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Livro reúne críticas, histórias de bastidores e curiosidades sobre o cineasta Quentin Tarantino

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

26/08/2012 07h00

  • Divulgação

    Capa do livro "Quentin Tarantino", organizado por Paul A. Woods

Nos 20 anos que separam a estreia de “Cães de Aluguel” (1992) do início da produção de seu próximo filme, “Django Livre”, Quentin Tarantino, 49, conquistou fãs e um espaço cativo no mundo do cinema. É justamente esta trajetória de nerd de cinema a diretor consagrado que Paul A. Woods (autor de “O Estranho Mundo de Tim Burton”) reúne em “Quentin Tarantino”, publicado pela editora Leya.

O volume apresenta uma seleção de críticas, entrevistas e perfis sobre Tarantino e cada um de seus filmes já lançados – inclusive aqueles em que o cineasta assina apenas o roteiro, como “Amor à Queima Roupa" (1993) e "Assassinos por Natureza” (1994). O livro chega às livrarias brasileiras próximo à celebração de uma efeméride: os 20 anos da estreia de “Cães de Aluguel” nos cinemas, em 2 de setembro de 1992, na França, onde o longa entrou em cartaz depois de ser exibido nos festivais de Sundance e Cannes daquele ano. No Brasil, o longa também seria exibido pela primeira vez na Mostra de São Paulo de 1992, com a presença quase ignorada do diretor estreante.

Os textos foram originalmente publicados à época do lançamento dos filmes nos Estados Unidos e Inglaterra e transmitem a temperatura do momento. Eles ajudam o leitor a entender como a percepção da crítica em relação a Tarantino vai mudando à medida que o cineasta se estabelece como queridinho de Hollywood. Além disso, também mostra como cada um de seus filmes foi recebido – do choque provocado pela cena de tortura de um policial em “Cães de Aluguel” à elevação da violência a um patamar “cult” na homenagem a filmes de artes marciais em “Kill Bill - Volume 1” (2003).

O livro inclui ainda depoimentos de Tarantino sobre seus filmes – escritos por ele mesmo ou registrados por jornalistas –, que acabam sendo a parte mais saborosa da seleção, em que o diretor conta, por exemplo, porque incluiu a cena da dança entre os personagens de John Travolta e Uma Thurman em “Pulp Fiction - Tempo de Violência” (1994): “Sempre adorei as cenas musicais em filmes, particularmente adoro quando os filmes não são musicais. Minhas cenas musicais favoritas sempre foram as de Godard, porque elas vêm do nada. É tão contagiante, tão simpático. E o fato de que não é um musical e ele para o filme para ter uma cena musical torna tudo mais doce.”

Alguns dos textos também são interessantes por desconstruir mitos criados em torno da persona de Tarantino, como a história de que ele aprendeu sobre cinema trabalhando em uma locadora de vídeos e que saiu de lá direto para a posição de jovem cineasta promissor. Na verdade, Tarantino cresceu assistindo filmes e tentou uma carreira de ator antes de se lançar aos roteiros. Além disso, o emprego na locadora só veio justamente porque ele já entendia muito de cinema e ele já estava tentando fazer filmes por quase dez anos quando vendeu o roteiro de “Assassinos por Natureza” para juntar fundos para produzir seu primeiro filme, que deveria ter sido “Amor à Queima Roupa”.

A versão brasileira traz ainda textos sobre os últimos filmes de Tarantino – “Sin City - A Cidade do Pecado” (2005, em que ele assina como co-diretor convidado, ao lado de Robert Rodriguez e Frank Miller), “À Prova de Morte” (2007, parte do projeto “Grindhouse”, também desenvolvido com Robert Rodriguez) e “Bastardos Inglórios” (2009).

Veja a seguir algumas das coisas que Tarantino diz sobre seus filmes.

TARANTINO POR TARANTINO

"CÃES DE ALUGUEL" (1992)
Não consigo pensar num filme que tenha sido lançado durante os últimos cinco anos em que uma cena tenha sido tão comentada quanto a da tortura em ‘Cães de Aluguel’. E o problema é que o filme tem muito mais a oferecer do que aquela única cena. Mas é tão pesada que pessoas que poderiam ter aguentado o filme ficaram com medo.
"PULP FICTION - TEMPO DE VIOLÊNCIA" (1994)
As pessoas me perguntam de onde tirei a história da overdose: o resumo é que cada junkie, ou pessoa que experimentou heroína para valer, tem uma versão dessa história – eles quase morreram, outra pessoa quase morreu e eles a trouxeram de volta com água salgada ou a colocaram numa banheira, ou a fizeram saltar com uma bateria de carro.
"JACKIE BROWN" (1997)
Muito do clima de filmes apelativos negros que eu gostava trouxe para ‘Jackie Brown’. É como a dívida que ‘Pulp Fiction’ tem com faroestes-espaguete. ‘Jack Brown’ deve a filmes blacksploitation. E a relação que a surf music tem com ‘Pulp Fiction’, a soul music da velha guarda dos anos 1970 tem com ‘Jackie Brown’: é o ritmo e a pulsação do filme.
"KILL BILL - VOLUME 1" (2003)
É o que eu penso do gênero de meninas fodonas, que é uma peça básica do cinema asiático, que realmente adoro. Estou meio torcendo secretamente para que ‘Kill Bill’ inspire alguma menina de treze anos a colocar um pôster de Uma Thurman em seu macacão brilhante, ou talvez faça com que alguma adolescente asiática que não tem um modelo a seguir se inspire por Lucy Liu na tela e se sinta fortalecida.
"KILL BILL - VOLUME 2" (2004)
A principal diferença entre o ‘Volume 1’ e o ‘Volume 2’ é que você se lembra do discurso de Sonny Chiba que ele faz bem, bem no finalzinho, em que diz: ‘A vingança nunca é uma linha reta, é uma floresta, é fácil de se perder e de se esquecer por onde entrou’. Bem, ‘Volume 1’ é a linha reta. (...) Agora é a floresta. Agora a coisa humana começa a ficar complicada.

 

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