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"Suas obras agora nos servem de conforto", diz filho de Tomie Ohtake

Sérgio Kraselis

Do UOL, em São Paulo

13/02/2015 09h35Atualizada em 13/02/2015 16h00

Para Ricardo Ohtake, filho de Tomie Ohtake e presidente do instituto que leva o nome da mãe, as obras deixadas pela artista plástica servem hoje como um apoio. "Ela criou uma série de coisas pelo Brasil e isso é algo que nos conforta agora. O trabalho que ela fez, principalmente em São Paulo, faz com que a gente se lembre dela de uma forma positiva". Ele conversou com a reportagem do UOL Entretenimento na ocasião do velório de Tomie, que acontece nesta sexta-feira (13), em São Paulo. A artista plástica nipo-brasileira tinha 101 anos e morreu nesta quinta-feira (12) por complicações decorrentes de uma parada cardíaca.

Irmão de Ricardo, Ruy Ohtake falou sobre a democratização do trabalho de sua mãe. "Ela sempre gostou que suas obras fossem apreciadas pela população, dizia que a arte era do povo e da cidade. Ela é a artista com mais obras públicas no Brasil". 

Tomie estava internada no hospital Sírio Libanês desde o dia 2 de fevereiro. Ela receberia alta no dia 10, mas engasgou com um gole de café, teve bronco-aspiração e, em seguida, parada cardíaca. O velório, aberto ao público, acontece nesta sexta-feira (13) até as 14h, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Posteriormente, a cerimônia de cremação acontece restrita à familia.

Outros nomes ligados ao universo cultural brasileiro também passaram pelo instituto nesta manhã. Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc - Serviço Social do Comércio, afirmou que "além da grande obra, o conteúdo artístico-humano dessa mulher é muito importante, já que uniu as tradições e culturas oriental e ocidental". A artista plástica Carmela Gross, que conviveu com Tomie por mais 50 anos, define a amiga como "uma mulher extremamente crítica, que se coloca em uma posição de alta voltagem emocional interna e sobriedade espetacular externa".

Representando o ministro da Cultura Juca Ferreira, Guilherme Varella, chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, afirmou: "Foi uma perda muito grande para o Brasil e para as artes". Geraldo Alckmin, governador do Estado, definiu Tomie como "uma japonesa de alma brasileira e coração paulista".

Ana de Hollanda, ex-ministra da Cultura, declarou também que a escultora nipo-brasileira "adotou o Brasil para viver e criar seus filhos, sem perder a orientalidade de sua arte".  "Foi uma artista imprescindível. Reconheço em sua obra, principalmente nas esculturas, traços muito brasileiros. Nas curvas, por exemplo, vejo um pouco de Oscar Niemeyer. Nas cores, a arte popular", afirmou, por e-mail, ao UOL.

Trajetória da artista

Conhecida pelo abstracionismo informal, pelo cromatismo vivaz e por suas esculturas públicas em grandes dimensões, a artista participou de oito edições da Bienal de São Paulo e pintou até o final da vida.  Deixa dois filhos - o arquiteto Ruy Ohtake e o administrador cultural Ricardo Ohtake, que estavam em sua presença quando ela morreu - além de um prestigiado instituto de arte contemporânea que leva seu nome.

Tomie tornou-se amplamente conhecida pelas esculturas públicas em grandes dimensões, _são cerca de 30, espalhadas pelas principais cidades brasileiras. Em São Paulo, destacam-se os grandes painéis que fez para a Estação Consolação do Metrô, o Monumento à Imigração Japonesa na avenida 23 de Maio e as esculturas em diferentes pontos da Cidade Universitária.

De sua autoria também estão o painel em tapeçaria de 800 m² localizado no auditório Simón Bolívar do Memorial da América Latina. Este painel, que foi parcialmente destruído em um incêndio em 2013, estava sendo restaurado pela artista.

Nascida em Kioto, no Japão, Tomie foi educada para ser dona de casa. Em 1936, viajou ao Brasil para visitar um irmão, mas acabou se casando com o engenheiro agrônomo Ushio Ohtake (morto em 1977) e se estabelecendo no bairro paulistano da Mooca.  Foi apenas aos 39 anos, com os filhos já crescidos, que começou a pintar, montando e desmontando seu cavalete em um espaço diminuto da sala de jantar.

Em 1953, integrou o Grupo Seibi, formado pelos artistas de origem nipônica Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, Flavio Shiró e Tadashi Kaminagai, mas seu trabalho só viria se a tornar conhecido a partir dos anos 1960.

Neste período, naturalizou-se brasileira e afirmou-se como artista devido a seu estudo das relações entre forma e cor que marcaria toda sua carreira, passeando entre formas ovais, quadradas, retangulares e cruciformes.

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