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Filho de João Ubaldo, Bento Ribeiro se despede: "Tchau, meu pai. Foi cedo"

Do UOL, em São Paulo

18/07/2014 11h51Atualizada em 18/07/2014 17h21

O ator e ex-humorista da MTV Bento Ribeiro, filho do escritor João Ubaldo Ribeiro, lamentou a morte do pai durante o velório na Academia Brasileira de Letras, no Rio, na tarde desta sexta (18).

"Além do que todo mundo já falou em homenagens, nas redes sociais, ele era meu pai. Triste, inesperado, não tem muito o que falar", disse ele à reportagem do UOL. "A gente cresceu junto quando ele morava em Itaparica, a gente tinha uma relação muito próxima".

Bento lembrou ainda que o pai pode realizar o desejo de ser avô antes de morrer. "Pelo menos ele pode ser avô, tive um filho que está com cinco meses. Essa é a memória mais recente. Ele queria visitar o neto na Alemanha, ele está com a mãe lá".

"Sempre queria produzir coisas, se orgulhava da cultura brasileira, é isso que vai ficar como legado para a gente", comentou.

Mais cedo, Bento se despediu do pai nas redes sociais. "Tchau, meu pai. Foi cedo, vai fazer muita falta", escreveu ele no Twitter. Ubaldo, autor de obras como "A Casa dos Budas Ditosos" e "Sargento Getúlio", morreu na madrugada desta sexta-feira (18), aos 73 anos, vítima de embolia pulmonar, em sua casa no Rio.


Bento, de 33 anos, é filho de Ubaldo com Berenice de Carvalho Batella Ribeiro. Eles, que estavam casados há mais de 30 anos, também são pais de Francisca, de 31 anos. Do casamento anterior, com Mônica Maria Roters, João Ubaldo teve duas filhas, Manuela e Emília.

Velório

O velório de João Ubaldo Ribeiro, inicialmente marcado para as 10h, foi adiado para as 13h desta sexta-feira no Salão dos Poetas Românticos na sede da ABL, no Rio (av. Presidente Wilson, 203, Castelo), e será aberto ao público. O corpo dele será enterrado no sábado no mausoléu da ABL, no cemitério São João Batista, também no Rio. O horário ainda não foi definido --a família aguarda a chegada de Manuela, filha do escritor, que mora na Alemanha e está a caminho Brasil.

João Ubaldo passou mal em sua casa no Leblon, no Rio de Janeiro. Um funcionário do prédio onde o escritor morava há cerca de 20 anos disse à GloboNews que, por volta das 3h da manhã, a família pediu por ajuda médica, mas que não houve tempo de prestar socorro.

Trajetória de João Ubaldo

Sétimo ocupante da cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras desde 1994, como sucessor de Carlos Castello Branco, João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu em Itaparica, na Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Formado em direito (1959-1962) pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), ele nunca chegou a advogar, mas construiu uma carreira que o consagrou como romancista, cronista, jornalista e tradutor.

Aos 21 anos, escreveu seu primeiro livro, "Setembro Não Tem Sentido", que ele desejava batizar como "A Semana da Pátria", contra a opinião do editor. Em 1999, João Ubaldo foi um dos escritores escolhidos para dar depoimento, ao jornal francês "Libération", sobre o Terceiro Milênio.

Repercussão

  • Imagem: Arquivo Ag. A Tarde
    Arquivo Ag. A Tarde
    Imagem: Arquivo Ag. A Tarde

    Amigos lamentam morte do escritor

    Fafá de Belém: "Millôr deve estar esperando por ele e a nós resta a dor, a lembrança e a saudade". Veja mais

"Viva o Povo Brasileiro" foi o tema do exame de "agrégation", concurso para detentores de diploma de graduação na universidade francesa. Este romance (que virou tema de samba-enredo da Império da Tijuca em 1987) e "Sargento Getúlio" (adaptado ao cinema) constaram na maior parte das listas dos cem melhores romances brasileiros do século e ambos lhe renderam o Prêmio Jabuti.

No mesmo ano, ele lançou "A Casa dos Budas Ditosos", narrado por uma mulher de 68 anos que nunca se furtou a viver as infinitas possibilidades do sexo. Foi adaptado para o teatro por Domingos de Oliveira em 2004, em forma de monólogo e encenado por Fernanda Torres.

João Ubaldo trabalhou como professor de administração e filosofia, e como jornalista colaborou com diversas publicações, como "Frankfurter Rundschau" (Alemanha), "Diet Zeit" (Alemanha), "The Times Literary Supplement" (Inglaterra), "O Jornal" (Portugal), "Jornal de Letras" (Portugal), "Folha de S. Paulo", "O Globo", "O Estado de S. Paulo" a "A Tarde", entre outros. O escritor foi ganhador do Prêmio Camões em 2008, maior prêmio da língua portuguesa.

Entre 1990 e 1991, ele morou em Berlim, a convite do Instituto Alemão de Intercâmbio. Na volta, passou a morar no Rio de Janeiro. 

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