Livros e HQs

Eu e os leitores curtimos estar com meus personagens, diz Casandra Clare

Rodrigo Casarin

Do UOL, em São Paulo

23/08/2014 06h00

Das milhares de pessoas que passarão pela Bienal Internacional do Livro neste final de semana, uma parte significativa delas estará lá por um motivo em comum: conseguir um autógrafo, tirar uma foto, trocar algumas rápidas palavras ou ao menos ver Cassandra Clare. Serão em sua maioria jovens que disputarão lugares para a apresentação da escritora na Arena Cultural, neste sábado (23), às 14h, ou para as sessões de autógrafos no estande de sua editora, a Record, que acontecerão no sábado e no domingo (24), às 15h30.

Cassandra, que já vendeu mais de 26 milhões de livros em todo o mundo, sendo 800 mil deles no Brasil, ficou famosa pela série “Os Instrumentos Mortais”, composta pelos livros “Cidade dos Ossos”, “Cidade das Cinzas”, “Cidade de Vidro”, “Cidade dos Anjos Caídos”, “Cidade das Almas Perdidas” e “Cidade do Fogo Celestial”. Ela credita seu sucesso principalmente a personagens como Clary, Jace e Alec. “As pessoas se identificam com eles, os amam, sentem como se fossem da família”. Lançada nos Estados Unidos entre 2007 e 2014, sendo que o primeiro saiu no Brasil em 2010, a obra é uma fantasia urbana que invoca o clássico duelo entre o bem, representado por um jovem “comum”, e o mal, encarnado em seres sobrenaturais. Em 2013, ela chegou ao cinema, com o lançamento do filme de “Cidade dos Ossos”, dirigido por Harald Zwart.

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Para a composição de suas ficções, a escritora se apoia muito na mitologia e faz questão de destacar que não se limita aos conjuntos mitológicos ocidentais tradicionais, mas também se inspira em mitos como os japoneses, escandinávicos, indianos e tibetanos, dentre outros. “Isso me ajuda a criar personagens que transmitem a sensação de que são reais”, diz.

A produção de Cassandra é bastante intensa. Ela se vê como uma profissional da escrita e tem como meta compor com três mil palavras a cada dia de trabalho, somente depois que “está livre para o dia”. Para finalizar um livro, não apoia-se muito em seu editor. “Nós fazemos muitas trocas, mando o texto pra ele, que comenta, eu revejo, mando de novo, até acharmos que está bom para ser publicado. Mas, se não colocarmos um final nisso, é um trabalho que não acaba nunca”.

Uma prova do volume de títulos escritor por Cassandra em um curto período é a série “As Peças Infernais” - composta por “Anjo Mecânico”, “Príncipe Mecânico” e “Princesa Mecânica”, com histórias se passam no Reino Unido, no século 19 -, lançada entre 2010 e 2013, ou seja, quando também trabalhava em títulos de “Os Instrumentos Mortais”.

Fazer livros seriados, aliás, é outro traço da autora. “Gosto de introduzir os personagens, vê-los de novo e de novo e de novo. Tanto eu quanto os leitores curtimos estar com eles”, justifica. Além disso, argumenta que em alguns casos, como em romances históricos, é necessário que haja tempo – ou páginas – suficiente para que o período retratado possa ser recriado.

O passado, o futuro

Cassandra Clare é o pseudônimo de Judith Rumelt, de 41 anos, que, apesar de filha de estadunidenses e de ter feito sua carreira nos Estados Unidos, nasceu em Teerã, a capital do Irã, em 1973, quando seu pai dava aulas em universidades do país. Na infância, viveu na França, Inglaterra e Suíça. Pelas frequentes mudanças, encontrou companhias confiáveis e duradouras nos livros, que podiam lhe acompanhar por onde fosse. Já nos Estados Unidos, começou a escrever inspirada por Jane Austen, fundamental em sua formação literária. “Eu a lia com oito, nove anos. Tinha muita paixão pelos livros dela, aprendia muito com eles”. A admiração pela escritora ainda é tamanha que o nome artístico Cassandra é uma homenagem à única irmã de Jane (que se chamava Cassandra, evidentemente).

Trabalhou em revistas de entretenimento e, no tempo livre, divertia-se escrevendo fanfics (obras feitas por fãs que desenvolvem histórias com cenários e personagens já criados por algum escritor) de “Harry Potter” e “O Senhor dos Anéis”, outra obra que leu na infância. “Meu pai era fã de Tolkien. 'O Senhor dos Anéis' é incrível, achei meio devagar no começo, mas depois a história engrenou e reparei naquilo tudo, no mundo complexo que ele criou, com línguas, seres, hábitos, geografia, mais real do que o próprio mundo real”. Uma simples menção a uma possível comparação com Tolkien e J. K. Rowlling, aliás, fazem-lhe ficar da cor de seus cabelos vermelhos.

Mas deixou as fanfics para trás, não tem mais tempo para isso. Contudo, “se pudesse, gostaria de fazer algo com a obra da Jane Austen”, revela. Vez ou outra lê algo que alguém recriou no universo e com os personagens que criou. Até gosta, fica feliz em ver pessoas buscando continuar suas histórias, entretanto diz que é mesmo coisa de fã para fã.

Ainda este ano, Cassandra lançará, em parceria com a escritora Holly Black, “The Iron Trial”, o primeiro volume de uma série (mais uma!) intitulada “Magisterium”. Em 2015, deverá lançar “Lady Midnight”, que dará início à trilogia “Os Artifícios das Trevas”. Também já anunciou que está escrevendo uma outra série, “The Last Hours”, que se passa na Inglaterra, no início do século 20, é inspirada em “Grandes Esperanças”, de Charles Dickens, deverá sair a partir de 2017 e contará com os títulos “Chain of Thorns”, “Chain of Gold” e “Chain of Iron”, que flertarão em alguns aspectos com “As Peças Infernais”.

Sobre a Bienal

Com o tema de “Diversão, cultura e interatividade: tudo junto e misturado”, a 23ª Bienal do Livro de São Paulo, que vai até o dia 31 de agosto, no Pavilhão de Eventos do Anhembi, é um dos mais importantes do mercado livreiro e literário em toda a América Latina. Contará com 1500 horas de programação e mais de 400 atrações, dentre elas nomes reconhecidos internacionalmente, como Harlan Coben (“Confie em Mim”), Ken Follet (“Os Pilares da Terra”), Sally Gardner (“Coriandra”), Kiera Cass (“A Seleção”) e Hugh Howey (“Silo”), além da própria Cassandra.

Os ingressos para a Bienal, que dão acesso ao Pavilhão do Anhembi, custam entre R$6,00 e R$14,00 – dentro do espaço, toda a programação cultural é gratuita, sendo que os bilhetes para cada evento devem ser retirados com, no mínimo, 30 minutos de antecedência. O evento conta com 300 expositores, que representarão 750 selos editoriais. Nos dez dias de evento, são esperados mais de 700 mil visitantes, que, para chegarem ao Anhembi, podem utilizar ônibus gratuitos que saem das estações de metrô do Tietê e da Barra Funda (desta segunda, apenas nos finais de semana). Toda a programação pode ser conferida no site oficial do evento.

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