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Comic Con Experience mostra a força do mercado nerd no Brasil

Guilherme Solari

Do UOL, em São Paulo

07/12/2014 19h36

O fã brasileiro de quadrinhos e cultura pop é um bicho escaldado com relação às feiras do segmento. A Comic Con Experience surpreendeu nesse sentido, trazendo a São Paulo o gostinho das feiras internacionais.

Segundo a assessoria de imprensa do evento, eram esperadas em torno de 20 mil visitantes por dia para a Comic Con. Esse foi o público médio dos dias 4 e 5, mas, no sábado (6), o número chegou a 25 mil. O público final do domingo (7) ainda não foi contabilizado, mas a organização estima a visitação em 30 mil pessoas.

As vendas de produtos também foram acima do esperado. Henrique Esmeralda, da Iron Comics, era só sorrisos quando perguntado sobre as vendas dos action figures de edição exclusiva da Comic Con. "Esgotou praticamente tudo o que trouxemos no começo do domingo. As vendas foram muito além da expectativa", disse.

Daniel Lameira, publisher da editora Aleph, também disse que tiveram vendas além do esperado. "Achávamos o evento arriscado. Nossa projeção era de pagar o stand, e já passamos essa marca". A editora trouxe ao Brasil o escritor Timothy Zhan, conhecido por suas obras do universo expandido de "Star Wars" e responsável por longas filas para autógrafos em todos os dias da feira.

Muitos quadrinistas do Artist's Alley também se disseram surpreendidos com as vendas de suas HQs. Alguns chegaram a esgotar no primeiro dia seus exemplares e precisaram sair correndo para trazer mais para os outros dias.

O público consultado pelo UOL disse que ficou muito contente com a variedade de atrações dentro do evento, mas criticaram a grande fila na entrada, que fez com que os visitantes ficassem horas esperando no sol forte, especialmente no sábado e no domingo.

O UOL fez uma avaliação dos principais pontos positivos e negativos dessa edição da Comic Con. Veja abaixo.

O BOM

Organização e bons stands - O mais importante em uma feira de cultura pop são as atrações, e nesse quesito a Comic Con Experience fez bonito. A feira foi um verdadeiro "playground nerd", com crianças se empolgando com cosplays e action figures, além de crianças barbadas de trinta e tantos anos, repletas de sacolas e não menos empolgadas com cosplays e action figures. Houve também uma boa variedade de atrações, de competições de eSports, como os games "League of Legends" e "Smite", uma escultura em argila gigante de argila de um monstro sendo criada ao vivo ao longo da feira, demonstrações para testar os óculos de realidade virtual Oculus Rift e props originais de grandes filmes.

O Artist's Alley - Ao lado do frenesi do stand da Marvel, tornou-se um dos setores mais gostosos para quem gosta de garimpar novidades de quadrinhos. Esse cantinho reunia desde ilustradores internacionais consagrados dos quadrinhos até artistas independentes lançando histórias estreantes, algumas de arte de qualidade surpreendente. O espaço teve um ar mais informal do que o restante da feira, permitindo ao visitante curioso bater papo com os artistas, até com alguns dos mais famosos, além de ver ao vivo o fascinante trabalho de criação das ilustrações, quase como se você estivesse nos bastidores de um estúdio de HQ.

Variedade e preço para alimentação - Muitos eventos em centros de convenções instituem a "ditadura da alimentação", com poucas, ruins e caras opções de comida para os visitantes. Não foi o caso da Comic Con Experience, que teve uma boa variedade de lanches, do natureba ao trash, mais caros ou até de menos de 10 reais. O local também esteve sempre limpo e não havia problemas para encontrar uma mesa.

Transporte - As vans de translado entre o metrô Jabaquara e a feira foram frequentes, diminuindo rapidamente as filas, inicialmente assustadoras. O transporte coletivo chegou a ser uma opção mais rápida do que o carro ou o táxi, especialmente nos dias da semana nos horários de pico. Em todos os dias do evento,a reportagem levou menos de uma hora do galpão da Comic Con até a Avenida Paulista usando as vans e o metrô.

Guilherme Solari/UOL
Longa fila no terceiro dia do evento Imagem: Guilherme Solari/UOL

O RUIM

A internet - A rede wifi do Centro de Convenções Imigrantes se mostrou completamente inadequada para o evento. O UOL apurou com diversos fãs que tinham problemas em se conectar. Na praça de alimentação, quatro stands de venda de comida disseram que tiveram problemas recorrentes em receber pagamentos em cartão dos clientes. "A gente até tentou fazer malabarismo para tentar pegar sinal de um lugar mais alto", disse uma funcionária. Até os próprios organizadores do evento tiraram sarro da rede de "no fi" do evento. No painel dos "Vingadores", um dos mais disputados da feira, um dos integrantes do Omelete chegou a alfinetar: "Nossa, estariam tuitando muito essas novidades se aqui tivesse internet".

As filas - É preciso dar o crédito à organização, que conseguiu deixar ao menos em ordem as filas de até cinco horas para o auditório principal. Sem falar nas filas para autógrafos de artistas, que também não raro levavam horas, assim como mais filas para comprar action figures, em particular os bonecos de edição limitada do evento. Filas são uma inevitabilidade matemática em qualquer Comic Con, são muitos fãs querendo contato com o mesmo artista, portanto é algo que o visitante precisa sempre ter em mente: trazer a paciência, de casa sabendo que vai ficar algumas horas parado.

Problemas de tradução - A reportagem do UOL encontrou problemas na tradução simultânea em pelo menos três painéis do auditório principal. A tradução apresentou diversos erros que tornavam praticamente impossível a compreensão para quem não entendesse inglês. O painel na quinta-feira do ator de "Goonies" e "O Senhor dos Anéis", Sean Astin, chegou a necessitar uma tradutora no palco de tão incompreensíveis que estavam as legendas.

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