Filmes e séries

Atriz e cantora Odete Lara morre aos 85 anos, no Rio de Janeiro

Do UOL, em São Paulo

04/02/2015 12h49Atualizada em 05/02/2015 10h46

Morreu na manhã desta quarta-feira (4), aos 85 anos, a atriz e cantora Odete Lara, um dos nomes mais representativos do cinema brasileiro dos anos 1960 e 1970.

A informação foi confirmada ao UOL pela produtora Letícia Fontoura, amiga da atriz e casada com Antônio Carlos da Fontoura, ex-marido de Odete. Segundo Letícia, a atriz sofreu um infarto por volta das 7h15 em uma clínica onde estava internada, no Rio de Janeiro.

Conhecida por filmes como “Bonitinha, mas Ordinária” (1963), de J.P. Carvalho, "Rainha Diaba" (1974), de Antônio Carlos Fontoura, e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969), de Glauber Rocha, Odete Lara estava afastada do cinema e da TV desde 1994, quando participou da novela "Pátria Minha", da TV Globo.

"Ela foi indo. Estava saindo do ar"

Ainda segundo Letícia Fontoura, há alguns anos, a artista sofreu uma queda em casa que resultou na fratura do fêmur. Depois disso, sua saúde foi ficando debilitada. Porém, nunca foi diagnosticada com nenhuma doença grave, como mal de Alzheimer. "Ela foi indo. Estava saindo do ar", diz Letícia.

A produtora conta que sua amizade com Odete teve início há dez anos, quando a atriz foi vítima de uma forte depressão. Nesse período, elas se tornaram muito próximas. "Eu passei a cuidar dela", diz Letícia. Ela conta que, em seus últimos anos, Odete morou sozinha e recebia cuidados de duas pessoas, que se revezavam.  "E os amigos também cuidavam dela", completa.

O velório aconteceu das 16h30 às 19h30 desta quarta, no Parque Lage, na zona sul do Rio. Na quinta, o corpo da artista será levado para Nova Friburgo, onde será cremado.

Desbravadora, Odete foi diva da música e do cinema

Nascida em São Paulo, e de origem italiana, Odete Lara passou a infância em um orfanato de freiras, após a morte dos pais. Seu primeiro emprego foi como secretária e datilógrafa, mas a beleza estonteante a levou a fazer um curso de modelo, vindo a participar do primeiro desfile da história da moda brasileira.

O trabalhou abriu portas na TV Tupi, de Assis Chateubriand, onde começou como garota-propaganda. Em seguida, participou da versão televisiva do folhetim “Luz de Gás”, com Tônia Carrero e Paulo Autran.

Embora tenha atuado em muitas telenovelas na época, como “A Volta de Beto Rockfeller” e “Em Busca da Felicidade”, Odete dedicou grande parte de sua vida ao teatro e ao cinema. Nos palcos, atuou em peças como “Liberdade, Liberdade”, de Millôr Fernandes e Flávio Rangel, e “Se Correr o Bicho Pega, se Ficar o Bicho Come”, de Ferreira Gullar e Vianinha.

Seu primeiro filme foi “O Gato de Madame”, com Mazzaropi. Seguiu a carreira no cinema se arriscando em diversos gêneros e atuações: entre as chanchadas “Absolutamente Certo” (1957) e “Dona Xepa” (1959), o argentino “Sábado a la Noche” (1960), o drama de Nelson Rodrigues “Bonitinha, mas Ordinária” (1963), o Cinema Novo de “Copacabana me Engana” (1968), o experimental “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969), de Gláuber Rocha, o musical “Quando o Carnaval Chegar” (1972), de Cacá Diegues, a comédia "Vai Trabalhar, Vagabundo!" (1973), de Hugo Carvana, e o erótico “O Princípio do Prazer” (1979) – seu último trabalho antes de abandonar a carreira.

Considerada a Brigitte Bardot brasileira, Odete também se aventurou na música. Ela cantou ao lado de Vinicius de Moraes e Baden Powell no álbum “Vinicius e Odete”, de 1963, e em canções como “Só por Amor", "Seja feliz", "Samba em Prelúdio", "Labareda", "É Hoje Só", "Deve ser Amor" e "Além do amor".

Cenas quentes com Norma Bengell

Um dos maiores destaques na tela grande foi “Noite Vazia” (1964), de Walter Hugo Khouri, quando protagonizou, com Norma Bengell – outra diva do cinema –, cenas de lesbianismo consideradas ousadas na época. Na trama, ela vive uma prostituta em busca de prazeres diferentes.

Cansada da vida no Rio de Janeiro, Odete Lara se casou com o dramaturgo Euclydes Marinho, 21 anos mais novo – se tornando uma das primeiras mulheres públicas a assumir um relacionamento com uma grande diferença de idade. Com Marinho, se mudou para Nova Friburgo, com a vontade de viver em uma região rural. Nos anos 90, no entanto, voltou a fazer novelas, com participação em “O Dono do Mundo” (1991) e “Pátria Minha” (1994).

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