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"Eu sou terrível", brinca biógrafo de Roberto Carlos durante debate

Guilherme Silva/Divulgação
João Máximo e Paulo César de Araújo durante Festival Internacional de Biografias, em Fortaleza (CE) Imagem: Guilherme Silva/Divulgação

Carlos Minuano

Do UOL, em Fortaleza (CE)

16/11/2013 21h26

"Eu sou terrível", disse Paulo César de Araújo, que escreveu a famosa biografia censurada “Detalhes”, sobre Roberto Carlos. Ele diz que, ao contrário do que o rei deve esperar, ou seja, um autor ressentido e resignado, continua acompanhando tudo o que o cantor diz e faz.

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"Meu livro vai voltar e atualizado", garantiu. Como biografar mitos foi tema de debate na tarde deste sábado (16), no Festival de Biografias, em Fortaleza, com os jornalistas João Máximo que, entre outros, escreveu sobre Noel Rosa, e Paulo Cesar de Araújo. Além de contarem a trajetória de sumidades da música brasileira, os escritores têm outro ponto em comum: ambos tiveram seus livros proibidos.

"Meus livros foram apreendidos na editora, guardados em um galpão em diadema na cidade de São Paulo, mas não param de circular na internet", observa Araújo. O escritor  diz que quando escrevia a biografia de Roberto lhe perguntavam com frequência se falaria sobre o problema da perna do cantor e o acidente que sofreu na infância. "Respondi que sim, que não falar sobre isso seria não escrever sobre ele, é como contar a história de Ray Charles e não dizer que ele é cego", compara.

"Foi um trauma para ele, era um adolescente que sai de muletas de sua cidade, com uma mala um violão e um sonho, e só encontrou portas fechadas por muito tempo", diz o jornalista. Mas ele ressalta que a proibição do livro, diferentemente do que se diz, não foi pela narrativa do acidente na infância. "A questão fundamental foi ele achar que alguém estaria ganhando dinheiro com o nome dele, ele acredita que sua história é um patrimônio particular", disse. Outros motivos para a proibição foram destacados por Araújo. "Ele sofre transtorno obsessivo compulsivo, e tem um grande distanciamento dos livros, se informa pela televisão", completou.

Noel Rosa

O célebre compositor carioca Noel Rosa teve pouco espaço no debate. Roberto Carlos roubou a cena mais uma vez. Mas tal qual a biografia do rei, "Emoções", o livro de João Máximo e Carlos Didier, "Noel Rosa, uma biografia", se tornou uma raridade. "Só pode ser encontrado em sebos e por mais de R$ 400", disse João Máximo.

Após anos de proibição da edição lançada pela editora da Universidade de Brasília, em 1990, a biografia seria relançada pela Companhia das Letras, após acordo com as herdeiras de Noel, mas divergência entre os autores segue impedindo a publicação.

Quanto à inevitável discussão sobre biografias não autorizadas, o jornalista enfatizou que biografias precisam ser livres. "Tudo o que ajudar a explicar o personagem deve ser publicado", ressalta Máximo. Ele diz que o brasileiro adora esse gênero, e se inclui no grupo. "Sou um leitor de biografias, eu aprendo muito sobre música, cinema, teatro, lendo esses livros, só de Adoniram tenho cinco", declara o jornalista.

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