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Virada tem mais polícia na rua, mas furtos persistem em locais movimentados

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo

21/06/2015 06h55

A Virada Cultural de 2015 começou no final da tarde do sábado (21) com pouco público na maioria dos palcos da região central e muito policiamento, com bases móveis da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e da Polícia Militar em todos os shows. Em alguns deles, a presença de policiais chegou em alguns momentos ser maior que a plateia.

Por outro lado, os locais de grande concentração de pessoas, como o palco Julio Prestes, que recebeu Daniela Mercury, Lenine e Fábio Jr., repetiram problemas das edições passadas da Virada como furtos e consumo de drogas.
 
Especialmente após as 22h, quando o público começou a aumentar, foi possível identificar patrulhas de ambas as corporações realizando rondas com motocicletas e viaturas nos trajetos entre os palcos, justamente onde os assaltos se concentraram na edição do ano passado.
 
A PM vai divulgar um balanço das ocorrências policiais somente após o término do evento. No entanto, após a reportagem do UOL caminhar por todos os palcos principais entre o começo da noite de sábado e parte da madrugada do domingo, a impressão que ficou foi a de um evento mais tranquilo na comparação com as edições anteriores.
 
No eixo entre a Praça da República e a Praça da Sé, passando pelo Anhangabaú e a Praça do Patriarca, o público não foi muito expressivo e a sensação geral era de tranquilidade, com idosos e muitas crianças, na companhia dos pais, aproveitando as atrações sem sobressaltos.

Nesta edição alguns palcos da Virada foram instalados na periferia para diminuir o fluxo no centro. O que você achou?

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Na República, cujo palco reuniu artistas da música caipira, além do cantor e compositor pernambucano Alceu Valença, que se apresentou durante a madrugada, o que se viu foi um verdadeiro arraial, com muitas famílias e crianças aproveitando a música e as comidas típicas das barracas, especialmente antes da meia-noite.
 
Na Sé, o clima era parecido, mas em ritmo de samba. Ali, especialmente, moradores de rua que costumam dormir na praça lá permaneceram, convivendo sem maiores conflitos com o restante do público. Lá, foi possível ver até um grupo de religiosos de mãos dadas orando enquanto o samba rolava solto. Tudo sob a vigilância de uma grande quantidade de PMs e GCMs. A PM não divulgou qual seria o seu efetivo na Virada, distribuído em 54 bases móveis, enquanto a GCM anunciou que levou mais de 2 mil agentes ao evento.
 
“Neste ano a segurança está melhor. Notei mais policiais nas ruas na comparação com o ano passado. Não vi nenhuma confusão. Além disso, o público do samba é mais família mesmo”, avaliou o vendedor Eduardo Pereira durante as apresentações na Sé.
 
Percepção semelhante teve o casal Arnaldo Menezes, gerente pedagógico, e Ana Galvão, técnica em segurança recém chegada de Belém, no Pará. Os dois curtiam um forró ao lado da Praça da República.
 
“Acho que o público neste ano está mais fraco. Dependendo do palco, tenho a impressão que há mais policiais que plateia. Passamos pela Sé, pelo Anhangabaú e chegamos à República  e vimos polícia por todos os lados”, contou Menezes. Apesar disso, ele e a namorada não se descuidaram. “Trouxemos só o essencial. Pouco dinheiro, documento com foto e só um celular. O dela ficou em casa”, completou o gerente pedagógico.

Reinaldo Canato/UOL
Polícia Militar realiza abordagens próximo ao palco Julio Prestes durante a madrugada na Virada Cultural de São Paulo Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Maconha consumida livremente

Como em edições anteriores, a Virada Cultural deste ano também teve “palcos” improvisados por artistas de rua e coletivos que nada tinham a ver com a organização do evento, mas disputavam a atenção de quem passava. No Anhangabaú, por volta de 20h, descendo a escadaria ao lado do Theatro Municipal, um grupo de cerca de 300 pessoas fazia a sua “festa” própria, com direito a shows de bandas e DJ e muita maconha sendo consumida livremente. “Estamos ocupando um espaço público”, explicou um dos organizadores do “evento paralelo”, sob responsabilidade do coletivo Laboratório Compartilhado TM13.
 
Era um público maior que o do show que acontecia simultaneamente no palco principal do Anhangabaú, embaixo do Viaduto do Chá, com o cantor e compositor de soul music Carlos Dafé – a cerca de 50 m dali e com a presença de uma base móvel da PM.
 
Durante a noite e a madrugada, a Virada bombou mesmo no Palco Júlio Prestes, que reúne as principais atrações do evento e terá o show de encerramento, a partir das 18h deste domingo, com Caetano Veloso.
 
Se nos demais palcos o público estava um tanto “miado”,  a história foi bem diferente ali e nos arredores da Praça da Luz, bem perto da Cracolândia. Se palcos como o da Avenida São João, dedicado à Jovem Guarda, estavam praticamente vazios perto da meia-noite, por volta de 1h a Praça Júlio Prestes estava tomada por uma multidão defronte ao palco onde se apresentava Lenine e depois Fábio Jr. cantaria.

Com tanta gente, os relatos de problemas foram inevitáveis. Um grupo de jovens disse que quase foi furtado. “Estávamos no meio da multidão e alguém tentou colocar a mão no meu bolso, mas não levou nada”, contou o estudante Lucas Souza, ao lado dos colegas Laura Condé, Marcos Calegari e Lia Maradei. “A maioria veio aqui para curtir, como nós, e não para roubar. É um evento gratuito, para todos”, avaliou Calegari.
 
Ali perto, a reportagem  viu integrantes da Tropa de Choque da PM revistando suspeitos a poucos metros do show de Lenine na Júlio Prestes. O advogado Paulo Curi disse ter visto um jovem ter o celular furtado. “Assim que flagrei o crime, avisei um PM e ele disse que ia chamar reforços”, relatou.
 
Apesar dos incidentes, uma policial militar questionada disse que a situação estava “relativamente tranquila”.

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