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50 anos de Mafalda: UOL imagina do que ela reclamaria se fosse brasileira

Do UOL, em São Paulo

02/10/2014 06h00

Criada pelo cartunista argentino Quino, a menina Mafalda é um dos personagens mais celebrados nas tirinhas de jornal na América Latina. Publicada originalmente entre 1964 e 1973, na revista "Primera Plana", ela ganhou fama internacional graças a seu carisma e a uma peculiar visão de mundo.

Filha de pais de classe média, Mafalda nunca se limitou a problemas típicos da infância e levou o olhar crítico e apurado para questões econômicas e sociais de todo o planeta. Demonstrava ojeriza às desigualdades, às injustiças e à violência da mesma forma que repudiava um prato de sopa. 

Inteligente e sarcástica, ela emprestava humor único para comentar os acontecimento de sua época, marcada pela ditadura argentina. Ainda hoje, muitas de suas tiradas, recheadas de críticas social e política, permanecem atuais.

Sabendo disso, o UOL imaginou quais seriam os assuntos do Brasil atual que poderiam servir de pano de fundo para as tirinhas de Mafalda. E como ela reagiria a eles. 

Ciclofaixas

  • Reprodução

    Defensora das bikes

    Publicada em um período marcado pela forte repressão do governo Argentino, Mafalda é uma menina muito mais progressista do que reacionária. Certamente usaria de sua acidez infantojuvenil para criticar quem é contra as ciclofaixas que tomaram algumas das principais vias da cidade de São Paulo, tirando espaço dos carros. Em contrapartida, também não perdoaria os "ciclochatos".

Homofobia

  • Divulgação

    Estudando o aparelho excretor

    Mafalda não concordaria com o discurso homofóbico do candidato à presidência Levy Fidelix, que pediu que seus eleitores reprimissem a minoria homossexual. Na tirinha, ela provavelmente estaria estudando ciências, no capítulo "Aparelho Excretor". Assunto que o político, famoso pela proposta de implantar um aerotrem para resolver os problemas de mobilidade, mostrou desconhecer totalmente.

Crise de abastecimento

  • Reprodução

    Dos males, o menor

    Como boa parte das crianças, Mafalda não é lá muito afeita ao chuveiro. Sempre que pode, evita. Em sua inocência nem tão inocente assim, é bem provável que ela "declarasse" para os pais seu voto no governador e candidato à reeleição Geraldo Alckmin, na esperança de que a falta de água virasse lei em São Paulo.

Filas em exposições

  • Reprodução

    Só não mexam no castelo!

    Agitada e comunicativa, a garota argentina é conhecida também por sua impaciência. Difícil imaginá-la passando incólume às filas quilométricas das exposições em São Paulo. Ela só se irritaria mais com a ideia dos moradores do bairro Jardim Europa de criar um abaixo-assinado contra a exposição "Castelo Rá-Tim-Bum", no Museu da Imagem e do Som. Aí já é vandalismo.

Racismo no futebol

  • Reprodução

    Os vários lados da história

    Mesmo tendo certas ideias pré-concebidas, Malfada é totalmente contra o preconceito. Ficaria muitíssimo brava com os insultos racistas sofridos pelo goleiro do Santos Aranha. Crítica, também não aceitaria aqueles que querem acabar com a vida a torcedora do Grêmio que o xingou. E, de quebra, ainda questionaria a punição ao time gaúcho, que foi excluído da Copa do Brasil quando já perdia o jogo.

Eike classe média

  • Quino/Reprodução

    Merece uma colher de sopa

    Mafalda reagiria com ironia à nova vida de "classe média" do empresário Eike Batista, que mesmo em crise não abre mão de hotel cinco estrelas em Nova York e do helicóptero para ir a Angra dos Reis. Com bom coração, ofereceria a ele um pouco da sopa que sua mãe sempre servia no jantar, e que ela odiava profundamente

Mafalda 50 anos

  • Reprodução

    Comemorar pra quê?

    Mafalda fez 50 anos esta semana, mas por que comemorar? Afinal, a personagem não é publicada desde os anos 1970. O mundo melhorou desde então? A paz entre os povos é a tônica? A fome acabou? A América do Sul é um lugar mais feliz, justo e divertido para morar? Esses são alguns dos questionamentos que a cinquentona personagem provavelmente faria

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