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Leia em primeira mão prólogo do livro "Eu Dormi Com Joey Ramone"

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Capa do livro "Eu Dormi com Joey Ramone" Imagem: Divulgação

11/11/2013 17h12

"Era uma daqueles noites cristalinas no fim do inverno de 1969. Minha mãe, meu irmão e eu havíamos recentemente nos mudado para um edifício de apartamentos em Forest Hills, no Queens, que tinha uma vista espetacular de Manhattan.

Eu estava em nosso novo quarto sentado com Arlene, uma amiga que tinha resolvido dar uma passada por lá depois de nossa última aula na Escola Secundária de Forest Hills. Da minha cama, podíamos ver todo o horizonte pela janela, enquanto assistíamos ao sol se pôr sobre Manhattan. Arlene contemplava as luzes da cidade enquanto eu passava um baseado para ela.

De repente, do outro lado do quarto, algo se moveu embaixo de uma enorme pilha de entulho caseiro. Era como se aquela irreconhecível montanha de tralhas ganhasse vida própria.

“O que foi isso?”, Arlene perguntou em um tom silencioso, porém enfático. Ela estava pronta para sair correndo, caso aquela inexplicável agitação continuasse.

“Ah, isso é o meu irmão”, eu respondi, de forma inexpressiva.

De um lado do quarto, próximo à janela, estava a bagunça padrão de todo adolescente, com algumas esquisitices a mais: um cachimbo fino e espelhado de vinte e cinco centímetros para fumar haxixe, feito por índios mexicanos, um leitor de cartuchos de áudio, uma edição da East Village Other, um exemplar de “How to talk dirty and influence people”, de Lenny Bruce, e palhetas de guitarra.

Do outro lado — o lado do meu irmão —, estava a montanha.

Ela tinha níveis que mais se pareciam com camadas: camisas, calças, meias e cuecas diversas, limpas e sujas; um par de botas de camurça com franjas na altura da canela (como aquelas que Ian Anderson do Jethro Tull aparece usando na capa do disco Stand up), tudo isso coberto por um enorme casaco afegão. Abaixo, em outra camada, estavam discos, jornais, revistas de rock e embalagens de comida, de diversos grupos alimentares, tudo cercado por pratos, xícaras e copos que serviam como cinzeiros, contendo líquidos que haviam criado espuma — como colarinhos em canecas de cerveja — e que haviam subido até o topo, transbordando pelo bocal.

Lençóis e cobertores abriam caminhos, serpenteando para dentro e para fora da escultura viva. Um colchão oculto ficava ao chão, sustentando a crescente maravilha geológica que era o lado do quarto pertencente ao meu irmão.

“Ãh... Você tem certeza que é ele?”, Arlene perguntou, um tanto confusa por eu não ter sequer olhado em direção à massa misteriosa. “Não vejo ninguém ali”.

“É, é ele”, eu respondi. “A menos que tenha um novo inquilino morando ali e eu não esteja sabendo.”

Arlene deu uma risadinha, um tanto sincera e um tanto nervosa.

Ao escutar nossas vozes, meu irmão abriu uma trilha entre uma quantidade suficiente de escombros, permitindo a ele colocar a cabeça para fora e ver o que estava acontecendo.

Ele ainda estava de óculos escuros. Raramente os tirava.

“E aí, como é que tá?”, ele disse para Arlene. Eles já tinham se visto pela vizinhança.

“Tudo bem”, Arlene respondeu. “A gente te acordou?”

Olhando para a janela e vendo que já era quase noite, meu irmão respondeu:

“Não, tudo bem. Eu já estava acordado.”

Quando ele começou a sair do monte, percebemos que ele estava sem calças. Arlene então disse:

“Olha, acho que eu já vou. Prometi ao Alan que ia passar lá em cima.”

“É”, eu disse. “A minha mãe vai chegar daqui a pouco também.”

Fui para o meio do quarto para bloquear a visão dela.

Não foram muitas as garotas que foram à minha casa depois daquilo.

O meu irmão — o cara sem as calças — viveria para se tornar Joey Ramone, com uma história bastante surpreendente.

Eu viveria para contar essa história."

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