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De origem europeia, festas juninas representam a cultura brasileira; conheça seus símbolos e história

João Marcos Veiga

Do UOL, em Belo Horizonte

25/06/2013 18h21

Poucas datas simbolizam tanto a cultura brasileira e suas origens como as festa juninas. Porém, assim como o Carnaval, suas raízes estão em outros países e locais do mundo. Em países como Suécia e Polônia, por exemplo, há o costume de dançar ao redor de fogueiras e comendo quitutes em países como Suécia e Polônia. Num movimento de influências e adaptações, de Norte a Sul do Brasil a festança foi ganhando novas características e tradições.

Se engana quem pensa que a festa junina leva esse nome por ser realizada no mês de junho. Uma explicação bem aceita, segundo o livro “Festa Junina – origens, tradições e história”, de Lúcia Helena Rangel, é de que seria uma homenagem a São João, com as festas “joaninas”. As origens das comemorações são incertas, mas um marco histórico foi a consolidação do calendário cristão ocidental, no século 4. Três dos principais santos católicos passaram a ser reverenciados no mês de junho: Santo Antônio (13), São João (24) e São Paulo (29), datas principais das festas.

No balancê da quadrilha

  • Arte/UOL

    Relembre os passos da dança tradicional

Com a colonização dos portugueses e, sobretudo, com a vida da família real para o Brasil, no início do século 19, a Festa Junina passou a ser comemorada religiosamente por aqui. A afirmação dessa identidade com contornos locais teve contribuição decisiva das escolas – até hoje é tradição os arraiás de colégios, que mantém a prática e sua história. E essa história é marcada por contribuições de vários países, não só Portugal.

Festa junina que se preze tem uma boa quadrilha. Homens e mulheres se separam em blocos, com coreografias que se alternam com comandos como “olha a chuva!”, “caminho da roça” e “anarriê”. Segundo a Biblioteca Virtual do Estado de São Paulo, a curiosa corruptela de “en arrière” indica a volta à posição inicial e a origem francesa do termo e da própria dança – a "quadrille" francesa nasceu no século 19 entre a aristocracia europeia, a partir da popularidade da "contredanse".

No Brasil, a contradança passou a contar com muitos pares e recebeu elementos rurais, como as roupas quadriculadas e o chapéu de palha, muito comum em Minas Gerais e Goiás. O ritmo também ganhou novos tons com nossas influências locais e africanas, como o tambor de criola, o forró, o xote e o baião.

Arraiás pelo mundo
 
Tradição portuguesa, quadrilha francesa, fogos e papéis picados da Ásia. A cultura de diversos países está presente em nossas festas, que também não são exclusividade nossa.

Em países do hemisfério Norte, o mês de junho marca o solstício de verão, celebração de origem pagã e momento de receber a energia do sol e agradecer pelas colheitas que virão.

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Umas das mais famosas festas acontecem na Suécia, de 20 a 26 de junho, com cantos entoados ao redor de fogueiras e alimentos típicos e da estação, como a batata e o morango. Na Polônia, o dia 23 é ideal para usar fantasias, como as de pirata. Em Portugal, a Festa de São João tem tanta importância quanto no Brasil. Em cidades como Porto milhares de pessoas festejam por ruas animadas e enfeitadas.
 
A festa
 
“Fagulhas, pontas de agulhas, brilham estrelas de São João. Babados, xotes e xaxados, segura as pontas, meu coração.” Além da alegria, como na música de Abel Silva, alguns elementos são indispensáveis para que uma comemoração realmente seja chamada de festa junina.

Arraial: No interior de Minas Gerais é comum festas em fazendas com grande área de terra batida, na qual são montadas barraquinhas, área para as quadrilhas e brincadeiras. Nas cidades, o importante é decorar bem o local, com bandeirinhas coloridas, e aproveitar bem a área para os demais elementos, seja num colégio, clube, parque ou rua.
 
Fogueira: A tradição diz que sua origem está na origem do cristianismo: Prestes a dar à luz a João Batista, Isabel precisava pedir ajuda a sua prima, Maria, fazendo para isso uma grande fogueira. Nas festas Brasil a fora elas podem chegar a mais de 10 metros. O calor serve tanto para esquentar o corpo contra o frio da época quanto para assar alimentos como inhame, pinhão e milho.
 
Pau de sebo: O competidor deve escalar o escorregadio pau-de-sebo para ganhar as prendas e o dinheiro colocados no alto do tronco, o que exige muita habilidade.
 
Quadrilha: É possível entender os comandos na hora, mas as grandes festas exigem muito ensaio para a coreografia sair bem feita. Algumas quadrilhas chegam a contar com mais de 100 casais.

Onde encontrar

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Mastro: a altura ideal é de 5 a 6 metros. O topo deve trazer a bandeira do santo padroeiro da festa e pode ter enfeites de frutas e fitas.
 
Casamento: A união pode ser de brincadeira, mas o organização é séria. Padre, padrinhos e madrinhas, noivos, convidados, anel e buquê são obrigatórios. Feito em homenagem a Santo Antônio, o “santo casamenteiro”, também é comum que sejam realizados em seu dia, 13 de junho, casamentos coletivos (de verdade) em cartórios e igrejas de todo o mundo.
 
Quitutes: Elemento indispensável são os quitutes. No Brasil eles são os mais diversos, como a canjica, cachorro-quente, pé-de-moloque, pamonha, arroz-doce, pinhão e pipoca. Entre as bebidas, as mais famosas são o quentão e o vinho-quente. Cada estado também acrescenta parte de sua culinária típica, como as tapiocas no nordeste, o churrasco no Rio Grande do Sul e o feijão-tropeiro em Minas Gerais (onde a cachaça também é muito valorizada).
 
Os arraiás também podem contar com as mais diferentes atrações, como a barraca-do-beijo, tiro-ao-alvo, e o braseiro no chão – deve ser atravessado descanso, com a promessa de “quem tem fé não queima o pé”. Os balões também são muito relacionados às festas juninas, porém só aqueles que não têm fogo em seu anterior (esses são proibidos por lei).

Para conhecer mais
 
O Memorial da Vale, museu localizado na Praça da Liberdade, conta um pouco da história de Minas Gerais, como suas principais festividades, entre elas a Festa Junina. O museu fica na Praça da Liberdade, s/n, esq. Gonçalves Dias – Funcionários, e funciona às terças, quartas, sextas e sábados, de 10h às 17h30, quintas, das 10h às 21h30, domingos, das 10h às 15h30. A entrada é gratuita e mais informações podem ser obtidas em www.memorialvale.com.br.

 

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