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Produtora de musical, Whoopi virou "atriz bem paga" com "Mudança de Hábito"

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Whoopi Goldberg fala sobre o musical "Mudança de Hábito", do qual é co-produtora, durante entrevista em Nova York Imagem: Divulgação

Mayra Dias Gomes

Do UOL, em Nova York (EUA)

04/03/2015 06h01

Aos 59 anos, Whoopi Goldberg fez história. Foi a primeira mulher a apresentar o Oscar sem a ajuda de um co-apresentador, e a segunda mulher negra a ser premiada como atriz (coadjuvante, por "Ghost"). Hoje, já fez cerca de sessenta filmes e pertence à elite de artistas que venceram um Oscar, um Grammy, um Tony e um Emmy.

Parte deste sucesso se deve a um filme em especial: "Mudança de Hábito" (1992), a comédia em que a atriz interpretou Deloris, uma cantora disco que se refugia em um convento enquanto aguarda para ser testemunha no julgamento de um assassinato. Transformado em musical, o espetáculo chega a São Paulo nesta quinta-feira (5) com co-produção de Whoopi, músicas originais e um elenco brasileiro, com Karin Hills no papel de Deloris.

“Foi somente um dos filmes bons que eu fiz", conta ao UOL a atriz, que antes de "Mudança de Hábito" já havia feito filmes importantes como “A Cor Púrpura” (de 1985, com qual foi indicada ao Oscar de melhor atriz), e “Ghost” (pelo qual foi premiada). Mas acredita-se que foi com a comédia sobre freiras cantantes que ela atingiu o status de superstar em Hollywood.

Whoopi parece não concordar. "As coisas não mudaram muito [depois do filme], eu só passei a ganhar mais dinheiro. Hollywood era diferente na época, e ser uma atriz era diferente de ser um ator. Com aquele papel, me tornei uma atriz bem paga. Hoje posso dizer que tive uma carreira incrível. Fiz cerca de sessenta filmes e só me sinto mal sobre um deles", diz ela, sem revelar qual.

Musical

Sobre o musical, que estreou em 2009 em Londres antes de chegar aos Estados Unidos e começar a correr o mundo, Whoopi diz que gostaria de poder acompanhá-lo no Brasil.

"O musical já foi visto por cinco milhões de pessoas em onze países. Eu adoraria ir para a estreia no Brasil, mas tenho dois trabalhos [o programa “The View” e a nova série de TV, “Delores e Jermaine”]. Fui há trinta anos e não lembro de muita coisa. Ouço falar que as coisas mudaram para o melhor, o que me deixa muito feliz. Estou ansiosa para ver o Brasil com novos olhos. O musical vai rodar o mundo todo. É uma oportunidade que temos de dar continuidade à história. Mais pessoas assistem a uma peça de teatro do que a um filme, pois o teatro dura para sempre”, acredita.

Sobre a possibilidade de fazer a terceira parte do filme, que chegou a ganhar continuação em 1993, “Mudança de Hábito 2: Mais Loucuras no Convento”, Whoopi afirma que está fora de cogitação. “Muitas das freiras do filme já morreram, pois já eram muito mais velhas naquela época. Uma pessoa talentosa  como a Mary Wickes, que trabalhou com Bette Davis e Lucille Ball, não está mais entre nós, por exemplo, e eu não acho que é correto fazer uma imitação dela. Caso houvesse continuação, eu teria que estar mais velha, morando em algum lugar em Las Vegas, e um novo grupo de freiras teria que precisar de mim.”

Atores negros

Whoopi --que exige que todas as atrizes que interpretam Deloris sejam negras—"roubou" o papel de Bette Midler em “Mudança de Hábito”, e comenta que ainda é difícil os atores negros serem considerados para "qualquer papel", como aconteceu recentemente com o ator Norm Lewis, que se tornou o primeiro homem negro a interpretar o papel do Fantasma da Ópera na Broadway.

“Eu acho que ninguém nunca havia pensado que o Fantasma podia ser um homem negro. O ator Michael Crawford, que fez o Fantasma originalmente, tinha uma voz boa, mas fez aulas de canto e a voz dele se tornou o monstro que tinha que se tornar para cantar aquele material difícil. Encontrar uma voz espetacular demora muito, e a voz do Norm é espetacular. Estou feliz por ele. As pessoas costumam demorar para perceber que nós atores somos basicamente atores, e que podemos fazer qualquer papel, independentemente de ter sido escrito para um negro ou um branco", afirma.

Ainda assim, a atriz diz que ela mesma não quer ser um exemplo para ninguém. “É perigoso. As pessoas esperam que você não seja humana, e eu sou tão terrivelmente humana que estou sempre errando. É importante decidir o que você quer fazer da vida e lutar. Não ter medo de lutar. Muitas meninas são levadas a acreditar que não sabem o que querem, e na verdade, elas sabem", acredita.

Whoopi

  • Joel Ryan/AP Photo

    Muitas das freiras do filme já morreram, pois já eram muito mais velhas naquela época. Uma pessoa talentosa como a Mary Wickes, que trabalhou com Bette Davis e Lucille Ball, não está mais entre nós, por exemplo, e eu não acho que é correto fazer uma imitação dela. Caso houvesse continuação, eu teria que estar mais velha, morando em algum lugar em Las Vegas, e um novo grupo de freiras teria que precisar de mim.

    Whoopi Goldberg, descartando a possibilidade de um "Mudança de Hábito 3"

Oscar

A atriz conversou com o UOL no dia seguinte ao Oscar, premiação que ela já apresentou quatro vezes (atrás apenas de Bob Hope, Billy Crystal, e Johnny Carson), mas cuja última edição não assistiu --pois estava ocupada, trabalhando.

Ainda assim, o assunto foi inevitável, já que uma das polêmicas que envolveu a premiação deste ano foi a ausência de atores negros entre os indicados. Questionada, Whoopi lembra que "12 Anos de Escravidão" foi o vencedor do Oscar de melhor filme em 2014.

“Então, há mesmo um problema?", rebate. “'Selma' não foi um filme tão bom assim, e em '12 Anos de Escravidão' não havia uma única performance ruim. Se as pessoas querem falar sobre diversidade, que falem sobre tudo. Sobre a falta de atores asiáticos e indígenas também. Qual foi a última vez que vimos um elenco japonês no Oscar? Em alguns dias, as pessoas vão se esquecer desse falatório. Elas precisam ter algo sobre o que falar, caso contrário vão falar sobre o quê? A premiação?”, ironiza. 

E se Whoopi Goldberg fosse médium como a Oda Mae Brown de "Ghost" e pudesse ouvir o espírito de uma única pessoa e fazer uma pergunta? “Seria minha mãe [Emma Harris, que morreu em agosto de 2010]. A única coisa que eu perguntaria é se ela acha que estou indo bem. Eu acredito que estou no caminho certo, mas antes podia perguntar para ela, e agora não posso mais".

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