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O cânone da arte brasileira ainda não assimilou Osgêmeos, diz galerista

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

30/06/2014 07h42

Para a sócia-fundadora da galeria Fortes Vilaça, Márcia Fortes, responsável pela nova exposição da dupla Osgêmeos em São Paulo, o trabalho dos grafiteiros paulistanos, que saiu das ruas e invadiu o circuito mundial das artes, ainda não foi corretamente assimilado no Brasil.

Márcia, uma ex-repórter que se transformou em uma das principais galeristas do Brasil, conversou com a reportagem do UOL neste domingo (29), na concorrida abertura da mostra “A Ópera da Lua”, que reuniu celebridades, artistas plásticos e admiradores do traços e criações de Gustavo e Otávio Pandolfo, 40.

Segundo ela, ainda existe, por parte de críticos e acadêmicos brasileiros, um tradicionalismo que interfere na apreciação de qualquer trabalho que fuja do consenso. Esse preconceito, diz, nasce de um apego arredio a antigos cânones.

Alheios a críticas, Osgêmeos começaram a pintar na década de 1990. Aos poucos, ganharam fama internacional com seus homenzinhos estilizados em combinação de cores e traço únicos. Um estilo que consegue ao mesmo tempo ser popular, complexo e dotado de críticas social e política. Um espelho poético das mazelas nacionais.

Recentemente, a dupla chegou a ser alvo de críticas e comparações com Romero Britto, após lançarem produtos em parceria com Nike e Louis Vuitton e grafitarem o avião da seleção brasileira na Copa. Estratégias comerciais que, segundo Márcia, são incapazes de desqualificar a arte. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

UOL - Como a “A Ópera da Lua” chegou à galeria Fortes Vilaça?

Márcia Fortes - Já trabalhamos com Osgêmeos há mais de sete anos. Conheci o trabalho deles nas artes plásticas ironicamente através da Jeffrey Deitch, que é a galeria deles em Nova York. Vi um catálogo deles, achei incrível, os procurei e os convidei pra expor na galeria. A primeira exposição foi na galeria da Fradique Coutinho, na Vila Madalena, uma instalação incrível, chamada o “O Peixe que Comia Estrelas Cadentes”.  Desde então, trabalhamos juntos, levando também o trabalho deles para feiras de arte internacionais.

O fato de lançarem produtos tem influência na forma como eles são vistos no circuito das galerias? Alguns já até os compararam com Romero Britto.

Acho que as pessoas criticam muitas coisas. O Romero Britto não tem nada a ver com o que a gente está fazendo aqui. Ele tem o valor dele para fazer o que faz. Mas ele não trabalha com galerias. Não está no circuito de artes plásticas e não é comparável com nada dessa natureza. Romero não expõe. Ele tem uma loja em que vende seus produtos.

Existe um limite para a arte se tornar comercial sem prejudicar sua essência?

Não é o mercado que define a qualidade de um trabalho. O trabalho se define pelas suas características internas e intrínsecas. Independentemente se vender ou deixar de vender, ou se é para a elite ou popular. No caso d’Osgêmeos, é um trabalho que tem influência, conteúdo e contexto totalmente relacionados à história da arte, de mil formas. Eles desenvolveram uma linguagem muito única dentro dessa tradição da história da arte. Acho que “limite” não é uma palavra que combina com arte, de nenhuma maneira.

O que o trabalho d’Osgêmeos significa para a Fortes Vilaça?

O comprometimento que eles têm com a cultura popular não faz parte de um cânone formal. Não faz parte do projeto construtivista brasileiro. É diferente e único. Enfim, existem muitas formas de acarretar interpretações equivocadas. De pessoas que quererem medir as coisas com suas próprias réguas. Réguas que são relacionadas a essa herança antiga, e hoje, felizmente, nem todo o mundo trabalha com ela.

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