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Romero Britto arranca lágrimas de crianças a adultos em noite de autógrafos

James Cimino

Do UOL, em Campos do Jordão (SP)

07/07/2014 07h15

Você pode não gostar dele, mas sua filha provavelmente gosta e até chora por ele. Romero Britto, o artista plástico pernambucano que conquistou o planeta com sua pop arte, recebeu tratamento de estrela de rock dos fãs presentes a uma noite de autógrafos promovida pelo empresário João Dória e pelo galerista Robson Britto, irmão de Romero, em um shopping da cidade serrana de Campos do Jordão (cerca de 180 km de SP) neste sábado (5).

Cercado por homens, mulheres e crianças de todas as idades, Britto causou comoção ao assinar quadros, livros, pratos de cerâmica com personagens da Disney, esculturas de cachorrinhos, xícaras de gatinhos, bolsas, guarda-chuvas e inúmeros outros produtos que levam sua inconfundível marca de cores alegres, traços grossos e motivos fofinhos, cujos preços variavam de R$ 135 a R$ 250 mil. “Eu me expresso com alegria e levo isso às pessoas”, disse à reportagem do UOL pouco antes de entrar na galeria.

“Ele me deixa feliz! Adoro o Romero!”, falou com um fiapo de voz e os olhos cheios de lágrimas a estudante Juliana Meneghelli, 14, após receber um abraço e um autógrafo. O mesmo aconteceu com Eliane Bruno, 39, também artista plástica, que estava comprando seu primeiro quadro do artista. Aos prantos, disse ser bastante fã.  “Tenho poltronas, pufe, sofá. Tenho um  quartinho só com as coisas dele e que não deixo ninguém nem chegar perto. Agora quero fazer uma tatuagem. Meu desenho preferido dele é esse cachorrinho, que a personagem da Alinne Moraes tinha em uma novela. Desenhei muito esse cachorrinho em caixas e em isopor. Meus clientes pediam”, contou.

A reprodução de seu estilo e falsificação de seu produtos é algo que tem efeito dúbio no artista. “Quando uma coisa começa a fazer sucesso, é natural que as pessoas comecem a copiar. Quando é uma criança ou um jovem que se inspira em meu trabalho, não ligo, mas quando começam a copiar para ganhar dinheiro, mando meus advogados cuidarem disso. Mas foge um pouco do controle. E de certa forma eu me sinto lisonjeado, porque se não fosse bom, ninguém copiaria”, comentou o artista.

O bancário aposentado Afonso Henrique, 57, acabava de comprar seu primeiro quadro do artista, devidamente autografado, e informou à reportagem que desde o ano passado queria adquirir um Romero Britto, porque vê em seu trabalho uma singularidade.

“Desde o ano passado eu queria algo dele. Precisava de um quadro para colocar acima da lareira”, disse Henrique, que não quis revelar o preço da peça. “Não estou muito preocupado com isso. Acho que é uma coisa exclusiva. Hoje em dia é muito difícil de se encontrar um artista com uma identidade própria. Isso é o que mais me chama a atenção nele. Seja original ou seja cópia, todo mundo vai saber que é dele.”

Arte infantil

A opinião dos fãs de Romero Britto entrevistados pelo UOL é unânime quanto aos motivos que lhes fazem apreciar seu trabalho. O que lhes chama a atenção são as cores alegres e as representações infantis de animais misturadas a elementos da pop arte.

A pediatra Neyma Andrea Ramos, 39, diz ter decorado seu consultório com seus quadros porque Romero “é uma alma infantil”. “Esse colorido dele agrada às crianças. Até minha maleta de médica é dele. Eu não deixaria de ter, mesmo já tendo virado ‘carne de vaca’, porque original sempre será original.”

O que alguns consideram qualidade, outros veem como defeito.  A advogada Andreia Rodrigues, 42, que ostentava uma capinha de celular do artista, disse já ter sido criticada por seu gosto. “Eu gosto muito de coração e de gato. Não agrada todo mundo, é verdade.”

Enquanto o artista distribuía sorrisos, abraços e tirava selfies, um grupo de cerca de 50 pessoas aguardava do lado de fora que outros saíssem para que novos fãs entrassem da galeria, localizada em um shopping destinado ao público classe A que vai no inverno a Campos do Jordão degustar fondues ao som de versões jazz e bossa nova de canções pop como "Creep" (Radiohead), "Like a Virgin" (Madonna) e "Bad Romance" (Lady Gaga).

Embora se ouvissem comentários de desdém, como “essa loja só tem porcaria” ou “isso é bichinho de pelúcia em cerâmica”, cada vez que os seguranças liberavam a a entrada para crianças, mães, avós e todo tipo de agregado se ofereciam aos empurrões para “acompanhar os menores” ou “para tirar fotos das meninas”.

Questionado se sofria do mesmo mal do escritor Paulo Coelho, que é um fenômeno de vendas, mas renegado pela crítica de arte, Romero Britto contemporizou. “Quando você faz algo que todo mundo vê, você tem que estar aberto a críticas. Não ligo muito pra crítica. Tô viajando, conversando com o mundo todo e mostrando minha arte. Hoje em dia o que acontece é: antigamente tinha só um papa para consumir sua arte e hoje tem vários. Então se aqui um monte de gente não gosta da minha arte, lá na China tem milhões gente gostam. E beijinho no ombro”, encerra o artista, que sonhava em ser diplomata, representar o Brasil pelo mundo e falar várias línguas.

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