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Em entrevista rara, Cleyde Yáconis revelou que apanhava do pai e passava fome na infância

Do UOL, em São Paulo

15/04/2013 22h40

Em 1975, aos 51 anos, Cleyde Yáconis revelou que apanhava do pai e passou fome na infância para a coleção "Depoimentos", que reunia entrevistas com  alguns dos mais importantes artistas da cena teatral nacional, iniciativa da Funarte com o Ministério da Educação e Cultura e o Serviço Nacional de Teatro. Entre os entrevistadores estavam alguns colegas como os atores Paulo Autran e Cláudio Correia e  Castro.

A entrevista é uma das raridades do acervo do Centro de Documentação e Pesquisa (Cedoc) da Funarte. “Meu pai, uma figura que eu lastimo não conhecer hoje, era uma pessoa muito estranha. Só pode ter amado minha mãe, que foi uma mulher muito bonita. Meu pai, eu tenho desconfiança que ele foi escroque, não sei”, revelou a atriz. “A nossa alimentação era roubada de uma quitanda e, graças a Deus, a cerveja Caracu, onde eu tomei bastante levedo. Acho que o dono tinha dó.”

Filho de calabresa e de grego, o pai usava roupas elegantes e procurava se cuidar, enquanto as filhas mal tinham o que vestir e ainda eram espancadas. “Ele tinha um requinte de espancamento, que se batia com o cinto era do lado da fivela (…) Eu e Cacilda somos muito parecidas com ele, principalmente na mão. Ele gostava de bater aqui no cocoruto, pra gente desmaiar. Entende? É a lembrança que eu tenho do meu pai até 4 anos.”

Nesse período, foram morar com os avós. "Embora possa parecer inacreditável, durante o ano que ficamos lá, jogada fora ou não, minha mãe tinha o estigma de ‘separada’”, disse. “Nós ficamos no fundo do quintal,  num depósito da casa do meu avô e jamais sentamos na mesa. Só comíamos realmente quando sobrava.”

O ingresso de Cleyde Yáconis no teatro não tardaria: “Arranjei um emprego no guarda-roupa do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia)”. Cleyde já tinha, então, 24 anos, e logo seria chamada a substituir uma atriz, que ficara doente, no clássico "Anjo de Pedra", de Tennessee Williams.

Em seguida, o diretor Ziembinski a convidaria a participar de "Pega-fogo", que seria o espetáculo das segundas-feiras. “Ele disse: não vai prejudicar os seus estudos e você ganha um tutuzinho”, contou ela. 

“Foi por causa do tutuzinho que aceitei e fiz a minha primeira peça ensaiada, que estreou também em 1950, em 'Espetáculos de Segunda-feira' e, em janeiro, não prestei o exame da Faculdade de Medicina. Não porque tivesse me apaixonado pelo teatro, mas simplesmente porque fiquei espantada com o que iam me pagar para fazer teatro. Eu ia levar dinheiro pra casa.”

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