarino na família, sou a primeira”, diz a dançarina, que sabe que nunca será magrela –“uma professora me chamava de panicat do balé”–, mas é feliz assim. “Escutei muitas coisas ruins, de gente falando que eu ia engordar de novo porque tomei remédio, que ia ficar doente. Mas fiz um esforço surreal para perder peso”, conta.

Além disso, Luciana conseguiu trabalhar seu lado feminino na ponta dos pés. “Cresci tendo que ser forte, independente, não tive tempo para me entender ou resolver como mulher. A dança me ajudou nisso, e começar já adulta foi a melhor coisa que fiz, pois estou lá por mim, e não para me apresentar para alguém. É um momento só meu, de cuidar do corpo e aliviar a mente e a tensão. Danço com um grupo de mulheres que estão lá não para ser as primeiras bailarinas do Bolshoi, mas para fazer bonito”, analisa.

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