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Zé Pequeno de "Cidade de Deus" inspirou ator do musical "O Rei Leão"

Orlando Oliveira/AgNews
O personagem Timão em cena da versão musical de "O Rei Leão", que estreia no Brasil em março de 2013 Imagem: Orlando Oliveira/AgNews

Natália Guaratto

Do UOL, em São Paulo

29/01/2013 06h00

Quando o musical “O Rei Leão” estrear nos palcos brasileiros no próximo dia 28 de março, os fãs da história de Simba, Mufasa, Nala, Scar, Rafiki, Timão e Pumba vão se deparar com uma grande mistura cultural.

A história do espetáculo, criado pela diretora de teatro Julie Taymor há 16 anos,  é a mesma da animação sucesso de público nos anos 90. O nascimento de Simba desperta a ira do leão Scar, que mata o rei Mufasa, seu próprio irmão, com o objetivo de tomar o poder. Acusado de permitir a morte do pai, Simba foge e cresce longe de casa à espera do dia que retomará o controle do reino dos animais.

Mas a versão teatral se distancia da fantasia da Disney ao trazer para o palco elementos do folclore africano, dança e música zulu e teatro chinês. Tudo isso é embalado pela trilha sonora adaptada por Gilberto Gil. “Minha incumbência foi trazer a alma e os significados dessas letras para a fala brasileira”, disse o cantor em entrevista ao UOL nesta segunda-feira (28).

Durante a primeira reunião geral da equipe de “O Rei Leão”, em um galpão de ensaios no bairro do Brás, em São Paulo, o ex-ministro da cultura disse que se sentiu muito à vontade compondo as canções. “Para um negro brasileiro é muito fácil ver que há muito de Brasil na África”, afirmou ele quando questionado sobre como a cultura nacional tinha sido inserida no espetáculo.


Para um negro brasileiro é muito fácil ver que há muito de Brasil na África

Gilberto Gil sobre a mistura cultural presente no musical "O Rei Leão

Embora tenha achado o processo de adaptação das canções “muito natural”, Gil disse que teve que cumprir algumas exigências da Disney, como não se embasar nas músicas da versão cinematográfica, nem fazer interpretações muito particulares dos temas dos personagens. “Talvez aqui e ali eu tenha deixado escapar algum lirismo”, contou.

As restrições feitas à trilha sonora não se aplicaram ao trabalho dos atores. Jorge Neto, Juliana Pepe e Felippe Moraes, intérpretes do trio de hienas malvadas Banzai, Shenzi e Ed, respectivamente, contaram que tiveram “muita liberdade” para compor os personagens. “Inclusive me mandaram assistir ‘Cidade de Deus’ e usar o Zé Pequeno como referência para Banzai”, contou Neto. “As hienas não são vilãs, elas são malandras”, completou Juliana, contando que sua personagem terá “um ‘quê’ de americana do gueto”.

Moraes, que também reveza o papel de Timão na montagem, disse que o suricato poderá ter sotaque nordestino nos palcos brasileiros.

Elenco cantou música de abertura
Apesar de estar passando por audições e oficinas preparatórias desde abril de 2012, boa parte do elenco – formado por 49 brasileiros e 8 sul-africanos - ainda não se conhecia cara a cara.

  • A atriz e cantora sul-africana Phindile Mkhize está tendo aulas de português para cantar no espetáculo

Gilberto Gil foi responsável por dar as boas vindas ao grupo. “Alguma coisa dentro de mim dizia que eu devia aceitar esse trabalho honroso”, disse o cantor baiano, lembrando que resistiu a assumir as composições no início. “Acabei aceitando pela pressão da família”, contou.

Muito aplaudido pelos artistas brasileiros, Gil passou despercebido pelo elenco africano. A cantora sul-africana Phindile Mkhize, intérprete do macaco sábio Rafiki, afirmou que não sabia que o cantor era um ícone do país. “Eu conheço pouco de música brasileira, mas gosto muito de samba”, disse.

Integrante do musical há 10 anos, Phindile está tendo aulas de português para poder interpretar melhor as canções. “Quando você gosta muito do que faz, o idioma não é uma barreira”, acrescentou. 

Dona de uma poderosa voz que lembra as divas americanas do soul, a cantora apresentou a música de abertura da peça. Acompanhada do coro, que cantou em zulu, Phindile mostrou sua potência vocal dando agudos arrepiantes e, apesar do sotaque dificultar o entendimento da letra, mostrou que o musical tem potencial para emocionar.

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