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Depois de 25 anos de sua morte, Drummond é tido como um dos maiores poetas do século 20

Amanda Serra

Do UOL, em São Paulo

17/08/2012 06h45

No aniversário de 25 anos de sua morte, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o “poeta que não queria ser moderno, mas eterno”, é lembrado como um dos maiores escritores contemporâneos, por conta da simplicidade, clareza e dramaticidade de sua obra.

"O Drummond é um dos maiores poetas do século 20. Ele não é importante apenas para o país, mas para o mundo”, afirma o jornalista Flávio Moura ao UOL, responsável pela homenagem ao escritor na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) deste ano.

Com mais de 40 títulos, entre poesias, ensaios, crônicas e artigos, publicados e a maioria traduzida para países como Alemanha, Argentina, Cuba, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Dinamarca, Holanda, Inglaterra, Itália, Noruega, Suécia, Peru, Portugal e Tchecoslováquia, o mineiro completaria 110 anos em outubro deste ano, se não tivesse falecido em 17 de agosto de 1987, vítima de problemas cardíacos.

Para o poeta, crítico e professor de literatura brasileira da Universidade de São Paulo (USP) Alcides Villaça, a efeméride pouco importa. “Cento e dez anos não quer dizer nada, quanto ao legado gigantesco de Drummond. Sua importância como poeta já ultrapassou os limites nacionais, universalizando-se e consagrando sua poesia como uma das mais expressivas e representativas”.

Atores recitam "E Agora, José?" de Drummond

Faces
Alcides conta que Drummond era capaz de abrigar diversas facetas, que vão da irônica, passando pela confidencial, à especulativa e comovida, além das muitas variações de humor. Assim ele exorcizava sua solidão frente aos excessos do mundo e de sua desconfiança profunda pelo moderno. “As faces se misturam, compõem uma personalidade complexa e miram-se para um espelho de altas exigências. Esse espelho serve para todos”, analisa o crítico.

Obra
Inspirada pelo Brasil da década de 50, que buscava o progresso, pelas consequências da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), pela ditadura militar brasileira (1964-1985), a poesia do escritor de Itabira (MG) oscila entre a roça e o elevador, entre o mítico e o cotidiano, entre o clássico e a experimentação. “A relativização dos valores e dos dogmas, temas principais de quem considera a modernidade, é uma força da obra de Drummond”, explica o professor Alcides. "Ele não parecia alimentar qualquer ilusão quanto à evolução humana”.

Divulgação
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida

Reservado e desinteressado pela fama, o funcionário público preferia se comunicar por cartas com os amigos, como fez por muitos anos com o escritor paulistano Mário de Andrade. “Ele parecia gostar de gente como gostava do mundo; de preferência mediado por palavras. Exceção feita às moças bonitas, claro”, justifica Alcides em referência à paixão que Drummond mantinha pelas mulheres.

Casado com Dolores Dutra de Morais por mais de 60 anos, até sua morte em agosto de 1987, Drummond manteve um caso com Lygia Fernandes, sua amante por 36 anos. O romance era conhecido por todos, mas nunca foi assumido pelo poeta.

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