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China devolve passaporte a artista dissidente Ai Weiwei após 4 anos

Reprodução/Instagram/aiww
O artista Ai Weiwei mostra seu passaporte, devolvido pelo governo chinês Imagem: Reprodução/Instagram/aiww

Do UOL, em São Paulo*

22/07/2015 12h02

O artista dissidente chinês e defensor da liberdade de expressão Ai Weiwei disse nesta quarta-feira (22) que as autoridades de Pequim devolveram seu passaporte, mais de quatro anos depois de tê-lo confiscado durante os 81 dias em que ficou preso em local secreto.

Weiwei, de 58 anos, disse à Reuters por telefone que a polícia encarregada do controle de entrada e saída no país, que emite passaportes para os cidadãos chineses, o chamou nesta quarta-feira de manhã para devolver o documento.

A surpreendente decisão ocorre num momento de aprofundamento da repressão sobre a sociedade civil na China. Com o passaporte, ele agora poderá ver uma retrospectiva de sua obra no Royal Academy of Art, de Londres, em setembro. Com sua presença na exposição o país evita manchetes negativas indesejadas sobre a China na Inglaterra um mês antes de o presidente Xi Jinping visitar o país.

Weiwei disse que está legalmente autorizado a viajar para fora da China, mas isso vai depender de outros países emitirem o visto. "Eu não estou surpreso porque, na realidade, por muitos anos eles disseram que iriam me devolver o passaporte", disse o artista. "Eles nunca disseram que nunca iriam entregá-lo, mas isso se arrasta há quatro anos."

O Ministério da Segurança Pública, encarregado do setor de passaportes, não respondeu a um pedido para comentar o assunto.

Em 2011, Weiwei foi detido sem qualquer acusação e mantido na maior parte do tempo em confinamento solitário, o que provocou protestos internacionais. Um tribunal mais tarde aplicou a ele uma multa de US$ 2,4 milhões por evasão fiscal.

O artista de renome mundial diz que as acusações de evasão fiscal foram forjadas em represália por suas críticas ao governo. Em novembro de 2013, ele começou a protestar contra sua proibição de viajar, colocando flores na cesta de uma bicicleta diante de sua casa e estúdio de Pequim. No Twitter, ele disse que iria fazer isso todos os dias até que "recuperasse o direito de viajar livremente". Nesta quarta-feira, ele disse que foram 600 dias.

Brasil

Em 2013, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o artista comentou a repressão que estava sofrendo e revelou seu interesse pela cultura brasileira. "Nunca tive a chance de visitar o Brasil, mas é uma terra que exerce grande fascínio em mim. Sempre ligo o país a cores vivas, à linda música e a uma vida feliz", afirmou, à época. "Se eu um dia devolverem o meu passaporte, adoraria ter a chance de visitar o Brasil. O futebol não está na nossa cultura, mas é um tipo de expressão para alguns povos, que realmente mostra sua personalidade, sua paixão, sua energia. Eu realmente admiro e às vezes assisto". Talvez agora Weiwei decida vir ao país.

* Com informações da Reuters

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