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Ficção científica "H+" desponta como modelo para séries digitais

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Cena da websérie de ficção científica "H+" Imagem: Divulgação

Jake Coyle

Em Nova York (EUA)

06/09/2012 07h00

Quanto custa uma boa série tem sido uma pergunta constante e em evolução à medida que as séries digitais se multiplicam. Cada vez mais as séries de internet aspiram a uma qualidade como a da televisão, ao mesmo tempo em que tentam se virar com os orçamentos de web.

Mas isso faz com que a maioria das séries para internet pareça de má qualidade. A política “rápido e barato” fez com crescessem as produções ao estilo “talk show”, particularmente entre os canais do YouTube e na programação original do Yahoo. O humor, que depende menos de valores de produção, também é mais barato – o que foi comprovado por “Between Two Ferns”, de Zach Galifianakis, que floresceu com apenas um convidado e dois vasos de plantas.

O drama, entretanto, sempre é uma proposta mais onerosa. Na internet, os aspectos econômicos geralmente não ajudam.

Produzida por Bryan Singer – o diretor de “Os Suspeitos” e “X-Men: O Filme”, assim como produtor executivo de uma das séries mais caras da TV, “House” –, a ficção científica “H+” é uma série ambiciosa em 48 episódios, com a intenção clara de elevar o nível das séries digitais e trazer um padrão mais alto de produção à internet.

“Sempre houve formas diferentes de programação humorística curta (online), mas eu venho principalmente do drama narrativo ou da aventura de ação”, diz Singer. “Logo, minha ideia era de explorarmos algo mais cinematográfico no espaço da internet – algo que seria bastante estilizado, com alto valor de produção, mas ao mesmo tempo estruturado para a internet.”

Veja trailer da série (em inglês)

Orçamento não chega a US$ 2 milhões
A série, produzida pela “Warner Premiere”, estreou no YouTube em agosto e ganha um novo episódio de 4 a 7 minutos toda quarta-feira, um ritmo que fará com que seja concluída em janeiro. Seu orçamento de produção foi de menos de US$ 2 milhões, uma soma notável considerando que a série tem um total de 255 minutos e inclui cenas de ação, efeitos visuais e cenários internacionais.

Ao fazer render bastante cada dólar de seu orçamento e conseguindo um valor de produção muito acima da maioria das produções para internet, “H+” pode fornecer um modelo para uma indústria tentando fazer sucessos com migalhas. “Nós de alguma forma tivemos sucesso”, diz o diretor Stewart Hendler, que dirigiu o filme de horror “Pacto Secreto” de 2009.

“H+” se passa em um futuro próximo, onde quase todo mundo tem um chip instalado no cérebro que mistura a internet com suas mentes. As pessoas acessam dados e fazem telefonemas com um movimento de pulso e usando uma interface disposta no campo de visão. Mas um vírus repentinamente se espalha pelo dispositivo, matando imediatamente um terço da população.

Obviamente inspirada em “Lost”, a série avança e volta no tempo, reunindo histórias de antes e depois do evento para contar por que aconteceu. A série visa a ser não linear, deixando a ordem dos episódios à escolha do espectador. Uma linha do tempo deslizante ajuda a mapear a trama.

As séries de internet agora têm maior legitimidade. Mas nós ainda sentimos que esse projeto tem um acabamento muito melhor e é mais ambicioso do que as coisas que estão sendo lançada

Stewart Hendler, diretor

A série, escrita por John Cabrera (“Gilmore Girls”) e Cosimo De Tommaso, foi apresentada originalmente em 2008 para a produtora Bad Hat Harry de Singer como uma série de TV. Na época, o panorama para as séries de internet era desanimador, mas “H+” agora chega em meio a uma corrida liderada pelo Hulu, Netflix, YouTube e Yahoo, incluindo nomes como Tom Hanks, Ben Stiller, Jerry Seinfeld e Richard Linklater. Anthony Zuiker, o criador de “CSI”, estreará em breve um drama de cibercrime de 90 minutos para o Yahoo.

“Foi incrivelmente por acaso”, diz Hendler. “As séries de internet agora têm maior legitimidade. Mas nós ainda sentimos que esse projeto tem um acabamento muito melhor e é mais ambicioso do que as coisas que estão sendo lançadas. Ele está fazendo exatamente o que queríamos em um espaço que agora parece estar recebendo mais atenção.”

Assista ao episódio número 1

Uma decisão inicial que rendeu frutos foi a escolha de ir para Santiago, Chile, onde a geografia variada do país ofereceu locações substitutas para os vários cenários internacionais do roteiro. Hendler, que Singer escolheu em parte devido à sua capacidade de extrair alto valor de produção dos comerciais de TV que dirigiu, liderou os 29 dias de filmagem que cobriram 54 locações diferentes.

A filmagem foi dividida em quatro semanas de cenas simples, despojadas, e uma semana em que o tamanho da equipe triplicou e os cenários maiores foram filmados. Esses “momentos maiores” foram espalhados por todos os 48 episódios.

“Essa é uma velha filosofia do (Roger) Corman: filme o drama, consiga atores realmente bons”, diz Singer. “E então para as coisas épicas, certifique-se de dedicar o suficiente para seus efeitos especiais e para os grandes cenários.”

“H+” não é a primeira série digital a tirar lições dos cineastas independentes e de baixo orçamento dos anos 1960 e 1970. Mas seu sucesso pode apontar a forma para futuras incursões dramáticas na internet.

Se é uma fórmula que pode ser repetida, eu não sei. Mas não acho que esteja longe de algo que possa ser feito de novo

Stewart Hendler, diretor

“Eu estou superorgulhoso do que fizemos por esse dinheiro”, diz Hendler, que também dirigiu recentemente uma série em cinco partes de “Halo”, que estreará em outubro. “Se é uma fórmula que pode ser repetida, eu não sei. Mas não acho que esteja longe de algo que possa ser feito de novo.”

“H+” busca ganhar dinheiro por meio de patrocinadores e publicidade, e até o momento tem encontrado um público que varia de 25 mil a 500 mil espectadores por episódio. Singer se recusou a julgar o sucesso financeiro da série por ora, dizendo que ainda é muito cedo. Um fator chave para ele foi a capacidade de potencialmente lançar “H+” de outra forma, possivelmente como uma minissérie em duas partes ou um filme de longa metragem. Essa flexibilidade, disse Singer, era necessária para que houvesse uma chance de ganhar dinheiro.

Mas Singer, cujo gosto por tramas labirínticas ajudou a forjar sua carreira no cinema, não julga o sucesso pelo aspecto financeiro. Em vez disso, sua satisfação, ele diz, vem de um resultado mais básico: “O fato de realmente termos conseguido fazê-la”.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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