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Mostra revelará no Brasil faceta musical da lenda da fotografia Ansel Adams

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

14/10/2014 06h00

Famoso por registrar em preto e branco as montanhas e o gelo do Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia, o norte-americano Ansel Adams (1902-1984) dificilmente teria revolucionado a fotografia caso não tivesse sido um prodigioso pianista na infância, capaz de executar de ouvido as mais intrincadas sonatas de Bach e Beethoven.

A avaliação é de Michael Adams, filho do fotógrafo que elevou o simples clique da câmera ao status de arte. A partir de julho de 2015, ele e a mulher, Jeanne, trarão ao país a mostra "Ansel Adams, Paisagens de Luz e Som", primeira exposição de Ansel na América Latina, que passará por São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Recife.

Entre as 180 obras exibidas, incluindo fotos raras e inéditas, haverá um núcleo dedicado ao pouco conhecido músico Ansel Adams, com partituras, reportagens e diplomas da época. No espaço, haverá ainda a exibição em vídeo de registros musicais do fotógrafo, resgatados do baú da família.

"A disciplina, a prática, a interpretação, a expressividade da música foram todas levadas para a fotografia. E ele costumava falar sobre isso. Dizia que o negativo é como a partitura e a revelação, a performance", conta Michael, de 81 anos, falando ao UOL de sua casa em Carmel, na Califórnia.

Nascido em San Francisco, filho de um corretor de seguros, Ansel aprendeu a tocar sozinho aos 12 anos de idade. Aos 14, em uma viagem com a família ao Parque Nacional de Yosemite, registrou com sua amadora Kodak Brownie as primeiras cenas daquela que seria sua espécie de morada artística e espiritual. Já na fase adulta, no final dos anos 1920, começou a expor o trabalho, relegando de vez as partituras eruditas ao hobby.

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Das lembranças do pai, Michael Adams guarda, principalmente, um comprometimento rígido com a arte, digno de concertistas profissionais. "Tenho poucas lembranças dele tocando. Apenas em casa, com família e amigos. E também das aulas de pianos que ele dava", conta Michael.

"Mas lembro de uma viagem que fizemos em 1941, quanto tinha oito anos de idade. Fomos ao sudoeste dos EUA, na época que ele tirou uma de suas fotos mais famosas, a ‘Moonrise, Hernandez’, que mostra o nascer da lua. Vou contar sobre isso na exposição."

Ansel Adams
A famosa foto "Moonrise, Hernandez, New Mexico", tirada por Ansel em 1941 Imagem: Ansel Adams

A fotografia de Ansel

As imagens repletas de beleza e solidão do Yosemite, que Ansel parecia desenhar a mão, se transformariam em ícones da natureza selvagem dos Estados Unidos. Além do interesse pela fotografia, despertaram nele o engajamento ambiental. E serviram, também, para o desenvolvimento do revolucionário sistema de zonas, que aproveita integralmente as variações dos níveis de luz das imagens ainda utilizado nos dias hoje.

“Acho que, quando ele ganha a câmera do pai e vai ao parque, é o momento em que se encontra. Viu que ali havia um caminho longo. Ele falava que a fotografia é o mínimo possível para preservar uma imagem, mas que a natureza não poderia só ser preservada apenas por meio dela”, diz o curador da mostra, Marco Alves, ressaltando a reconhecida faceta de ambientalista do fotógrafo.

Quando criança, o filho conta, chegou a acompanhar o pai em expedições que duravam semanas e serviam apenas para estudar o local e os diferentes tipos de luz. O clique perfeito só viria depois.

"A importância do Ansel é muito grande para fotografia. Além disso, ele chegou a ser consultor da Kodak, da Hasselblad e da Polaroid, no desenvolvimento, de filmes, papel fotográfico e câmeras. E foi ele que incentivou o Moma [Museu de Arte Moderna de Nova York] a fazer um acervo de fotografia", entende Marco Alves.

Michael e Jeanne Adams, que organiza a vinda da exposição ao Brasil, visitarão o país pela primeira vez em novembro, a convite da mostra. Mas o filho da lenda mostra reticência sobre o que pai pensaria sobre paisagens brasileiras, como a Amazônia.

“Ansel Adams era um homem que decidiu que a América tinha tudo que precisava. Ele não viajava para o Havaí porque não gostava de clima quente e úmido. Ele empolgado mesmo com montanhas, neve e gelo. Acho que ele se interessaria pelo Brasil, mas a floresta tropical não seria um de seus objetos.”

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