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Conheça os cosmakers, gente que ganha a vida fazendo trajes para cosplayers

Luna D'Alama

Do UOL, em São Paulo

18/07/2015 07h00

Após costurar um traje de cosplay para uma das filhas e ver o resultado premiado em um concurso de fantasias, a sergipana Glaucia Souza Santos, 45 anos, resolveu deixar para trás a loja de artesanato em Aracaju e investir em um novo negócio. “A roupa que fiz para ela foi da personagem Chii da série ‘Chobits’. Eu já gostava de trabalhos manuais e de pintura. Com o sucesso que [a fantasia] fez, comecei a vender cosplays na minha cidade, depois abri uma página no Facebook, um site, e hoje tenho clientes no Brasil inteiro e ainda exporto para Dinamarca, França, Argentina e Itália”, conta Glaucia, que está no ramo de cosmaker (profissional que confecciona roupas de personagens) há seis anos.

Na última década, segundo Glaucia, o número de eventos dedicados a desenhos japoneses, mangás, quadrinhos, games e filmes de super-heróis tem crescido muito, o que impulsionou também a profissionalização dos cosmakers. Aos poucos, os trajes toscos e mal acabados vão dando lugar a roupas impecáveis e hiper-realistas, feitas sob medida e com material de alta qualidade –além de vendidas a preços astronômicos.

“No ano passado, vendemos um Buzz Lightyear [astronauta da animação ‘Toy Story’, da Pixar] para um grupo de teatro do Rio por R$ 5.900. E já fiz orçamentos de até R$ 10 mil, de personagens dos ‘Cavaleiros do Zodíaco’ e do ‘League of Legends’, que têm armaduras gigantes e, por isso, mais caras”, revela Glaucia, que atualmente coordena seis funcionários na empresa Sakura Cosmaker.

Glaucia Souza Santos

  • Divulgação

    Primeiro, eu estudo os personagens, conheço bem o caráter deles, aí escolho todos os tecidos e, quando não encontro algo aqui, trago de fora. Um bom cosmaker precisa de um olhar artístico, saber pintar, ter um pouco de escultor, costureiro e artesão, além de gostar de desafios

    Glaucia Souza Santos, cosmaker

Cada encomenda leva de uma semana até cinco meses para ficar pronta, dependendo da complexidade, do nível de detalhamento e da quantidade de acessórios. O material, então, é enviado aos clientes por avião ou correio. As medidas de tórax, cintura e quadril são informadas via internet, e Glaucia também pede fotos de corpo inteiro das pessoas para ter uma noção melhor do tipo físico delas. “Os clientes pagam caro, mas são muito exigentes, tudo tem que ficar perfeito. A maioria não quer saber de preço, mas de realismo e qualidade”, avalia a cosmaker, que atende gente de 14 a 60 anos.

E o trabalho dela e da equipe começa bem antes de ligar as máquinas do ateliê. “Primeiro, eu estudo os personagens, conheço bem o caráter deles, aí escolho todos os tecidos e, quando não encontro algo aqui, trago de fora. Um bom cosmaker precisa de um olhar artístico, saber pintar, ter um pouco de escultor, costureiro e artesão, além de gostar de desafios”, resume Glaucia, que gostaria que os eventos de cultura japonesa não tão fechados em grupos de fãs e entendidos do assunto.

Cosmaker de si mesmo

Foi pela falta de opções no mercado que a paulistana de ascendência italiana Aline Giangarelli, 28 anos, decidiu investir na profissão de cosmaker, em 2013. Desde a adolescência, ela já se vestia de cosplay em eventos, e quem confeccionava suas roupas era uma tia costureira. “Acabei aprendendo com ela, e primeiro foquei em pequenos acessórios, como luvas e cintos. Comecei bem amadora mesmo, inicialmente era só para mim. Mas aí fiz um curso de especialização, porque os clientes prezam muito pelos detalhes e pelo conhecimento sobre o universo dos personagens. Até a cor de um botão importa”, destaca Aline, que vende seus trajes via internet por uma faixa de preços entre R$ 120 e R$ 600.

A maioria dos cosmakers que ela conhece também é cosplay, ou seja, entende a fundo dos personagens, muito além do que se pode ver numa foto. “Hoje eu vivo disso, faço roupas em uma semana até 60 dias, dependendo da agenda. Quando há eventos [como Comic-Con, Anime Friends e Brasil Game Show], a lista de espera aumenta”, conta Aline. Segundo ela, 60% dos pedidos que recebe são para trajes de heróis do game “League of Legends”, como Soraka, Lulu, Ashe e Malzahar. “Logo atrás, estão encomendas dos animes ‘Naruto’ e ‘One Piece’”, comenta.

Aline Giangarelli

  • Divulgação

    Na hora de comprar um traje, a maioria prefere sob medida. Já acessórios como lentes de contato coloridas e perucas, a galera acaba importando da China

    Aline Giangarelli, cosmaker

Para a Comic-Con deste ano, que terminou no dia 12 em San Diego, na Califórnia (EUA), Aline fez uma roupa de Homem-Aranha, uma de Mulher Maravilha e outra de Elektra. “Na hora de comprar um traje, a maioria prefere sob medida. Já acessórios como lentes de contato coloridas e perucas, a galera acaba importando da China”, diz.

Mas há também quem foque seus serviços justamente nos acessórios, como é o caso da cosplay e cosmaker paulistana Layze Michelle Fausto, 21 anos, que se especializou na estilização de perucas e na fabricação de máscaras, colares, cartas e pedras em resina. “Tenho esse hobby desde os 17 anos. Desenho os personagens de todos os ângulos, depois vou escrevendo os detalhes”, afirma Layze, que faz roupas apenas para si mesma – o que vende para clientes são os acessórios.

Do computador para os moldes

Outros profissionais não dedicam tempo integral aos trajes de cosplays. O técnico em informática carioca Thiago Moreira, 32 anos, por exemplo, é cosmaker nas horas vagas desde 2000. “Meu interesse inicial foi fazer meus próprios itens. Hoje trabalho com vários tipos de maquinário industrial e, às vezes, recebo ajuda de amigos e aprendizes”, revela.

A maioria dos pedidos que Thiago atende são de armaduras e espadas. Atualmente, ele está trabalhando em sua encomenda mais cara: a armadura dourada da deusa grega Atena, da série “Os Cavaleiros do Zodíaco”, cujo preço não é divulgado. “Os valores que cobro são, no mínimo, 100% em cima do que gasto com materiais”, diz o técnico/cosmaker, que leva entre um e três meses para entregar os itens, em qualquer lugar do Brasil.

“Para ser bom nisso, é preciso ter dedicação, gostar de criar, seguir fielmente as referências dadas pelos clientes e terminar tudo no prazo. As mudanças que ocorrem hoje na área são principalmente tecnológicas e de novas opções de matérias-primas”, analisa Thiago.

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