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Sala de Bispo do Rosário é candidata à lotação na abertura da Bienal

Leandro Moraes/UOL
Obra do artista brasileiro Arthur Bispo do Rosario, na 30ª Bienal de Arte, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo Imagem: Leandro Moraes/UOL

Mario Gioia

DO UOL, em São Paulo

11/09/2012 07h00

Com abertura para o público desde o dia 7 de setembro, a 30ª Bienal de São Paulo, com entrada franca, tem na sala dedicada a Arthur Bispo do Rosário uma das grandes possibilidades de sucesso de público na exposição. Nos dias anteriores à visitação geral, o espaço no centro do Pavilhão da Bienal teve constante presença de artistas, críticos, colecionadores e profissionais ligados às artes visuais.

“Quando começamos a articulação das obras e espaços da Bienal, um eixo organizador com Bispo do Rosário ficou claro e começou a dar formas a outros eixos, tendo o arquivo como linguagem”, disse o venezuelano Luis Pérez-Oramas, curador da exposição, uma das três principais em âmbito mundial, ao lado da Bienal de Veneza (Itália) e da Documenta de Kassel (Alemanha).

Numa área de dimensões mais generosas que a maioria das salas expositivas dos outros 110 artistas da mostra, Bispo do Rosário (1909 [ou 11] -1989) é foco de um tributo forte dentro do conjunto da Bienal e que chama a atenção pela obsessão com a qual o artista realizava suas centenas de peças, hoje em exibição. A localização também é privilegiada: logo depois de subir a escada rolante que liga o mezanino ao andar de cima.

O público terá acesso à variada produção do artista, que tecia mantos repletos de inscrições, construía objetos ‘escultóricos’ feitos com descartes diversos _ garrafas, pneus, roupas e ripas, entre outros, numa variedade muito grande de materiais _ e estandartes nos quais as palavras bordadas têm numerosas classificações. Seus barcos também chamam a atenção.

História

Bispo do Rosário tem uma história particular na arte brasileira. Nasceu em Jabaratuba (SE), em 1909, segundo a Marinha, onde serviu de 1925 a 1933 _ e de onde foi expulso por indisciplina e ‘incapacidade moral’ _, ou dois anos depois, segundo a Light, empresa carioca onde trabalhou até 1937.

Diagnosticado em 1938 como portador de esquizofrenia paranoide, é levado no ano seguinte para a Colônia Juliano Moreira. Na instituição, foi colocado no setor reservado a pacientes mais ‘agitados’. Depois de passar por outras clínicas e hospitais, vivendo de trabalhos como porteiro e segurança, entre outras funções, retorna à Juliano Moreira em 1964 para não sair mais, morrendo em 1989. Na colônia, produz boa parte da sua obra.

“Bispo do Rosário esteve à margem do olhar sistematizado de arte”, escreve Paulo Herkenhoff, ex-curador da Bienal de São Paulo. “É inútil buscar classificações [sobre a sua obra]. Com cerca de 850 trabalhos, o sergipano oscilava entre a realidade e o delírio e justificava a feitura de sua produção como uma missão divina. Os trabalhos de sua autoria começaram a fazer parte de exposições com recortes de arte contemporânea principalmente a partir do final dos anos 90, fazendo com que muitos deles fizessem parte de mostras no exterior. Museus importantes no mundo o expuseram, como o MoMA, em Nova York, e o Centro Pompidou, em Paris.

No sábado, o principal livro sobre o artista, Arthur Bispo do Rosário – Século 20, organizado por Wilson Lázaro, terá evento de lançamento de edição atualizada na livraria da Bienal, às 16h.

30ª Bienal de São Paulo - A Iminência das Poéticas
Onde: Pavilhão da Bienal (parque Ibirapuera, portão 3)
Quando: de 7 de setembro a 9 de dezembro, às terças, quintas, sábados e domingos (9h às 19h); quartas e sextas (9h às 22h)
Entrada: franca; vans saem para o metrô Ana Rosa de 15 em 15 minutos. 

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