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São Paulo Companhia de Dança dá início a projeto de balé com audiodescrição

Marcela Benvegnu/Divulgação
Os bailarinos Thamiris Prata e Norton Fantinel, da São Paulo Companhia de Dança, em cena de "Dom Quixote" Imagem: Marcela Benvegnu/Divulgação

Fábio Pescarini

Do UOL em Jundiaí (SP)

30/08/2013 21h29

Pela primeira vez desde sua fundação em 2008, a São Paulo Companhia de Dança - grupo mantido pelo governo do Estado - terá uma apresentação preparada para deficientes visuais. O espetáculo acontece no domingo (1), às 18h, no histórico Teatro Polytheama, de Jundiaí (a 58 km de São Paulo).

Ao todo, serão distribuídos 55 fones de ouvido através dos quais será transmitida a narração do espetáculo, que mescla clássico e contemporâneo, com obras do peso de “Bachiana N° 1”, de Heitor Villa-Lobos (com uma criação inédita do coreógrafo Rodrigo Pederneiras), “Dois a Dois”, que inclui dois Grand Pas de Deux (momento em que dançam apenas um casal de bailarinos) dos famosos balés “O Quebra-Nozes” e “Dom Quixote”; e “Mamihlapinatapai”, do mineiro Jomar Mesquita.

Até o fim do ano serão realizados 12 espetáculos com audiodescrição para deficientes visuais em diferentes cidades de São Paulo. E a atriz Marisa Pretti, que estará na cabine para fazer a narração, não esconde a possibilidade de sentir um frio na barriga tão grande quanto no dia em encenou pela primeira vez. “Talvez tenha até dor de barriga”, brinca. “É uma situação muito complexa. No palco, você não se concentra no público. Agora, vou ter que concentrar nos dançarinos e nas pessoas da plateia.”

Marisa Pretti faz parte do grupo Menina dos Olhos, ganhador da licitação para fazer o trabalho, organizada pelas secretarias de Cultura e dos Direitos da Pessoa com Deficiência. A narradora participou de quatro ensaios da companhia, assistiu a vídeos, conheceu figurino, estudou roteiros e pediu orientação para as bailarinas Lilian Vilela e Daniela Forchetti.

Pretti fez balé quando criança e é mãe de uma bailarina. Mas na narração do espetáculo para deficientes visuais pretende usar o mínimo de termos técnicos de dança. Porém, quer apresentar a maior riqueza de detalhes possíveis. E também sabe da necessidade de ser precisa nas explicações.

“Quando eu disser que a dançarina jogou a cabeça para trás, não posso deixar parecer que ela arremessou a própria cabeça. Quando ela correr, terei de citar para onde e dar uma dimensão do palco”, explica ela, que já fez autodescrição de livros e filmes.  “A responsabilidade é muito grande pelo fato de esta ser a maior companhia de dança da América Latina.”

Luca Baldovino, superintendente da São Paulo Companhia de Dança, se diz curioso para ouvir a narração do espetáculo deste domingo. “Mas quem estiver com fone de ouvido vai precisar perceber detalhes da música, iluminação, expressão fácil e a emoção transmitida pelos dançarinos, mesmo sem enxergar”, afirma.

O espetáculo será aberto ao público, mas os convites devem ser retirados com uma hora de antecedência, nas bilheterias do próprio teatro. O Polytheama fica na rua Barão de Jundiaí, 176, Centro. Deficientes acompanhados com cães guias poderão entrar com os animais.

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