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Centenário de Jorge Amado tem show de Caetano Veloso e família Caymmi

José Nascimento/Folhapress
O escritor Jorge Amado completaria 100 anos no dia 10 de agosto de 2012 Imagem: José Nascimento/Folhapress

Luiz Francisco

Do UOL, em Salvador

04/08/2012 11h46

Escritor que mais projetou Ilhéus (429 km ao sul de Salvador) no Brasil e no mundo, Jorge Amado (1912/2001) será homenageado em seu centenário de nascimento com uma extensa programação de teatro, literatura, música, gastronomia, cinema, dança e artes plásticas e visuais pela cidade onde passou a infância e parte da adolescência. “A ideia é marcar a data realizando diversas atividades à altura do homenageado”, disse Maurício Corso, presidente da Fundação Cultural de Ilhéus e um dos organizadores do evento.

O principal destaque da programação está reservado para 10 de agosto, data de nascimento do autor de “Gabriela, Cravo e Canela” - um show em praça pública de Caetano Veloso. “A gente (família) queria fazer uma coisa bem maior, mas tivemos muitas dificuldades na captação de verbas de patrocínio. No entanto, pelo carinho e receptividade que estamos recebendo em Ilhéus, estou muito satisfeito”, disse o empresário João Jorge Amado Filho, neto do escritor. Também estão programados shows de Moraes Moreira, Margareth Menezes e família Caymmi.

Com diversos prêmios nacionais e internacionais, a obra de Jorge Amado será analisada e discutida por professores e especialistas durante os nove dias de comemorações com atividades que começam neste sábado (4) e terminam no próximo domingo (12). Em mensagem encaminhada aos responsáveis pela programação, a russa Elena Beliakova, tradutora de Amado, destacou a importância do escritor em seu país. “Para os russos, Jorge Amado foi e continua a ser o mais importante escritor brasileiro”, disse  a tradutora, que vai participar de um debate sobre o autor na segunda-feira (6).

Além dos palestrantes, artistas locais, shows e exposições, 2.300 estudantes de Ilhéus também estão envolvidos nas comemorações. “Eles (os estudantes) vão participar de feiras e fazer apresentações pelas principais ruas e avenidas da cidade”, afirmou Maurício Corso. Depois de lançar o filme “Capitães da Areia”, baseado no livro homônimo do avô, Cecília Amado aproveita as comemorações festivas para promover em Ilhéus a estreia nacional da peça com o mesmo nome. As apresentações serão realizadas nos dias 10, 11 e 12, no Teatro Municipal de Ilhéus.

Um dos livros mais conhecidos do escritor baiano, “Capitães da Areia” foi lançado em 1937. Com enredo baseado na vida de menores abandonados em Salvador, mostrando as diferenças de classe, concentração de renda e os efeitos da marginalidade nos jovens, a obra teve quase mil exemplares queimados em praça pública pelo governo da Bahia. Sob a acusação de ser uma obra “comunista” e “nociva à sociedade”, o livro também teve cópias apreendidas no Rio de Janeiro.

“Ilhéus é o palco ideal para todas as homenagens ao meu avô”, disse Cecília Amado. A abertura oficial das comemorações pelo centenário de Jorge Amado será feita pela ministra Ana de Hollanda (Cultura). Realizados em praça pública, teatro, escolas, centro de convenções, livrarias e bibliotecas, todos os eventos alusivos ao centenário de nascimento de Jorge Amado em Ilhéus são gratuitos.

Deputado Constituinte

Jorge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912 na fazenda Auricídia, distrito de Ferradas, em Itabuna (BA). Com um ano, foi morar em Ilhéus (menos de 25 quilômetros separam as duas cidades). Formado em direito, publicou seu primeiro romance, “O País do Carnaval”, em 1931.

Deputado Constituinte (1945), Jorge Amado é autor da lei que assegura o direito à liberdade de culto religioso, em vigor até hoje. Com o PCB (Partido Comunista Brasileiro), onde militou por muitos anos, na clandestinidade, Jorge Amado se exilou na França. Também morou em Praga, entre 1950 e 1952.

A partir de 55, quando retornou ao Brasil, Amado passou a se dedicar somente à literatura. Em abril de 61, assumiu a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras. O escritor morreu em Salvador, em agosto de 2001. Seu corpo foi cremado e as cinzas, espalhadas no jardim de sua casa, onde morou por quase 40 anos com a também escritora Zélia Gattai.

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