Livros e HQs

"Uma vida desse quilate não se extingue com morte", diz Antonio Nóbrega

Chico Porto/JC Imagem
Antonio Nóbrega e Ariano Suassuna durante as comemorações dos 100 anos do frevo no Carnaval de 2007, no Recife (PE) Imagem: Chico Porto/JC Imagem

Do UOL, em São Paulo

24/07/2014 17h59

O músico pernambucano Antonio Nóbrega, um dos fundadores do Movimento Quinteto Armorial, escreveu um texto em seu site oficial em que relembra sua parceria com o escritor Ariano Suassuna. O autor de obras como "O Auto da Compadecida" e "O Santo e a Porca" morreu na tarde de quarta-feira (23), vítima de uma parada cardíaca após sofrer um AVC hemorrágico.

***

Conheci Ariano em 1970 quando fui convidado por ele a integrar o Quinteto Armorial. Na ocasião ele acabara de publicar o seu livro, o "Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e Volta", e foi por meio dessa obra que adentrei no Mundo Ariano.

Minha ligação com Ariano foi imensamente frutífera: anos de convivência quase que cotidiana durante a fase de apresentações do Quinteto; musiquei alguns de seus poemas, representei o personagem Joaquim Simão da sua peça "A Farsa da Boa Preguiça" numa versão realizada pela TV Globo; inspirei-me em seus "amarelinhos" para construir o meu personagem Tonheta. E sobretudo isso: foi a partir do meu encontro com ele que minha maneira de fazer arte, entender cultura e ver o mundo ganharam outras e novas dimensões.

Ariano teve, continuará tendo, um papel absolutamente imprescindível, vital para a arte e cultura brasileiras. Foi escritor versátil --dramaturgo, romancista, poeta, cronista, ensaísta-- e um misto de empreendedor, ativista e animador cultural. Todas essas suas atividades tiveram como pano de fundo a sua visceral paixão pelo povo e pela cultura brasileira, uma tão intensa amorosidade só comparável àquela de brasileiros como Mário de Andrade e Darcy Ribeiro.

Ariano há muito que vinha escrevendo o que, segundo ele, seria a sua obra síntese. Esse livro tive a oportunidade de "escutá-lo" inúmeras vezes quando o visitava. Ariano tinha um enorme prazer em ler trechos dele para nós, amigos que o visitávamos. Por alguma razão desconfiava que essa sua obra não seria publicada em vida.

O Cavaleiro da Alegre Figura ainda terá muito a nos revelar. Uma vida desse tamanho e quilate não se extingue com a morte. Como ele dizia, em tom de brincadeira, referindo-se à sua entrada na Academia Brasileira de Letras: "Não quero ser um imortal, quero ser imorrível".

O Cavaleiro da Alegre Figura tem e continuará a ter uma permanente Cadeira na grande Arena da vida.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

Página Cinco
Página Cinco
Página Cinco
AFP
Página Cinco
Página Cinco
Página Cinco
Página Cinco
Página Cinco
DW
Página Cinco
Da Redação
Da Redação
Página Cinco
Roberto Sadovski
Página Cinco
EFE
Página Cinco
EFE
Página Cinco
Página Cinco
Página Cinco
Da Redação
BBC
BBC
Página Cinco
UOL Música
Página Cinco
do UOL
UOL Jogos
EFE
Página Cinco
AFP
Página Cinco
do UOL
UOL Jogos
EFE
Página Cinco
Página Cinco
Página Cinco
AFP
Página Cinco
EFE
AFP
BBC
Página Cinco
UOL Jogos
UOL Jogos
Página Cinco
AFP
Página Cinco
Topo