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Livros aproximam religião e filosofia à mesa de boteco

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Capa do livro "Budismo na Mesa do Bar", de Lodro Rinzler (editora Universo dos Livros) Imagem: Reprodução

Rodrigo Casarin

Do UOL, em São Paulo

09/04/2014 05h10

A mesa do bar é um espaço propício para discussões. É em meio às cervejas e aos petiscos que, muitas vezes, temas de grande relevância são debatidos, como se o ambiente informal inspirasse as pessoas a abordar assuntos profundos, que vão além dos tradicionais política, futebol e relacionamento. Muitas vezes, as acaloradas conversas chegam a questões essenciais e existenciais.

Uma linha de livros que vem sendo publicada no Brasil explora essa transposição de assuntos complexos e muitas vezes de difícil compreensão, tais quais religião e filosofia, para uma linguagem acessível a um grande número de pessoas, como se o texto soasse igual uma conversa entre amigos. Um dos exemplos mais recentes é "Budismo na Mesa do Bar", de Lodro Rinzler, professor da Shambhala budista. O autor tentou, por meio de uma linguagem simples e bem-humorada, conciliar os conceitos de disciplina e entrega espiritual da religião com assuntos triviais para a maior parte das pessoas, como cerveja e problemas nos relacionamentos  amorosos.

A ideia central é que os princípios budistas estejam alinhados com o cotidiano dos leitores. “[O livro] é destinado a pessoas que trabalham, fazem sexo, saem com os amigos. Se você faz essas coisas, você achará esse livro útil“, diz o autor. Essa transposição muitas vezes gera desafios. “A parte mais desafiadora em escrever 'Budismo na Mesa do Bar' foi assegurar que a meditação poderia ser acessível aos leitores, mas não abordada de maneira superficial. Eu quero que isso seja compreensível e aplicável na vida das pessoas, mas não nego que seja complicado. É uma prática difícil de seguir, mas rende muitos resultados se você focar nela”, afirma Rinzler, que ainda completa: “É importante que as pessoas não vejam o budismo apenas como um hobby, mas como ensinamentos que podem ser aplicados em todos os aspectos da vida, como as saídas às sextas-feiras à noite.”

Filosofia no bar
Seguindo uma linha semelhante, diversos livros já foram lançados colocando a filosofia na mesa de um boteco. "Filosofia de Botequim – 48 Questões Filosóficas para Acompanhar sua Cerveja", do professor de filosofia Matt Lawrence, e "Platão e um Ornitorrinco Entram num Bar", dos filósofos Tom Cathcart e Daniel Klein, são exemplos disso. O primeiro relaciona conceitos e ideias de filósofos a cervejas e a questões adaptadas à botecagem, enquanto o segundo procura tratar da filosofia com humor.

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Capa do livro Filosofia de Botequim", de Matt Lawrence (editora Alaúde) Imagem: Reprodução

“Parece que há duas direções entre os professores de filosofia. Uma acha que o conhecimento não deve ser simplificado, sob o risco de ser vulgarizado, outra pensa que ele pode sim ser transformado em uma linguagem mais acessível, ao menos para despertar o interesse da maior parte das pessoas. Faço parte desse segundo grupo”, diz o filósofo e doutor pela PUC-SP Marcelo Andrade, que, ao justificar sua posição, faz eco a um dos argumentos de Rinzler: “A filosofia precisa fazer parte da vida de cada um, não ser apenas algo isolado e distante, que parece acessível apenas para algumas poucas pessoas”. Contudo, logo em seguida faz uma ponderação, quase um alerta: “Só é importante que os leitores não achem que conhecem realmente algum filósofo apenas por ter lido esses livros”.

Marcelo analisou um capítulo de "Filosofia de Botequim", sobre René Descartes, e julgou o trabalho de Lawrence bastante bom. Ainda que tenha discordado da escolha de uma palavra ou outra, afirma que o centro da ideia do filósofo francês está bem retratado. “O autor ainda tem o mérito de, ao final do texto, fazer a indicação de leituras mais profundas, como o próprio trabalho de Descartes, isso é muito importante”.

Outros livros, apesar de não tratarem diretamente da mesa do bar, seguem uma linha parecida. Obras como "Pequeno Manual de Filosofia para Sobreviver a um Papo Cabeça, de Sven Ortoli e Michel Eltch, "Mais Platão, Menos Prozac", de Lou Marinoff, e "Causos Filosóficos", de Martin Cohen, (este último uma espécie de perfil de filósofos com histórias curiosas) também podem ser opções interessantes para quem quer incrementar os tradicionais debates.

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