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Público confunde intervenção em rio de SP e alerta até Corpo de Bombeiros

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

01/10/2014 16h21

Um homem parrudo e calvo, de camiseta regata e cueca, se põe na ponta de um trampolim, às margens do Rio Pinheiros, em São Paulo, um dos mais poluídos do país. Quem vê de longe a cena imagina que se trata de alguém prestes a mergulhar nas águas contaminadas. Ao longo do Rio, se vê outras mulheres, rapazes e crianças repousando no limite de plataformas.

Todos são, na verdade, manequins. Em tamanho real, eles fazem parte da série de intervenções "As Margens do Rio Pinheiros", do artista plástico Eduardo Srur, que desde setembro tem mobilizado centenas de ligações para o Corpo de Bombeiros e para a polícia relatando "tentativas de suicídio".

"Nos primeiros dias houve uma demanda acima do normal. Foram 35 solicitações registradas e até uma viatura e uma equipe foram deslocadas ao local", contou ao UOL o capitão Marcos Palumbo, porta-voz dos Bombeiros em São Paulo. Avisados desde o início da intervenção artística, as ligações foram diminuindo e os atendentes cientes de como proceder com os inúmeros chamados.

Adriana de Souza, analista de comunicação, foi uma das pessoas a ver a "vítima" de perto, ao atravessar a ponte da Cidade Universitária, onde o senhor calvo ficará de pé até novembro. "Foi horrível. Eu via as pessoas passando na calçada normalmente e pensava: 'Ele está se preparando para pular, com as mãos coladas na barriga, preciso fazer alguma coisa'", relatou ela.

A analista ligou para o Corpo de Bombeiros e o atendente, antes de ouvir o chamado até o final, começou a descrever a possível vítima. "Mas como é que você sabe?", questionou Adriana; Segundo ela, o bombeiro a explicou que se tratava de uma obra de arte. "Ele disse que estavam até discutindo o quanto a intervenção prejudicava no andamento do serviço".

Ao UOL, o capitão afirmou que entende a intervenção e não há problemas com a confusão. "Hoje, por enquanto, ninguém ligou".

Rio suicida

"Tem gente que pensa que são pessoas suicidas, mas suicida mesmo é o rio", disse Eduardo Srur, autor da intervenção, ao UOL. Para o artista, o desconforto é necessário. "Tive respostas negativas, mas a arte tem que despertar a crítica e a reflexão. Sendo bom ou ruim, a arte desperta interpretações, não pode ser uma unanimidade".

“O Rio Pinheiros é o símbolo do desgravo que a cidade faz com a água. A falta dela na cidade, o descumprimento das empresas e do próprio cidadão, todos são responsáveis pela situação. Estou falando com você e olhando a ciclovia [que acompanha o Rio Pinheiros] e isso é insalubre. Ele é um rio invisível", afirmou, por telefone, de seu escritório no Jardim Europa, próximo ao rio.

Srur já questionou os problemas de mobilidade em São Paulo ao colocar uma carruagem na vertical, em um dos mastros da Ponte Otávio Frias de Oliveira. Com garrafas pets infláveis gigantes no Rio Tietê e dezenas de caiaques coloridos tripulados por manequins no Rio Pinheiros, buscou ressaltar a existência de espaços abandonados da metrópole.

Junto com os manequins saltadores, Srur montou uma espécie de lápide em cada afluente do Rio, já soterrados e contaminados. "A intervenção está impactante. Está deslocando o olhar, está tirando as pessoas da anestesia".

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