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Publicitário transforma amores e saudades em "poesia de guardanapo"

Leonardo Rodrigues

Do UOL, de São Paulo

07/02/2014 16h28

O publicitário Pedro Gabriel, de 29 anos, tem um alterego mais corajoso e poético do que ele mesmo é. E se comunica por meio de guardanapos. Neles, estão frases curtas, geralmente acompanhadas de ilustrações, e que fizeram tanto sucesso na internet que se foram parar no livro "Eu Me Chamo Antônio" (Editora Íntrinseca).

  • Divulgação/Leo Aversa

    Pedro Gabriel, autor de "Eu me Chamo Antônio"

"Tudo começou depois de um dia cansativo de trabalho, no final de 2012. Peguei um trânsito enorme e, antes de chegar em casa, passei em um café aqui do Rio, no Flamengo, o Café Lamas, e comecei a escrever", contou Pedro ao UOL.

Sentado ao balcão, em um momento puramente introspectivo, ele usou suas experiências pessoais como guia para rabiscar as primeiras e tortas linhas: "Primeiro, encanto. Depois, desencanto. Por fim, cada um pro seu canto". 

Depois delas, foram mais de 1.500 guardanapos, a maioria compartilhada nas redes sociais. Só no Facebook, a página "Eu Me Chamo Antônio", criada em 2012, contabiliza mais de 580 mil curtidas.

"Uso trocadilhos, coisas de conversas de bar. Falo muito do que li, vivi e ouvi na vida. Claro, com um certo floreio poético", disse o autor, que expressa em papel seus amores, saudades e desilusões perdidas, sempre com certa métrica fonética e toque pessoal de humor.

Pedro não se vê poeta. Devorador de Millôr Fernandes, Paulo Leminski e Mário Quintana ("Todos têm textos curtos e impactantes, os que mais gosto"), ele disse que o que faz é apenas "desenhar palavras". No livro, inclusive, as frases de "Antônio", retiradas de 95 guardanapos originais, obedecem uma lógica narrativa, em um formato mais livre.

"Para muita gente, poesia traz toda aquela carga pesada, de coisa acadêmica. Acho que o que faço, na verdade, é trazer a poesia para mais perto do dia a dia das pessoas, despertando o interesse delas."

No auge da criatividade, o publicitário confecciona cerca de 15 guardanapos por semana, geralmente aos sábados e domingos, sempre no inspirador café da zona sul carioca. E, segundo conta, já tem material e ideias para novos projetos.

"Com o que tenho daria para lançar vários livros, mas não queria oferecer a mesma coisa. Também não quero abandonar a essência do guardanapo. Acho que eu vou misturar as ilustrações, mas agora com textos maiores", planeja o carioca de alma, mas africano de nascimento --filho de mãe brasileira e pai suíço, ele nasceu em Chade, no centro-norte da África.

Sobre o uso da milenar arte do torpedo, as cantadas de bar enviadas via guardanapo, Antônio contemporiza. "Nunca usei. Sou profissional", brinca aos risos. "Mas muitos namorados e namoradas pedem os guardanapos. Dizem que eles ajudaram na relação deles. Não posso atender todo mundo, mas alguns eu refaço e mando pelos Correios."

Uma dessas fãs é a atriz Grazi Massafera, que esta semana publicou uma imagem do livro em seu Instagram, com o verso: "Um dia a liberdade será tamanha que abriremos nossas asas sem ferir ninguém".

“Até falei com a assessoria da minha editora, e eles disseram que não enviaram nada para ela. Ela foi à loja e comprou o livro sozinha. É muito bacana esse reconhecimento, sabendo que o que faço alcança pessoas de contextos tão diferentes.”

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