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Fábio Porchat e outros atores se desdobram com várias peças ao mesmo tempo

Luna D'Alama

Do UOL, em São Paulo

09/05/2015 11h32

Tudo é muito cronometrado, cada minuto conta. Para os atores que fazem mais de uma peça ao mesmo tempo, os intervalos são curtos, os textos são longos e ainda é preciso lidar com o assédio do público entre uma troca de roupa e outra. O humorista Fábio Porchat é o melhor exemplo dessa maratona: em um ritmo aceleradíssimo, ele entra em cartaz na capital paulista toda sexta-feira, às 21h, com a comédia “Meu Passado Me Condena”, atende os fãs, emenda seu stand-up “Fora do Normal”, às 23h, tira mais fotos e ainda vai jantar e fazer reuniões de negócios com o amigo e assessor Rick Almeida lá pela 1h da manhã.

“O teatro [Shopping Frei Caneca] tinha proposto de fazer meia-noite a última sessão, mas às 23h é melhor, porque eu já estou no pique”, dispara o ator, que, para dar conta de todos os compromissos da agenda, dorme só 5 horas por noite.

Por incrível que pareça, é aos finais de semana, quando Porchat sobe ao palco seis vezes (três com cada espetáculo), que ele descansa. “Aqui não tenho mil afazeres, vou menos de um lado para o outro. Faço aula de inglês, escrevo, encontro a Rosana [Hermann, com quem discute um programa de viagens para a internet e outros projetos], dou entrevistas, vou a jogo de futebol [é vascaíno, mas viu a final do Paulista no estádio do Palmeiras]”, enumerou Porchat em entrevista ao UOL, mostrando o seu lado “light”, que para a maioria dos mortais já é uma corrida de 100 metros ao estilo Usain Bolt.

É difícil acompanhar o passo e até a fala do humorista. Se você olhar para o lado por um segundo, certamente perderá alguma coisa. “O ritmo de stand-up é esse, quero que o público venha atrás de mim, é acelerado mesmo. Às vezes, eu vejo as pessoas rindo e elas nem sabe mais do quê, é muito divertido", destaca.

Para preservar a voz de tanto falatório, Porchat faz nebulização antes de cada espetáculo e evita a vida boêmia. “Não saio quase nunca, é raríssimo. Bar ou balada, só se for o aniversário do meu melhor amigo”, revela, aos risos. E para decorar tanto texto? “Tenho muita facilidade, bato o olho três vezes e já gravo na cabeça. Penso sempre na lógica daquilo, o que quer dizer, e entendo o que uma fala gera para outra. Todo o texto do ‘Meu Passado’ eu decorei em cinco dias”, completa, para espanto geral. “Se você me pedir agora: ‘Começa aquela piada do Japão’ [da peça 'Fora do Normal'], eu já sei."

Fábio Porchat

  • Junior Lago/UOL

    Tenho muita facilidade, bato o olho três vezes e já gravo na cabeça. (...) Todo o texto do 'Meu Passado' eu decorei em cinco dias

    Fábio Porchat, ator e humorista

Se ele já esqueceu falas ou trocou as bolas, Porchat diz que, certa vez, quase soltou o texto de um espetáculo em outro, mas conseguiu escapar. A sorte é que seu stand-up já está em cartaz há seis anos – com praticamente o mesmo roteiro – e "Meu Passado" estreou há nove meses, ou seja, os dois já estão praticamente no automático.

A primeira peça da noite é uma comédia inspirada na série do Multishow e no filme homônimos, só que desta vez com a dupla recém-casada Fábio e Miá na noite de núpcias, e não mais na lua de mel. E a segunda apresentação de Porchat é seu show de humor solo já tradicional, que inclui situações vividas por ele em viagens, aviões, banho marroquino, banheiro japonês e com a Net. “Fui para todos esses lugares, Marrocos, Egito, Japão; minha ex-mulher me mandou fazer o pé; a Net me enlouqueceu por muito tempo. Ainda tenho conta lá em casa, é por isso que eles não me processam, pois sou cliente”, diz.

Apesar da excelente memória, o humorista já viveu seu “dia da marmota” no palco. “O que houve [de confusão], faz mais de um mês, foi que eu fiz a mesma piada duas vezes no ‘Fora do Normal’. Falei o texto, segui em frente, e aí o começo de outra piada era muito parecido com essa primeira. Era ‘Uma amiga minha me disse que…’. Aí, na minha mente, eu voltei na piada anterior e fui até o final. Mas fui falando e percebendo que a plateia ficou muda, mas não era que eles não riram, foi um outro olhar. Quando terminei, o público não reagiu, porque ficou sem entender. E aí foi que eu percebi, mas voltei rápido para o texto”, lembra.

Não contente em dominar suas falas nas duas peças, Porchat ainda sabe de cor todas as entradas de Miá Mello, sua parceira em “Meu Passado Me Condena”. “Eu esqueço muito o texto, o Fábio me salva todas as vezes”, conta ela. E nos imprevistos, ele ainda improvisa: “Tem uma fala minha que é: ‘Quem mora aqui em cima é o meu ex-namorado’. Mas eu errei e disse: ‘Quem mora aqui em cima é o meu ex-marido. Aí ele olhou para mim e falou: ‘Ué, você já foi casada ou errou o texto mesmo?’ Eu não conseguia parar de rir, todo mundo caiu na gargalhada, a peça parou. Ele é muito rápido”, elogia Miá.

Já houve, ainda, problemas de saúde em cima do palco, mas a dupla se virou nos 30 para ir até o fim. “Esses dias tive uma enxaqueca muito forte, passei mal, quase morri. Mas a gente não sai de cena nunca, durante uma hora. Pensei em vomitar, abri uma caixa e achei que ia ser ali mesmo. Só que tinha um casaco dentro, e eu o usaria no fim, ia ser uma confusão. Aí me segurei, respirei fundo e continuei o texto, com uma tesoura na mão. Nessa hora, o Fábio sempre pergunta: “O que que foi?” Mas, dessa vez, a pergunta dele foi a mesma, só que em outro tom, do tipo: “Está tudo bem?” Ele foi dizendo o texto e falando comigo ao mesmo tempo. Eu estava verde, tremendo, e ele depois contou que tinha percebido algo estranho desde o começo. Aí ele fez tudo mais devagar, porque eu baixei o nível de energia, e ele foi junto”, recorda Miá, que na comédia de Tati Bernardi, com direção de Inez Viana, vive uma noiva neurótica ao lado de um noivo nervoso (além de infantil, hipocondríaco e viciado em promoções).

“É que não faz sentido ela estar mal [em cena] e eu bem, ou vice-versa. Ainda mais que é uma peça de casal, tem que torcer para os dois. O negócio é o time jogar bem”, avalia Porchat, que em outra ocasião travou as costas nos dois últimos minutos de "Meu Passado". “Ele ficou um tempão deitado no chão durante o intervalo. Eu queria ter feito a segunda peça por ele”, revela a atriz.

Fábio Porchat 2

  • Junior Lago/UOL

    O que houve [de confusão], faz mais de um mês, foi que eu fiz a mesma piada duas vezes no 'Fora do Normal'. Falei o texto, segui em frente, e aí o começo de outra piada era muito parecido com essa primeira. Era 'Uma amiga minha me disse que...' Aí, na minha mente, eu voltei na piada anterior e fui até o final

    Fábio Porchat, ator e humorista

Interação com o público

Os dois espetáculos de Porchat demandam muito a participação do público, que é bem diversificado (adultos de 30 a 50 anos, casais, caravanas de idosas, adolescentes) e tem praticamente enchido o teatro de 600 lugares. Ao final de cada apresentação, o ator – junto com Miá, da primeira vez – cumprimenta um por um na longa fila que se forma na saída da sala, e tira fotos com os fãs. Após as sessões de "Meu Passado Me Condena", cerca de 50 espectadores ficam sabendo que Porchat continua seu show e decidem ficar para o segundo tempo. Para atrair o público, a produção ainda oferece 50% de desconto para quem quiser conferir a segunda peça, no mesmo dia ou em outra ocasião (e também na ordem inversa). E o marketing continua: antes das peças, também é exibido o trailer do filme “Entre Abelhas”, há distribuição de ingressos do longa e propaganda dos vídeos e dos produtos licenciados do Porta dos Fundos.

“Ao fim de cada apresentação, a gente ainda faz um improviso e pergunta quem é de fora de São Paulo. Muita gente é, tem casal de Santos, pessoal do Ceará, de Rondônia”, destaca Porchat. Nas sessões que o UOL acompanhou, havia pessoas de Aracaju, Belém, Manaus, Natal, Fortaleza, Salvador, Cuiabá, Juína (MT), Lambari (MG), Canaã dos Carajás (PA), Criciúma (SC) e da zona leste de São Paulo – que, segundo o humorista, “é mais longe que Belém”. Porchat também vai até onde o público está: naquela semana, no fim de abril, ele havia viajado para Roraima, Manaus, Rio – onde mora –, e estava se programando para lançar “Entre Abelhas” em Belo Horizonte, Brasília e Salvador. “Também já rodei quase todas as capitais com o ‘Fora do Normal’, só falta Macapá”, comemora.

Nas cadeiras do Frei Caneca, também estavam sentadas a mãe do ator, Isabella Robinson, e uma paratleta que ele patrocina, chamada Érica, vinda de Alagoas. “Minha mãe já viu ‘Meu Passado’ três vezes e o ‘Fora do Normal’, inúmeras. Ela sempre ri, se diverte”, conta o humorista, que é muito ligado à família. O pai dele, Fabio Porchat de Assis, que vive em São Paulo e trabalha com artes e exposições, também marcou presença no teatro no dia que o UOL acompanhou as sessões.

Sobre a reação do público, mesmo que muita gente já tenha visto o stand-up de Porchat na Netflix e ele seja quase igual ao vivo, todos riem muito. “Eu falo brincando que ninguém vai ver Romeu e Julieta pela segunda vez e pensar: ‘Será que desta vez o Romeu vai sobreviver?’” Mas ao vivo é mais legal, e as pessoas vêm para assistir ao que já conhecem, trazem alguém e dizem: ‘Você precisa ver a piada da Net’. Se eu não faço, elas ficam bravas. ‘Pô, trouxe todo mundo e você não fez!’”, afirma.

Em janeiro de 2016, Porchat deve ir para o Rio com “Meu Passado” e, no começo de 2017, quer rodar o país por um ano com o espetáculo, ao lado de Miá. “Minha vida está programada até o fim do ano que vem, e em 2017 já tenho os finais de semana comprometidos. É meio assustador, fica difícil ter vida pessoal, mas eu me divirto e misturo as duas coisas. Tanto que eu estava namorando [até fevereiro] a figurinista do Porta dos Fundos [Juliana Videla]. É difícil acompanhar, ou eu levo a tiracolo, ou…”, analisa.

Fábio Porchat 3

  • Junior Lago/UOL

    Já ouvi que todo mundo é gay, até o [Antônio] Fagundes. Enquanto for só isso, 'Será que ele é gay ou não?', não tem problema. O problema é quando falarem sobre desvio de caráter, se você rouba

    Fábio Porchat, ator e humorista

Outros projetos

Além das duas peças em cartaz e de lançar o filme "Entre Abelhas" – uma ideia que Porchat tinha na cabeça há quase uma década –, ele grava atualmente o programa de viagens “Porta Afora” para a internet, ainda sem data de estreia; participa de programas de auditório (como “Altas Horas” e “Esquenta”, na Globo, e “The Noite”, no SBT); escreve para o Caderno 2 do Estadão aos domingos, desde 2013; está totalmente envolvido com o Porta dos Fundos, inclusive com um longa do grupo previsto para ser rodado em junho e lançado no fim do ano; vai estrear “Meu Passado Me Condena 2” nos cinemas em 2 de julho (seu “presente de aniversário”, pois o ator faz 32 anos no dia 1º); está com planos para um programa só seu (já conversou com SBT e Record sobre o assunto) e ainda interage muito nas redes sociais.

“Não sou tão conectado assim, mas me divirto no Facebook, com as postagens do Sensacionalista. Minha página no Face é comandada pela minha mãe, ela fala com os fãs. Já tenho quase 5,5 milhões de likes; se não me engano, essa é a página de ator brasileiro com o maior número de curtidas”, aponta.

Sobre os planos para o futuro, Porchat diz que ainda quer fazer um musical, apesar de não cantar bem, porque ama o gênero. “Eu queria ser o gênio do Aladim. Mas tem outra peça que já está toda na minha cabeça, um monólogo de personagens, mas não sei dizer para quando, talvez para o segundo semestre do ano que vem”, adianta, sem dar mais detalhes.

O humorista – que perdeu 17 kg de gordura (11 kg de peso, mas ganhou massa muscular) com o quadro “Medida Certa”, do Fantástico, e hoje se esforça para controlar o “pensamento de gordo” e não passar dos 86 kg – também já levou suas duas peças e a turma do Porta dos Fundos para shows em Portugal, em 2013 e 2014. “Em Lisboa, cheguei a fazer um show para 6 mil pessoas numa arena de touros. Fui para o Porto também, a recepção do público foi sensacional, eles amaram. Fiz exatamente igual aqui, só falei um pouco mais devagar”, conta.

Sobre o retorno do público em geral, Porchat diz que algumas pessoas são mais agressivas, mas consegue entendê-las. “O cara está ali te vendo pela primeira vez e acha que é a última, precisa aproveitar aquele momento. E com comediante o público se sente muito o teu amigão, quer abraçar, pegar”, relata. “Só uma coisa que me incomoda é que a galera descobre o meu telefone e fica me ligando, adicionando em grupo do WhatsApp. Aí mudo de número ou não respondo, porque não conheço, mas elas ficam bravas. Falam: ‘Seu escroto, seu babaca. Eu não sabia que era assim que você tratava os fãs’. A pessoa invade o meu celular, me manda mensagens e reage assim”, afirma, indignado.

Em relação aos comentários que surgem pelo fato de Porchat interpretar muito bem seus personagens gays, ele diz fazer graça com tudo. “Já ouvi que todo mundo é gay, até o [Antônio] Fagundes. Enquanto for só isso, 'Será que ele é gay ou não?', não tem problema. O problema é quando falarem sobre desvio de caráter, se você rouba”, rebate. “Homofobia, infelizmente, é uma realidade. É uma pena a religião atrapalhar tanto essa luta, o debate”, completa o ator.

Com três filmes previstos para este ano, Porchat acredita que o mais importante de tudo é contar boas histórias e estar envolvido em projetos de qualidade. “O que eu quero é que as pessoas me relacionem a coisas boas. Que um dia alguém fale: ‘Vou ver esse filme do Fábio’. ‘Sobre o que é?’ ‘Não sei, mas deve ser bom.’ Não precisa ser engraçado, apenas bom. E fico feliz que as pessoas me olhem e já queiram rir, melhor que querer chorar, né?"

Clarice Niskier

  • Dalton Valério

    Tecnicamente, nunca tive problemas [de fazer as duas ao mesmo tempo]. Mas é no mesmo palco; quando olho para cima na 'Alma', vejo o abajur da 'Lista'. Se eu descuidar, fico um pouco triste [durante 'A Alma'], porque vou lembrando de coisas da outra peça, da própria memória afetiva

    Clarice Niskier, atriz

Mais ‘maratonistas’ dos palcos

Não é só Porchat que se desdobra para fazer mais de uma peça ao mesmo tempo. Na capital paulista, atualmente, vivem situação parecida a atriz carioca Clarice Niskier, o ator paulistano Nilton Bicudo e o ator e diretor paranaense Elias Andreato.

Clarice, 55 anos, está em cartaz com dois monólogos no Teatro Eva Herz, no Conjunto Nacional: “A Alma Imoral”, que estreou no Rio há nove anos, e “A Lista”, em cartaz desde novembro de 2014. A atriz faz seis sessões por semana, três de cada peça (“A Alma Imoral”, quartas, às 21h, e quintas, às 18h e 21h; e “A Lista”, sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 19h).

“Tecnicamente, nunca tive problemas [de fazer as duas ao mesmo tempo]. Mas é no mesmo palco; quando olho para cima na ‘Alma’, vejo o abajur da ‘Lista’. Se eu descuidar, também fico um pouco triste [durante 'A Alma'], porque vou lembrando de coisas da outra peça, da própria memória afetiva. A nossa mente funciona o tempo inteiro, não para enquanto estou falando o texto", diz. “No começo, durante o ensaio da 'Lista’, fiquei bem confusa, atrapalhada. As duas peças são uma entrega total, tenho que me concentrar muito”, acrescenta a atriz, que conta com o apoio do marido na produção e na compreensão de toda essa correria.

“Ainda estudo bastante o [segundo] texto, experimento coisas novas, improviso. Fico com ‘A Lista’ até o fim de maio; em 2016 ela vai para o Rio, e ‘A Alma’ faço até o fim de junho, mas essa pode prorrogar. Depois preciso descansar, ficar com a minha família”, ressalta Clarice, que em breve ainda pretende adaptar outro texto da autora canadense Jennifer Tremblay (a mesma de “A Lista”), escrever um roteiro sobre o artista italiano Modigliani, dirigir a atriz Ivana Iza na peça “A Velha” e acertar com Elias Andreato um projeto para ser dirigida por ele em um espetáculo chamado “Diva”.

Além de Clarice, entre janeiro e fevereiro, por quatro sábados seguidos, o ator Nilton Bicudo, 49 anos, também encenou dois espetáculos ao mesmo tempo: o monólogo “Myrna Sou Eu”, às 18h, no Eva Herz, e a comédia “A Graça do Fim”, às 20h30, no Centro Cultural Fiesp, ambos na Avenida Paulista. “Eu tinha 45 minutos para tudo [entre uma peça e outra], para trocar o figurino, tirar a peruca, o esmalte vermelho das unhas, a maquiagem de mulher – e colocar a de velho –, ir ao banheiro, comer algo para zerar a glicose, fumar, me deslocar e me concentrar no próximo personagem, na energia dele”, enumera o ator, que precisava passar rapidamente do papel de conselheira sentimental de Nelson Rodrigues para um velho à beira da morte no último texto do dramaturgo Fauzi Arap.

Nilton Bicudo

  • João Caldas

    Eu tinha 45 minutos para tudo [entre uma peça e outra], para trocar o figurino, tirar a peruca, o esmalte vermelho das unhas, a maquiagem de mulher -- e colocar a de velho --, ir ao banheiro, comer algo para zerar a glicose, fumar, me deslocar e me concentrar no próximo personagem, na energia dele

    Nilton Bicudo, ator

“Eu já estava em cartaz com a ‘Myrna’ há dois anos, quando pintou ‘A Graça do Fim’ [atualmente no Eva Herz, no mesmo dia e horário de ‘Myrna’]. O monólogo é mais fácil de fazer, embora seja fisicamente desgastante segurar tudo sozinho por mais de uma hora. Mas conto só comigo, fico mais concentrado, é só você e o público. Ao contracenar [com Cleiton Santos], tem a equalização dos dois, é um jogo mais delicado, mais elaborado e trabalhoso”, compara. “E não tem como confundir os personagens ou os textos, porque são completamente diferentes, a emoção é outra, o foco psicológico”, explica Bicudo, que já chegou a fazer três peças ao mesmo tempo, em 2007, e atualmente ainda grava a novela “Cúmplices de um Resgate”, adaptação de um folhetim mexicano feita por Íris Abravanel para o SBT, com previsão de estreia para junho.

Depois dessas maratonas, o ator revela que tinha um “dia de Bibi Ferreira”. “Dois dias antes e no seguinte, eu ficava quietinho em casa descansando, acordava tarde, falava pouco para não gastar energia, comia de forma regrada”, afirma Bicudo, que fica em cartaz com “A Graça do Fim” pelo menos até junho e, em agosto, deve viajar por 13 cidades do interior paulista com “Myrna Sou Eu” – que ainda deve estrear no Rio no início de 2016 e, depois de dois meses, voltar para São Paulo.

Em suas duas peças, Bicudo é dirigido pelo paranaense Elias Andreato, outro recordista de produtividade na capital paulista. Atualmente, o ator e diretor está em cartaz no Teatro Faap ao lado de Marília Gabriela, com a comédia adaptada da Broadway "Vanya e Sonia e Masha e Spike", dirigida por Jorge Takla. Além de atuar e de dirigir "A Graça do Fim" e “Myrna Sou Eu”, Andreato comanda as peças "A Língua em Pedaços", que estreia no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) neste sábado (9), e "Meu Deus", com Dan Stulbach e Irene Ravache, além de "Florilégio Musical II – Nas Ondas do Rádio", que acabou de sair de cartaz.

Para dar conta de tanta coisa ao mesmo tempo, o ator e diretor diz que o segredo é acordar cedo. "Faço só teatro, me dedico muito, saio de um ensaio e vou para o outro", revela Andreato.

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