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"Cinquenta Tons de Cinza" vai aquecer mercado literário; conheça próximos lançamentos

Divulgação / Editora Intrínseca
Uma das capas do romance erótico "Cinquenta Tons de Cinza", parte de trilogia criada por E.L. James e que recebe agora tradução para o português Imagem: Divulgação / Editora Intrínseca

Hillel Italie

The New York Times Sindycate, em Nova York (EUA)

26/08/2012 07h00

O fenômeno "Cinquenta Tons de Cinza" só esquentará na próxima estação. Livrarias e editores esperam que pelo menos meia dúzia de romances se beneficie com a trilogia erótica best-seller de E. L. James, que está no topo das listas de mais vendidos há meses --e novos títulos continuam sendo adquiridos. 

Os lançamentos que provavelmente pegarão incluem "Gabriel's Inferno" e "Gabriel's Rapture", de Sylvain Reynard; "Reflected in You", de Sylvia Day; e uma compilação de romances da Harlequin intitulada nada sutilmente de "12 Shades of Surrender" (12 Tons de Entrega, em tradução livre).

Nas últimas duas semanas, a St. Martin's Press adquiriu o sucesso independente de Sara Fawkes, "Anything He Wants (Dominated by the Billionaire)", e a Gallery Books, um selo da Simon & Schuster, comprou "The Marriage Bargain", de Jennifer Probst. 

A Open Road Integrated Media, uma editora digital, anunciou o lançamento da popular trilogia "Eighty Days", escrita por "uma pessoa com conhecimento de dentro do meio editorial" e uma "figura familiarizada com a cena de fetichismo de Londres", conhecidas coletivamente como Vina Jackson. "Há uma enxurrada de agentes nos procurando com livros", diz Louise Burke, a publisher da Gallery e vice-presidente executiva.

Cindy Hwang, editora executiva da Berkley Books e a editora de Sylvia Day, diz que graças a "Cinquenta Tons", a porta entre a ficção erótica e a comercial foi "escancarada". O mercado, "essa fascinação pelos super-ricos", exige mais mestres do universo, pelo menos fictícios. Ainda assim, Hwang acrescenta, "haverá outros tipos de livros".

Novos romances à vista

Novos romances serão lançados por James Patterson, Mitch Albom, Michael Connelly, Dennis Lehane, John Grisham e Patricia Cornwell. J.K. Rowling descobrirá quantos de seus fãs adultos de "Harry Potter" se interessarão por um livro sem bruxos com "The Casual Vacancy". Justin Cronin segue seu best-seller "A Passagem" com "The Twelve", o segundo de uma trilogia planejada.

Ken Follett tem dois projetos: uma minissérie para TV baseada em sua saga épica medieval, "O Mundo Sem Fim", deverá começar a ser exibida no Reelz Channel a partir de outubro. E seu novo romance, "Inverno do Mundo", é o segundo de sua trilogia "O Século" sobre guerra. O autor explicou durante uma recente entrevista que "Inverno do Mundo", uma história que se passa na Segunda Guerra Mundial com quase 1.000 páginas, foi educativo para ele.

"Antes de iniciar 'Inverno do Mundo', eu não sabia que os nazistas tinham matado milhares de pessoas deficientes, isso foi algo completamente novo para mim", ele diz. "A Segunda Guerra Mundial foi tratada tantas vezes antes que eu precisava encontrar algo novo. E fiquei tão chocado e horrorizado com esse programa que, assim que li a respeito, eu sabia que precisava usá-lo".

Tom Wolfe, que ajudou a definir a Nova York dos anos 80 em "A Fogueira das Vaidades", situou a história de crime de 650 páginas, "Back to Blood", no "cadinho cultural" contemporâneo de Miami, uma tela vasta "cheia de casos duros que não derretem". Michael Chabon permanece perto de casa com "Telegraph Avenue", que leva o nome do famoso trecho de sua residência de longa data, Berkeley, Califórnia. "NW" de Zadie Smith é outra história local, situada no noroeste de Londres, onde a autora cresceu. 

"Joseph Anton" de Salman Rushdie é um livro de memórias, que segundo seu título usa o pseudônimo de Rushdie quando ele estava escondido, após o aiatolá Khomeini do Irã ter pedido sua morte pela suposta blasfêmia de "Os Versos Satânicos". "There Was a Country", de Chinua Achebe, é o muito aguardado livro de memórias sobre a guerra civil dos anos 60 em seu país natal, a Nigéria. Serão publicados contos do vencedor do prêmio Pulitzer, Junot Diaz, e de uma reconhecida mestre do formato, Alice Munro.

"Há uma grande peremptoriedade das histórias", escreveu Diaz, cujo romance "A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao" ganhou o Pulitzer em 2008, em um e-mail para a agência de notícias "The Associated Press". "Você está no mundo delas por um período muito breve e então elas o expulsam. Muito estimulante, um lembrete de como a vida às vezes funciona".

Sem idade para escrever e os músicos escritores

Um punhado de obras prova que não há limite de idade para a profissão de escritor. O crítico e antologista M.H. Abrams, que completou recentemente cem anos, tem um livro de ensaios, "The Fourth Dimension of a Poem". Herman Wouk, 97 anos e autor de "The Caine Mutiny" e "The Winds of War", tem um novo romance cômico, "The Lawgiver". 

Um dos grandes acadêmicos dos primórdios da história norte-americana, Bernard Bailyn, 90 anos, continua seu estudo da imigração para as colônias com "The Barbarous Years". O poeta beat Lawrence Ferlinghetti, 92 anos, tem um novo livro de versos, "Time of Useful Consciousness", uma ampla história pessoal e social que homenageia sua amada San Francisco.

Dois dos livros de música mais notáveis vêm de outra instituição de San Francisco --a McSweeney's, a editora fundada por Dave Eggers. O líder do Talking Heads, David Byrne, rastreia a influência de sua principal forma de arte em "How Music Works". 

"Song Reader" de Beck é, na verdade, um novo álbum lançado exclusivamente como partitura. "Song Reader" é "uma alternativa", aconselha a McSweeney, "que recruta o ouvinte no tom de cada faixa, e visualmente é tão envolvente quanto uma dúzia de capas de LPs reunidas".

Mas a maioria dos astros do rock se restringirá ao livro de memórias: Neil Young, Rod Stewart, Pete Townshend, Courtney Love, as irmãs Ann e Nancy Wilson do Heart. Stewart, cujo livro de memórias se chama "Rod: The Autobiography", disse durante uma recente entrevista por telefone que apreciou o trabalho --falar ao microfone, tomando notas, com uma garrafa de vinho ao seu lado.

"Eu, Keith (Richards, autor de 'Vida', que vendeu mais de 1 milhão de exemplares) e Pete, nós fizemos de tudo. Nós estivemos lá, vimos tudo e temos muitas histórias para contar", diz Stewart, que considera "Rod" um “livro edificante. Diferente do livro do Keith, que é bem sombrio". Ou foi o que ele ouviu dizer: "Eu não sou um grande leitor", ele diz com uma risada rouca.

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