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Corpo de Paulo Vanzolini é enterrado no cemitério da Consolação em SP

Mariana Pasini

Do UOL, em São Paulo

29/04/2013 17h28

O corpo do compositor Paulo Vanzolini foi enterrado no final desta tarde de segunda-feira (29) em São Paulo, acompanhado por cerca de cem pessoas no Cemitério da Consolação. Antes do enterro, o corpo, que chegou às 16h40 no local, foi levado a uma capela para o cumprimento de orações.

Compositor e zoólogo, Paulo Vanzolini  morreu no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A causa da morte do artista, autor do clássico "Ronda", não foi divulgada a pedido da família. Vanzolini estava internado desde quinta-feira, com quadro de pneumonia extensa, segundo os médicos Maurício Wajngarten e Miguel Cendoroglo Neto, que assinaram o último boletim médico pela manhã de domingo.

Entre os presentes no enterro, estava a cantora Yara Marques, que falou ao UOL sobre a amizade com o artista de 89 anos. Ela mudará o repertório na Virada Cultural, marcada para o dia 19 de maio na Praça Roosevelt, na capital paulista. "Ia ser Adoniran [Barbosa], mas agora vai ser só Vanzolini. Já mudei tudo", contou a artista.

Autor de sambas consagrados, como "Volta por Cima", "Samba Erudito" e "Praça Clóvis", Vanzolini foi interpretado por grandes nomes da MPB, como Chico Buarque, Miúcha, Maria Bethânia, Paulinho da Viola e Inezita Barroso.

Sua última aparição pública foi no Teatro Oficina, em São Paulo, no mês de março, durante um evento beneficente para levantar fundos à Casa de Francisca. No mesmo mês, recebeu o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) pelo conjunto da obra. O compositor subiu ao palco para receber o troféu em uma cadeira de rodas e foi aplaudido de pé pela plateia.

Vanzolini faria um show na sexta-feira e no sábado no clube Casa de Francisca, no Jardim Paulista, com acompanhamento de sua companheira, a cantora Ana Bernardo, e de amigos como o violonista Ítalo Perón e o pianista e cartunista Paulo Caruso. 

Paulo Vanzolini deixa cinco filhos, entre eles o diretor e integrante da produtora Conspiração Filmes, Toni Vanzolini.

Paulo Vanzolini não gostava de "Ronda"

Vida dividida

Nascido em 1924 no bairro de Cambuci, em São Paulo, Paulo Vanzolini foi autor de canções clássicas, mas sua ocupação era como herpetólogo (zoólogo especializado em répteis e anfíbios). Era pesquisador do Instituto de Zoologia, e professor emérito da USP (Universidade de São Paulo).

Formado em medicina, Paulo chegou a ser diretor do Museu de Zoologia da USP e foi responsável por criar a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Com doutorado em Harvard, onde Paulo estudou e conviveu com lendas da biologia como o evolucionista Ernst Meyer, o compositor também teve seu nome em 15 espécies de répteis ou anfíbios que pesquisou e descreveu. Seu trabalho como cientista rendeu premiações, como reconhecimento, em 2008, da Fundação Guggenheim, em Nova York.

Sua história dupla, na música e na zoologia, rendeu o documentário "Um Homem de Moral" (2009), do cineasta Ricardo Dias. Chico Buarque gravou duas canções do primeiro disco com músicas de Vanzolini; o médico e escritor Dráusio Varella foi seu aluno na USP e cientistas do quilate de Theodosius Dobzhansky, Emest Mayr e Aziz Ab'Saber eram seus amigos. Foi parceiro de Eduardo Gudin, Elton Medeiros e Paulinho Nogueira, entre muitos outros.

O samba-canção "Ronda", composto por ele, foi gravado por Inezita Barroso em agosto de 1953, sete anos depois da criação. Ele e a mulher, a cantora Ana Bernardo, acompanhavam Inezita na gravação de seu primeiro disco no Rio, "Moda de Pinga". Ela precisou de uma música de última hora e o autor lhe ofereceu "Ronda", uma crônica de amor e morte nos bares e ruas de São Paulo. 

A famosa canção, porém, não era sua favorita. "Eu tenho muita dívida com a cidade de São Paulo. É um absurdo como gostam de 'Ronda', mas gostam", afirmou em entrevista sobre as comemorações de seus 85 anos. Ele mesmo renegava ser um homem da música. "Sou completamente analfabeto em música".

"Samba é paciência", sempre repetia Vanzolini. Em conversa com o pesquisador Assis Ângelo, ele contou que levou 25 anos para terminar a letra de "Pedacinhos do Céu". Ele começou a compor seus sambas tipicamente paulistanos ainda no início dos anos 40. A obra é relativamente pequena --pelo menos a parte que o autor, perfeccionista, deixou vir à tona: é composta de aproximadamente 65 canções. 

Uma de suas últimas canções, "Quando Eu For, Eu Vou Sem Pena", gravada por Chico Buarque em 1997, encerrou sua fase de compositor, na metade da década de 1980.

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