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HQ "Pátria Armada" traz guerra civil com mutantes no Brasil após 1964

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Imagem da HQ "Pátria Armada" que será lançada em junho. História traz equipes de super-heróis em um ano 1994 alternativo, com o Brasil dividido entre uma guerra civil de três décadas Imagem: Divulgação

Guilherme Solari

Do UOL, em São Paulo

24/04/2014 06h00

Imagine que o Golpe de 1964 não tenha dado certo, o governo revida contra os golpistas e o Brasil se arrasta em uma guerra civil de 30 anos. Em 1994 o conflito está estagnado, mas ainda muito do vivo, e segue com o bom e velho jeitinho brasileiro, com pausas nas batalhas para o Carnaval e feriados. Adicione a isso mutantes com super-poderes e temos a proposta de "Pátria Armada", HQ que será lançada em julho deste ano em bancas e livrarias do Brasil e no final do ano no mercado internacional.

O cenário de história alternativa torna "Pátria Armada" ao mesmo tempo familiar e distante, e o mesmo acontece com a versão dos anos 1990 apresentada na HQ. "Eu tentei passar aquela ideia de 'há muito tempo atrás, em uma galaxia distante'", diz o idealizador do projeto, o quadrinista Klebs de Moura Junior.

"O ano de 1994 foi fatídico, com a morte do Senna e a Copa do Mundo, eventos que vão acontecer na história". Para quem está acostumado com HQs estrangeiras, chama a atenção a arquitetura característica de cidades como São Paulo, em vez de Nova York, Gotham ou Metrópolis.

A história gira em torno de um grupo de jovens de habilidades sobre-humanas, que ganharam poderes após ataques químicos de ambos os lados do conflito.

Apesar de estarem dentro de "arquétipos" dos quadrinhos de super-heróis (como o gigante fortão, o franco-atirador de mira infalível etc.) não agem como uma versão tupiniquim dos X-Men. "Eles não estão lá para salvar o mundo, são soldados com missões que cumprem, e mais pra frente discutem essa missão e sobre se devem seguir ordens", conta Klebs Junior.

O início tem um ar de revanche da Revolução de 1932, mas o grupo em São Paulo também é integrado por mineiros, cariocas e nordestinos. "Não é só uma divisão norte contra sul", afirma o roteirista. A história mostra um ataque dos "legalistas" --que iniciaram o golpe-- contra São Paulo, sede dos "federalistas".

"Sinto  uma certa apatia do nosso povo em inúmeros golpes", conta Klebs Junior, sobre escolher ambientar a história em uma guerra civil brasileira. "Comecei a pensar em uma saga para poder usar esse tema da guerra para a gente discutir os problemas que o país tem hoje".

A história alternativa também satiriza o nosso passado. Na história, o Rio de Janeiro virou um Estado neutro e monárquico, com um ar pomposo inspirado em Dom Pedro 2º.

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Imagem: Divulgação

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"Vaquinha digital"

A exemplo do que artistas têm feito na música, Klebs Junior levantou R$ 22 mil reais em um financiamento coletivo na internet para tirar o projeto do papel. Veterano dos quadrinhos, com mais de 20 anos de experiência e trabalhos nos Estados Unidos e Europa, Klebs concebeu o financiamento coletivo depois de se desiludir com as iniciativas nacionais anteriores.

"Sentia falta de ver as nossas histórias. Trazer heróis brasileiros como modelos de comportamento positivos e otimistas. Já vi diversos projetos parecidos naufragarem por falta de incentivo, até mesmo de editoras grandes", diz Klebs Junior, que já trabalhou com gigantes dos quadrinhos internacionais, como Marvel e DC.

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O quadrinista Klebs Junior. Dinheiro levantado por fãs permitiu a impressão de mais volumes e melhor distribuição Imagem: Divulgação

A "vaquinha digital" também serviu para medir o interesse do público e aumentar o alcance para o lançamento. "Queria uma estrutura que funcionasse em banca e livraria. Sempre ficava esperando uma editora aparecer e comprar o projeto, mas isso nunca aconteceu", conta o autor, completando que planeja fazer uma turnê pelas capitais brasileiras após o lançamento, junto de diversos dos artistas que contribuíram com "Pátria Armada".

Após o lançamento nacional, ele planeja lançar a obra também no mercado internacional. "Já estamos conversando com algumas editoras. Provavelmente será lançado em um volume único, em vez de três edições, como aqui no Brasil", aponta o quadrinista.

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