Livros e HQs

HQ reinterpreta encontro de Bidu e Franjinha em história dramática

Marco de Castro

Do UOL, em São Paulo

30/08/2014 05h00

O cão Bidu e seu dono, Franjinha, foram os primeiros personagens criados pelo cartunista Mauricio de Sousa. A dupla apareceu pela primeira vez em uma tira publicada pelo extinto jornal “Folha da Tarde”, em 18 de julho de 1959. Em seus 55 anos, porém, nunca havia sido mostrado como o garoto inventor e seu cãozinho azul se tornaram melhores amigos.

Essa história é mostrada agora na belíssima graphic novel “Bidu - Caminhos”, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, que abre o segundo ciclo da série “Graphic MSP”, na qual nomes de destaque dos quadrinhos nacionais são convidados a reinterpretar personagens do universo criado por Mauricio de Sousa.

Se o primeiro ciclo da série, iniciada em 2012, estreou com “Astronauta - Magnetar”, de Danilo Beyruth, em que o simpático personagem da Turma da Mônica vive uma aventura sombria, mais direcionada ao público adulto, “Bidu - Caminhos” traz uma história dramática e emocionante, sem deixar de lado o humor, destinada a toda a família.  

Em páginas que impressionam, principalmente, pelo capricho no uso das cores e pela leveza do traço, a HQ mostra Bidu --no início, ainda sem esse nome—como um cachorrinho de rua que leva, literalmente, uma “vida de cão”, morando em um carro abandonado em um terreno baldio, tendo que se virar para conseguir comida e, ainda, brigando com outros cães para defender os ossos que arrumou para roer. Em um dos momentos mais emocionantes –e visualmente lindos-- da história, inclusive, o cãozinho passa um fim de semana inteiro vagando sob uma forte chuva.

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“Acredito que essa história ‘Caminhos’, com o Bidu, seja uma das mais lindas que já vi. Os autores, Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, conseguem criar um clima de sentimento e ação que atinge diretamente o coração das pessoas. Me fez lembrar de meu cachorrinho Cuíca, da infância, no qual me baseei para criar o personagem”, conta Mauricio de Sousa ao UOL.

Editor do projeto “Graphic MSP”, Sidney  Gusman destaca a maneira como os cães se comunicam na história: por meio de balões nos quais, em vez de palavras, são mostrados ícones –por exemplo, quando Bidu enfrenta outro cão, aparece, dentro do balão, um desenhinho dele usando luvas de boxe ou quimono de caratê. “É muito legal. São balões que obrigam o leitor a ler desenhos. Um show de narrativa”, diz Gusman, que participa, junto com Mauricio, Garrocho e Damasceno, de uma mesa de debate neste sábado (30), entre as 14h as 15h30, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Tarefa árdua

Segundo os autores da HQ, não foi nada fácil fazer a reinterpretação desses personagens. “Você está lidando com personagens que têm um passado, uma vivência na memória --e no dia-a-dia caso você ainda seja leitor dos quadrinhos-- de grande parte da população brasileira. Conseguir equilibrar o respeito necessário com a produção de algo novo e pessoal pode se tornar (e foi o caso com a gente) uma tarefa árdua”, diz Garrocho. Damasceno completa: “Não estamos reinventando a roda, estamos interpretando algo que nos foi apresentado e permitido reinterpretar. Considerando o nível de responsabilidade envolvido, foi extremamente difícil fazer isso. Contudo, não deixou de ser divertido em nenhum momento”.

A dupla conta que começou a parceria em 2007 e, em 2010, criou o site Quadrinhos Rasos, com tiras inspiradas em músicas. No ano seguinte, eles lançaram “Achados e Perdidos”, primeira HQ nacional produzida por financiamento coletivo. O trabalho dos dois logo chamou a atenção de Sidney Gusman, que os convidou para fazer a revista de Bidu.

“Desde o surgimento do projeto ‘Graphic MSP’, ficamos interessados em participar e queríamos mesmo que isso acontecesse”, conta Damasceno. “Já conhecíamos e admirávamos o trabalho do Sidney Gusman, que também é editor do Universo HQ, blog especializado em quadrinhos. Desde que começamos a fazer quadrinhos, eles dão apoio, divulgam nosso trabalho e nos ajudam muito nesse sentido. Em 2011, quando lançamos o “Achados e Perdidos”, ficamos mais próximos do Sidney, porque ele apoiou muito e falou muito bem do projeto. Eventualmente, ele me ligou e disse ‘E aí, vamos fazer um Graphic Novel do Bidu?’”

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E a dupla aceitou a missão sem pensar duas vezes. Principalmente, porque ambos, como grande parte dos brasileiros, cresceram lendo os quadrinhos da Turma da Mônica. “Eu lia tudo que saía da Turma da Mônica. Tinha assinatura, então recebia o pacote completo em casa. Aprendi a ler com a Turminha, e era comum eu levar sempre uma revista comigo pro banho, porque eu queria ler até debaixo do chuveiro. Não era rara a visão de um varal cheio de quadrinhos secando lá em casa. Foi meu primeiro contato com quadrinhos, e a influência no que eu faço é clara. Ainda acho difícil encontrar personagens que rivalizem com o carisma do Cascão”, diz Garrocho.

Damasceno também fala sobre sua paixão pelos personagens. “Eu só lia Turma da Mônica. Foi o único quadrinho que li  até os 10, 11 anos, eu acho. Lembro mais da diversão de ter um almanacão de férias da Turma da Mônica do que qualquer viagem que tenha feito. Foram definitivamente muito importantes na minha formação.”  Ele ainda destaca a importância da figura da Mônica para as meninas. “Acho muito importante que a Turma seja da Mônica. E que ainda hoje as crianças cresçam lendo as histórias dessa garota inteligente, forte, que não deixa que os outros pensem por ela e que é muito sensível.”

Sobre a forma de trabalhar, ambos contam que não dividem as tarefas, por isso um não assina como desenhista ou o outro como roteirista. “Na verdade, a gente evita dividir as tarefas em roteiro e desenho ou de qualquer outro jeito, por isso assinamos só nossos nomes sem especificações. Ainda que eu faça a maior parte do desenho, o Felipe faz a maior parte dos layouts, então não posso dizer que os desenhos são meus, porque eles partem de um layout de página feito por ele”, explica Damasceno.

Próximos lançamentos

De acordo com Sidney Gusman, a série “Graphic MSP” já tem um cronograma de lançamentos planejado até 2018. Além das HQs do Astronauta e do Bidu, a série inclui os títulos “Turma da Mônica – Laços”, dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi, “Chico Bento – Pavor Espaciar”, de Gustavo Duarte, e “Piteco – Ingá”, de Shiko.

Para os próximos títulos, foram selecionados os personagens Penadinho, Papa Capim e a Turma da Mata (do elefante Jotalhão). Astronauta e Turma da Mônica também devem retornar em futuras HQs da série. “Esses personagens fazem parte da cultura pop. Todo o mundo sempre sonhou em ver outras versões deles”, diz Gusman. Para ele, outro grande mérito da coleção é colocar títulos de autores nacionais de quadrinhos adultos para serem vendidos em bancas de jornal, e eles não ficarem restritos a livrarias.

“O sucesso de vendas das nossas graphic novels demonstrou que há [no Brasil] mercado para o quadrinho adulto, sim. Alavanca novos autores e um público leitor que quando criança começou com a Turma da Mônica e ainda agora tem aquele sentimento de proximidade com nossos personagens”, avalia Mauricio de Sousa. 

"Bidu - Caminhos"

Editora: Panini

84 páginas

Preço: R$ 19,90

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